segunda-feira, fevereiro 28, 2011

domingo, fevereiro 27, 2011

A crise do crude

Fairwell my sweet lamborghini. It was cool to have you in my life...


terça-feira, fevereiro 22, 2011

Se me perguntas



Se me perguntas sobre o mundo
dir-te-ei das ruas,
de todos os lugares onde passei,
da cor das árvores,
de todos os cheiros da cidade,
dos lugares perdidos onde amei,
do odor dos frutos que provei.

Mas pergunta-me antes
das dores no peito,
do aperto desusado e imperfeito,
do lugar vazio que deixaste no meu corpo,
do abraço incumprido,

do meu coração desfeito.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Recensão - JN (10/01/2011)


terça-feira, janeiro 04, 2011

Recuperações - Jardim de São Lázaro

Ainda em matéria de recuperações de blogs anteriores, encontrei este espécime, proveniente de um conjunto de poemasfeitos na cidade. Movimentos respiratórios de um outro tempo.




Não é um grande poema mas é um poema grande. O Jardim de Marques Oliveira, conhecido pelos portuenses como "Jardim de São Lazaro" é uma memória grata das tardes da minha infância feliz, onde a felicidade era uma cestinha de lanche, sol e o coreto... Tudo é tão mais fácil quando somos menos ambiciosos e quando o amor é só tudo o que temos...

Agora o "Jardim de São Lázaro" é assim...
Jardim de São Lázaro

O pólen,
as flores,
as estátuas,
os bancos,
os velhos,
o coreto,
as putas!

As mais doces e
indeléveis memórias
de infância,
coroas de folhas
como mantos de memórias inauditas.
Voam-me os pássaros
por sobre a caveira,
como se eu morresse ali
como a água primeira
das fontes que não há.

São estas memórias
que me lambem as feridas
e me fazem sentir ontem
no dia que hoje foi.

E se eu bramir ao vento
alguém me virá ouvir?
Decerto não, melhor é nem tentar,
mais vale desistir.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Recuperações - Rua de Santa Catarina

Vejo-te
por entre a turba que vem descendo a rua
ali, além ou mais à frente.
Talvez nem sejas tu
mas apenas a tua sombra
ou um perfume de ti
ou talvez nem gente
ou talvez apenas o estéril desejo
de te ter assim etereamente.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Crónicas, croniquetas e cronicões

Uma crónica de Natal (a Ano Novo)


Give Peace a chance!

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Sangue para um poema


Cravo as unhas na pele.
Forte,
mais forte!
Até sangrar por dentro.
Agora sim, o poema
é isento!

domingo, dezembro 19, 2010

Recuperações - As razões do amor



Amamo-nos
não pelas razões certas
mas por todas as erradas razões
que levam ao amor.
Talvez por isso
nunca abordamos esse assunto.

Recuperações - O ínício (ou a cápsula do tempo reinventado)


Aviso à navegação - este blog vai começar periodicamente a recuperar textos publicados em antanho em outros dois blogs antigos que tive, não estranhem se reencontrarem uma vida que já não existe!

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Nenhuma memória

Nenhuma memória nos vai livrar do esquecimento
nem encontrar os mais íntimos espaços da nossa pele,
nenhuma memória dos cheiros ou dos ventos,
dos gritos, das lágrimas, dos céus ou luas
que dobramos entre as mãos.

Nenhuma memória nos vai livrar do esquecimento,
memória nenhuma nos vai salvar.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Crónicas da Cidade Cinzenta


O Sol a seu dono… dona!



Uma mulher espanhola, jurista, resolveu colocar o Sol em seu nome, veio nos jornais, com fotografia e tudo. Além da demência em que semelhante acto classifica a senhora em causa, apostada na benemerência, diz querer pôr o Astro Rei não ao seu serviço mas dos pobrezinhos, pretendendo usar os seus direitos de legítima proprietária para com isso cobrar um imposto a todas as empresas (e estou certa aos particulares) que dele se sirvam como fonte de energia, para com esses dividendos, dos quais a benemérita senhora diz só querer para si dez por cento, dez!, ajudar os pobrezinhos, multiplicados por várias casas de caridade.
Depois do senhor do adeus de Lisboa, que distribuía acenos e afecto aos passantes a troco de nada, a quem um grupo de cidadãos pretende erigir estátua acho que esta jurista espanhola merece igual encómio e espero que ao menos na sua terra natal, abençoada pelo sol, alguém tenha a ideia de o fazer.
Eu própria já estou a tratar dos papeis para colocar o ar em meu nome, tratarei logo a seguir de instituir um imposto, a pagar mensalmente, talvez junto das outras minudências que aparecem de brinde nas facturas da luz, a todos os que usem o ar, minha propriedade privada, quer seja para o respirar quer para o poluir e mais prometo também dar 90% aos pobrezinhos até porque é conveniente que esses possuam algum provento mais não seja que para fazer face ao mesmo imposto, admitindo que ainda respirem.
Parece-me pois um negócio justo e provavelmente dos mais lucrativos desde a invenção das infalíveis pulseiras do equilíbrio.

domingo, novembro 21, 2010

Silêncio, Paz e Solidão



Depois de ti,
todo o silêncio,
murmúrio de águas a apaziguar a dor,
o ventre dilacerado
pelas vagas da memória mas
sem ti,
apenas a chuva,
nem a música ou o seu silêncio
coalhado de ternuras,
só, tão só
o silêncio.

sexta-feira, novembro 19, 2010

segunda-feira, outubro 25, 2010

Crónicas, croniquetas e cronicões

Mais uma aqui:

Crónicas de Segunda (02) - Os Ídolos rastejantes

segunda-feira, outubro 18, 2010

Crónicas da Cidade Cinzenta

E não os podemos enxotar?

