segunda-feira, outubro 15, 2012

Crónica de Segunda - A crónica de Natal


Dedicada ao meu editor e amigo Carlos Lopes,

 por inconfessáveis motivos que só nós sabemos!


Cá está ela, a Crónica de Natal. Perguntar-se-á o estimado leitor, que sei atento, que diabo me terá passado pela moleirinha para em meados de Outubro os presentear com uma insonsa e despropositada crónica natalícia. Insonsa porque as de Natal o são sempre, temazinho batido, até porque acontece todos os anos, conta a mesma História e, mais previsível ainda, ocorre sempre no mesmo dia do mesmo mês, portanto nada no Natal estimula a imaginação. Despropositada porque, atendendo ao atrás exposto, estas crónicas embora comuns, quase diria clássicas, não aparecem em Outubro, quando ainda nos estamos a recompor do fim do Verão mas sim em pleno Inverno e são aliás muito boas, quando impressas em papel, para servir de acendalhas às lareiras de quem as tem.

Estou certa que a esta hora, se ainda não desistiram de me ler, atribuirão a minha estranheza e loucura ao discurso Gasparino ouvido há horas, até porque pelo Natal os reis magos, entre eles o Gaspar, aparecem sempre com as prendinhas; atribuíla-ão à crise e à monumental – sim por favor, deixem-me acrescentar uma inovação à crónica, colossal e enorme estão, como o tema do Natal, no limite da paciência dos santos – miséria a que o País real está lançado. Tenderão a pensar que me afoito a escrever a crónica de Natal a dois meses de distância pela dúvida de entre subidas de impostos e mitigações de ordenados e subsídios, arrasamento de dias de férias e feriados, pela dúvida, dizia, de saber se este ano haverá Natal.

Na verdade as minhas razões são bem mais prosaicas, prendem-se sobretudo com provar que, como temática, o Natal já deu o que tinha a dar. Quem, depois de dois mil e tal anos de vastas tentativas, vai agora inventar a nova maneira de contar a História do Menino Jesus? Inventar-lhe uma nova manjedoura? Chamar os burros e as vacas pelos nomes, atendendo ao facto de nunca os ter visto descritos na literatura que consultei? Descortinar entre os reis magos qual trouxe o quê de oferta ao Menino? – Aposto que o Gaspar foi o que trouxe a mirra, especialista em tudo mirrar: os ordenados, os subsídios, os empregos, enfim a economia! O ouro sabemos que não foi o António Sala, mas aposto que todos desconfiamos que ele por lá andasse disfarçado de Belchior. Enfim, não há maneira, pois se nem no Pai Natal conseguimos inventar – a coca-cola não mudou de cor e um Pai Natal vestido de azul semelharia um strunf. Creio apenas que este Natal a coisa poderá melhorar no sentido das SMS, previsivelmente serão menos, não há guita!