quinta-feira, julho 09, 2009

Luz & Sombra

Disseram-me que se adormecesse na tua luz ficaria para sempre na tua sombra mas só com o tempo me fui habituando a viver na escuridão.

terça-feira, julho 07, 2009

"No teu deserto"

Também a mim me dói a boca de silêncio,
a língua um pedaço de carne a arder
anunciando as estrelas no céu da boca.
Também a mim me dói a ausência dos teus olhos,
a fímbria matizada do poema
roçando-me na pele um fogo a arder-te.

quinta-feira, julho 02, 2009

Corpo

Socorrer-me do teu corpo
como se o mundo acabasse
na curva que o vento faz
junto ao teu peito
e ardesses em mim
como o silêncio nas árvores.


Foto by Johannes
Museu Berardo - Escultura de Ron Hueck

quarta-feira, julho 01, 2009

Sir Elton

Pois... de facto não foi um concerto no Pavilhão Atlântico do Tony Carreira, não foi. Talvez por isso a TV perdeu com ele pouco tempo.
Temos pena... mas não foi MESMO um concerto do Tony.
Long live Elton John!






Music Magic tinha ele escrito nas costas da jaqueta. Concordo. E só por causa disso este post é todo escrito em cor a dizer com a camisa dele, do Nigel Olsen e da bateria!

terça-feira, junho 30, 2009

CLP - novo blog!



Está aqui o novo blog do Clube Literário do Porto:

http://clubeliterariodoporto.wordpress.com/

domingo, junho 28, 2009

R.I.P. Jacko

Depois tanto alarido, a minha singelíssima homenagem a Michael Jackson que é lembrar uma velha música para a qual eu tenho mood e citar um artigo bem feito do ipsilon do Público para ler aqui .

Eu tinha 10 anos e a escolha seria "Beat It".


Que descanse em paz.



"One day in your life

you'll remember a place

Someone's touching your face

You'll come back and

you'll look around you

One day in your life

You'll remember the love

you found here

You'll remember me somehow

Though you don't need me now

I will stay in your heart

And when things fall apart

You'll remember one day..."

quarta-feira, junho 24, 2009

Crónica de S. João



"Deus e o meu Pai morreram no mesmo dia"

João Luís Barreto Guimarães

in

"A parte pelo todo"

sábado, junho 20, 2009

Pensam-me, logo existo!

[…]

A uma hora dessas

por onde andará seu pensamento


Dará voltas na Terra


ou no estacionamento?





Onde longe Londres Lisboa


ou na minha cama?

[…] *



Este pensamento persegue-me.
Os mortos só morrem verdadeiramente quando deixam de ser lembrados, pensados. Com os vivos passa-se o mesmo, enquanto pessoas não existimos se aqueles que nos conhecem não nos lembram.
Às vezes, como agora, dou por mim a pensar em quem pensará em mim e do que se lembrará de mim, tanto agora como quando eu partir. Dou por mim a pensar que marca deixo nos outros (se a deixo). Que lembraça será, a dos olhares partilhados, das pequenas piadas, frases ditas, pensamentos profundos ou apenas parvos, “estórias” de batalhas travadas ou de pura diversão. Inquieta-me este pensamento. Da mesma forma que a distância dos que fazem parte de mim sempre me inquietou, a distância real, física, dos que partem para outro lugar e aquela ainda mais difícil de quebrar, aquela que vamos deixando interpor-se, dos muros de distância que vamos construído.

[…]

A uma hora dessas

por onde passará seu pensamento
Por dentro da minha saia
ou pelo firmamento?

[…] *


Se eu morresse hoje, que poemas fariam a minha mortalha? Haveria poemas? Que poemas me dedicariam?
Natália Correia escreveu " Os que nunca inspiraram um poema/são as únicas pessoas sós."
Que poema inspiraria eu aos meus amigos?


* Adriana Calcanhoto

domingo, junho 14, 2009

Às vezes...