Tenho vícios estranhos, admito, como aquele de precisar de estar só, a certas horas, em certos lugares, procedendo a certas actividades ou certas rotinas. Tenho uma absoluta necessidade de silêncio e solidão para me deixar ficar só a observar o mundo, mirado pela minha própria lente de aumento ou diminuição.
Às vezes acontece de, nesses momentos, ser importunada por um familiar ou um amigo e refiro-me aos amigos e familiares a quem amo, não aos chatos, às chagas que todos conhecemos, refiro-me mesmo às pessoas que mais amo, à família mais chegada e aos Amigos de á maiúsculo. Mas dizia, há vezes que uma (ou várias) dessas pessoas resolvem imiscuir-se nas minhas rotinas de solidão, insistem em acompanhar-me pela rua, em parar comigo nas mesmas montras, entrar comigo nas mesmas lojas, enfim – não me largam. Em férias, se fora de casa, o problema agrava-se. Quase sempre partilhando o hotel, o quarto, todas as refeições, a praia, a piscina, enfim, quase tudo – a privacidade fica reduzida a pequenos lampejos como seja um curto passeio a pé na redondeza, o momento em que se vai comprar o jornal ou os minutos de ir fazer xixi no quarto do hotel e, ainda assim, às vezes calha de alguém da pandilha ter a ideia abstrusa de nos acompanhar nessas idas por vontade semelhante seja a fisiológica seja a de comprar o jornal ou tomar café no bar em frente ao hotel.
Pergunto-me, às vezes, sobre a melhor forma, a menos rude, de lhes escapar, enfim, de os enxotar. Como me livrar deles sem os magoar? Será que não entendem que preciso, urgentemente, de ficar a sós comigo mesma para pensar? E em que penso eu, quando estou só? Penso nos Amigos e na Família, penso precisamente naqueles que amo. Preciso em absoluto dessa solidão para ficar a amá-los, a pensar neles. Preciso disso para escrever sobre eles, para lhes fazer um poema ou um texto tão palerma como este (e a minha absoluta e absurda necessidade de solidão).

Crónicas, croniquetas e cronicões

Mais uma, aqui:

Crónicas de Segunda (01): Alberto João, o grande humanista!

sexta-feira, outubro 01, 2010

Crónicas da Cidade Cinzenta

Dia Mundial da Música


É impossível pensar a música sem te pensar a ti, tu que eras todo música por dentro quando eu te conheci, um lume de música a arder-te nos braços, mesmo quando eras só silêncio. Às vezes dava contigo
(eu costumava entrar devagar pela tua retaguarda)
de braços erguidos, as mãos acima do nível dos ombros a conduzir uma orquestra imaginária, o horizonte
(o meu, que era o de quem entrava devagar pela tua retaguarda)
começava acima da linha larga desenhada pelos teus ombros e eu , a esse tempo, gostava que o meu horizonte começasse sobre a linha larga dos teus ombros. Era num ombro que te tocava, para acordar-te dessa viagem imaginária pela música da orquestra dentro de ti. Acordavas como resposta ao meu toque mas nos teus olhos a música continuava sempre, incessante e infinita, tudo dentro dos teus olhos.

É impossível pensar a música sem te pensar a ti, tu todo silêncios e pausas, quando eu te conheci, pausa, silêncio, paus
a, silêncio, pausa, mesmo quando falavas, mesmo quando te sentavas ao piano e interpretavas uma peça qualquer cujo nome e autor eu nunca sabia identificar
(nunca fui muito boa a identificar peças, bastava-me identificar-te a ti ao piano, podias ser um entre mil, sempre te identificaria, as costas direitas, o corpo retesado, o peito aberto e aquele balançar pendular em ângulo de 20º)
mesmo aí eras silêncios e pausas mais do que qualquer outro som percutido no piano.

É impossível pensar a música sem te pensar a ti, impossível! Ao pensar a música penso o mesmo que pensar-te, o piano no canto da sala, um ou dois violinos, uma viola, um violoncelo, nos dias bons um contra-baixo, um clarinete, um saxofone-alto, uma tuba
(lembras-te da tuba que inventaste naquela canção? Já não importa, ainda que não te lembres, a tuba apodreceu-te na ideia, ninguém a pôs em prática, mas eu registei, ficou em mim a tuba a tocar-me por dentro, aquele som gutural e fundo),
um xilofone, um espanta-espíritos a sacudir-se no vento como quando tu vinhas também a sacudir o vento dos meus dias.

É impossível pensar a música sem te pensar a ti, impossível! Por isso não me peçam para pensar a música.

terça-feira, setembro 28, 2010

Pedras

Do tempo sobram
as pedras,
sub-reptícias,
encontram leitos de água

doce
onde se vão deitar.

Do tempo sobram
pedras,
pedras de cinza
ou de cimento mas
pedras,
defuntas de vida,
lápides eternas.

Pedras.