quinta-feira, abril 05, 2007

"Entre o alvo e a seta"

Exmos. Srs.: Interrompemos este blog para falar de…

Música

Definição: Música = A mais perfeita forma de Poesia.

Abrunhosa, sem óculos (como sempre…)

Quatro anos depois de “Momento”, Abrunhosa regressa para o seu quinto álbum de originais, com edição prevista para o final de Maio e título ainda desconhecido do público.




“Quem me leva os meus fantasmas” é o single de apresentação cuja estreia mundial se deu no passado dia 2 deste mês. Na sua página oficial Abrunhosa prometia um disco mais maduro, menos pop, menos superficial. A julgar pela amostra conseguiu-o.
“Quem me leva os meus fantasmas” é um tema que passa para além da pele, capaz de abanar estruturas, de nos fustigar, questionando-nos sobre o nosso eu, os fantasmas que guardamos e dos quais buscamos a libertação. Um poema soberbo numa música com o cunho bem forte de Abrunhosa, numa magnífica interpretação cheia da força orgânica e melódica a que o músico desde sempre nos habituou, tornando as suas interpretações únicas apesar da limitação a uma só oitava.



















Se por si só, a música, não fosse suficiente para nos tocar, vem equipada com um vídeo-clip que transforma os fantasmas íntimos em fantasmas sociais. Filmado quase todo nas ruas do Porto o clip é habitado por um conjunto de olhares inquisidores, não de actores, mas de alguns dos sem-abrigo que povoam a Invicta, caras que conhecemos senão dali de qualquer outra parte. Olhares que nos fixam e em que nos fixamos – é impossível não ficar colado ao ecrã tal é a força dos olhares que vão passando – olhares de dor, de revolta, de indiferença ou de ausência. Quando passamos por eles na rua tendemos a afastar o olhar dos olhos de quem nos estende a mão, nos “arruma” o carro ou apenas vagueia num seu mundo de andrajos e ausências, seja por vergonha, por pudor, por medo ou simplesmente por pura indiferença. Abrunhosa dá-nos, neste clip, essa oportunidade; mais concretamente obriga-nos a olhá-los, a olhar o que de mais profundo e intimo há em cada um destes “fantasmas” – os olhos – eles próprios repletos dos fantasmas de cada um e onde, afinal, se reflectem os nossos próprios fantasmas, os que escondemos e com os quais, a espaços, lutamos.






Conhecido pela imagem de marca de nunca mostrar os olhos, Abrunhosa brinda-nos com uma sucessão de olhares. São estes os olhos de Abrunhosa – sempre bem à vista, aliás, nas músicas que compõe. É este o seu olhar sobre o que o rodeia, são estes os olhos que os seus óculos reflectem.

A música podem ouvi-la aqui:

http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=383952

2 comentários:

Anónimo disse...

/me põe os óculos e....



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Atrás|do|vidro

Folha|Em|Branco disse...

A Música nunca interrompe, acompanha, preenche. Tanto quanto preenches tu vários mundos com este apontamento ao qual tiro o chapéu.
E entre o alvo e a seta há o caminho de regresso. O da canção.
Como dizia uma jornalista na altura do lançamento do Tempo, "Benvindo Pedro, é bom estares de volta..."