Às vezes procurava na terra as palavras,
escavava-a
tentanto achá-las.
Às vezes encontrava
não palavras mas os teus olhos
e com eles
pedaços do teu silêncio.

sábado, junho 13, 2009

Eugénio

Faz hoje 4 anos que morreu José Fontinhas - Eugénio de Andrade.


Vá, sejam participativos e encham-me a caixa de comentários com poemas de (ou para) Eugénio!
Comemoremos a morte do Poeta como deve ser comemorada, com Poesia.


Adenda ao post:
Comemorar (diccionário Porto Editora):
v. tr.
1. Lembrar.
2. Trazer à memória.
3. Solenizar, recordando.

quinta-feira, junho 11, 2009

Pub - O Apetitoso...


Passei hoje no Stand C - I - 02, do Clube Literário do Porto, na Feira do Livro do Porto, ali bem juntinho ao "supermercado" da Leya e ao D. Pedro. Passei lá e estavam lá estes malandros assim empoleirados, apetitosos, quase me apeteceu comprar um! O "Circulação Transversa" também lá estava mas como estava mais discretinho não me saltou à vista como este, assim... apetitoso!

quarta-feira, junho 10, 2009

Um eléctrico chamado Poesia


Homenagem a Daniel Faria, pelos 10 anos da sua morte, no dia 9 de Junho, onde numa noite de chuva um eléctrico se encheu de Poesia.






Viagem mágica





com o colectivo Quartas Mal-ditas e convidados.

Ver melhor aqui, aqui e aqui

domingo, junho 07, 2009

quinta-feira, junho 04, 2009

Há dias assim...

Silêncio,
que não sei como se
ama sem este escopro
de música,
sem esta angústia de tempo,
sem o teu corpo,
lento,
lento,
afogueando-me a
batida no peito,
as mãos tremendo-me
não sei se de desejo
ou medo,
que o tempo, vagabundo
e cruel,
te leve de mim
antes do tempo


(o tempo de amar-te como
a um silêncio)

domingo, maio 31, 2009

Poetas de Café







Foi bonito ver o "meu" Majestic assim... cheio de poemas!



"Um pingo de café desliza pela base da chávena e cai sobre o papel onde escrevo.

Acidente de trabalho."

João Luís Barreto Guimarães

in "Lugares Comuns"




segunda-feira, maio 25, 2009

Momento de Pub (ou as boas notícias)

As boas notícias são que estes irão estar na Feira do Livro do Porto, em exposição e à venda no Pavilhão do Clube Literário do Porto.
Eu também lá irei estar, para assinar sobre estes meus “filhotes”, a quem os quiser levar para casa, em dia e hora a anunciar.
A Feira do Livro do Porto que este ano se realizará na deserta Avenida dos Aliados terá o horário que abaixo transcrevo:

2ª a 5ª Feira, das 12h30 às 20h30
6ª e véspera de feriados, das 12h30 às 23h00
Sábados, das 11h00 às 23h00 - Domingo, das 11h00 às 22h00

Entretanto relembro a tertúlia “Poetas de café”, dia 29, às 21H30, no Café Majestic onde eu e outros três autores, nos entreteremos a discutir poemas entre um café e outro.

"[...] com o peso do caminho que se fez pra trás"

Este blog anda triste, anda de luto. Começou o seu luto com a morte anunciada (na passagem de ano) dos Bandemónio. Não que isso seja realmente importante apenas representa o fim de um ciclo, o fim de um passado ao qual gosto sempre de me agarrar. Tenho este problema de usar o passado como alicerce, custa-me depois desagarrar-me dele, sem ele fico como que sem chão, sem memória, e isso custa-me.
Continuou o seu luto, agora pela morte trágica de um amigo (não sei se há morte que não seja trágica mas…), uma morte real e não de um símbolo do passado, a morte real de alguém real, pele e osso que deixou de existir como tal passando a ser apenas uma memória.
Como gosto muito de música com palavras dentro tenho alguns músicos como espécie de filósofos pessoais, entre eles Sting que, não obstante esse facto, também diz coisas com as quais não concordo; uma dessas coisas é uma música com a qual nunca concordei, chamada “History will teach us nothing”, mas hoje, a ver se acredito nisto, citá-la-ei:


“sooner or later we learn to throw the past away”

As boas notícias deixá-las-ei para o post seguinte.

domingo, maio 24, 2009

Poetas de Café

I will be there...

