terça-feira, janeiro 04, 2011

Recuperações - Jardim de São Lázaro

Ainda em matéria de recuperações de blogs anteriores, encontrei este espécime, proveniente de um conjunto de poemasfeitos na cidade. Movimentos respiratórios de um outro tempo.




Não é um grande poema mas é um poema grande. O Jardim de Marques Oliveira, conhecido pelos portuenses como "Jardim de São Lazaro" é uma memória grata das tardes da minha infância feliz, onde a felicidade era uma cestinha de lanche, sol e o coreto... Tudo é tão mais fácil quando somos menos ambiciosos e quando o amor é só tudo o que temos...

Agora o "Jardim de São Lázaro" é assim...
Jardim de São Lázaro

O pólen,
as flores,
as estátuas,
os bancos,
os velhos,
o coreto,
as putas!

As mais doces e
indeléveis memórias
de infância,
coroas de folhas
como mantos de memórias inauditas.
Voam-me os pássaros
por sobre a caveira,
como se eu morresse ali
como a água primeira
das fontes que não há.

São estas memórias
que me lambem as feridas
e me fazem sentir ontem
no dia que hoje foi.

E se eu bramir ao vento
alguém me virá ouvir?
Decerto não, melhor é nem tentar,
mais vale desistir.

1 comentário:

Armindo (Vasco) disse...

comentando sem comentar, apenas repetindo:

"E se eu bramir ao vento
alguém me virá ouvir?
Decerto não, melhor é nem tentar,
mais vale desistir."