(be afraid, be very much afraid!)

Marquem lá na agendinha sff.

sexta-feira, maio 15, 2009

Rigor Mortis

(Ao Carlos)


Para que mordêssemos, depois,
a saudade com dentes de ferro
e penteássemos a tua memória
com pentes de prata,
remoendo interiormente
este silêncio tão vazio
do poema onde nos deixaste.

Rigor mortis,
o teu corpo, pedaço lívido
da carne que antes foste,
procurando o céu na imensidão
que lentamente te foi
da sua longa mão desamparando .

Rigor mortis,
a letra
rigorosamente desenhada
pelos teus dedos,
ternamente longa,
elegante,
imaculadamente viva,
as letras todas soletrando
a dança das palavras onde
recriavas o mundo
dessa forma invulgar,
abraçando o pormenor furtivo
da luminosa língua
agora morta.

Chegaremos tarde,
apavorados de morte,
chegaremos tarde ao teu sepulcro
e tarde demais te amaremos.

quarta-feira, maio 13, 2009

Uma canção para ti

O tempo tocando o mundo
como um realejo de infância,
abrindo o sulco profundo
que nos causa ânsia.

Os olhos buscando olhos
permanecendo sem fim,
pedaços de tempo sumido
que eu pensava guardar em mim.

Há tempo no tempo que somos,
o tempo que o tempo nos der,
há tempo que é tempo sempre
enquanto o tempo quiser.

Um abraço perdido no tempo,
um sorriso de amanhecer,
pedaços furtivos de vida
mesmo sem se perceber.

Uma casa no fundo da estrada,
um lugar para viver,
a janela aberta para a rua
até a rua se desvanecer.

Há tempo no tempo que somos,
o tempo que o tempo nos der,
há tempo que é tempo sempre
enquanto o tempo quiser.

quinta-feira, maio 07, 2009

Obituário

Este blog encontra-se de luto pelo falecimento, ontem, dos Bandemónio.

(circa 1993 - 2009)

Resquiescat in pace

terça-feira, maio 05, 2009

Música às palavras...

As primeiras fotos aqui!

A música (os poemas e a conversa também...) não foram fotografados, mas foi tão bom! :-)

domingo, maio 03, 2009

É hoje!

É hoje, apareçam às 17H00 no Clube Literário do Porto (ver post anterior) que decerto não se arrependem!
Até logo.

quinta-feira, abril 30, 2009

Música às Palavras, Palavras à Música!


Neste Domingo, dia 3, vou estar à conversa, no Clube Literário do Porto, pelas 17H00, com o compositor Rui Soares da Costa, falando sobre que música têm as palavras. Rui Soares da Costa tem-se notabilizado compondo sobre poemas de vários autores clássicos, nomeadamente Garrett, Florbela Espanca, Camões e Pessoa. Mais recentemente musicou a bela Aurora Boreal de António Gedeão e três poemas meus.
O pianista José Maria Parra e a soprano Cecília Fontes irão interpretar essas mesmas obras, após uma performance poética multimédia.
Em suma, será uma festa com muita poesia, música e paleio.
Venha fazer parte da festa e ajudar a descobrir que música há nas palavras e que palavras para a música! Venha conversar connosco.

sábado, abril 25, 2009

"Loving you's a dirty job..."

Hoje vou guardar a tua voz
dentro do silêncio.
A Natureza e o caos
resumidos aos teus olhos
como a violência da chuva
adormecendo os vidros da janela,
ainda entreaberta,
ao rumorejar do mundo
lá fora.

terça-feira, abril 21, 2009

A um tempo de silêncio interior

Num assomo de espantos
percorri , por dentro, o teu corpo,
imagem trans-iluminada,
luz transparente e cálida a
escrutinar-te o ventre.

(rumores que serias tu por dentro,
mais por dentro do que os outros viam)

Nele tracei bissectrizes
e meridianos de
hipotransparências sonolucentes,
viagem contínua ao teu espaço interior.

Imagem crível das sombrias virtudes
cobertas, pudendas,
de pele e silêncio.

quinta-feira, abril 16, 2009

Se perguntarem por mim

Se perguntarem por mim
diz que não estou,
diz que parti com a brisa
numa estrada curva
para um lugar incerto
junto ao precipício.

Se perguntarem por mim
diz que eu parti,
que sulquei estradas,
vales e montanhas
até me perder
num lugar de espanto.

Se perguntarem por mim
diz que eu me fui
que rumei serena pela madrugada
procurando rios, navegando mares,
abraçada ao fogo,
junto à tempestade.

Se perguntarem por mim
diz que não me viste
desde a eternidade
em que na manhã
se incendiou a tarde.

Se perguntarem por mim
diz que eu fugi,
que errei sozinha,
frente à tempestade
sem achar caminho
de volta à cidade.

Se perguntarem por mim
diz que eu morri,
diz que me fiz pó
e cinza no mar
e que o meu sangue é chuva
que não há-de tardar.

terça-feira, abril 14, 2009

Rumo ao incêndio, rumo ao incêndio...

Bem-haja a quem me leva por aí.

segunda-feira, abril 13, 2009

"Voices inside my head"

There's something missing inside my head...


sábado, abril 11, 2009

All about birds

Tomei-me hoje de amores, ao fim da tarde, por um passarito, um pardalito, redondinho e doce pousado num ramo do meu limoeiro. Fiquei-me a mirá-lo, quase sem me mexer. Apeteceu-me apertar aquele tufinho de penas, sentir o seu coraçãozito passarando-me entre as mãos, por momentos senti a angústia de quem quer abraçar sem conseguir, mas não me movi. Sabia, como sei, que se me mexesse, me aproximasse, se estendesse a mão, de imediato a pequena ave se afastaria levantando voo. Fiquei por isso, olhos fitos, a vê-lo pipilar e a imaginar nas mãos a maciez das penas.



Assim são os pássaros, não há como amá-lo senão na distância silenciosa de uma nuvem.

terça-feira, abril 07, 2009

Pautas...

Gosto de olhar para pautas de música. Sinto um irreprimível fascínio por elas. Não as entendo, são uma língua estrangeira da qual tenho conhecimentos mínimos, muito mínimos, trazidos da escola preparatória. Sobretudo não as sei ler. Olhá-las é como ver letras de abecedário cirílico, não as sei juntar.
Há algum tempo atrás, como quem acompanha este blog sabe, o compositor Rui Soares da Costa fez três músicas a “ilustrar” poemas meus, nessa altura enviou-me as pautas, um lindo livrinho que imprimi e encadernei cheia de ternura, como se fosse coisa minha. Olhava-as e nada percebia mas ainda assim agradava-me o seu desenho, é uma coisa sensual aquelas bolinhas brancas e pretas em cinco linhas, ora a subir, ora a descer com frases catitas em italiano piano-forte-alegro-ma-non-troppo, etc.
Assim foi durante pelo menos um mês. Não tinha a quem as mostrar que me dissesse se eram boas ou más, que mas tocasse ao piano ou sequer mas cantarolasse e isso angustiava-me mas ainda assim guardei-as como coisa minha. Algum tempo mais tarde o mesmo compositor cedeu-me uma maqueta fanhosa, gravada de computador, com um piano sintetizado e um instrumento semelhando uma flauta a fazer as vezes da voz e eu logo me muni das pautas para acompanhar as músicas e as perceber. Por terem o texto foi-me relativamente fácil segui-las [e ao ouvi-las, há bem pouco tempo por sinal, ao vivo e a cores com um piano a sério e uma cantora de pele e osso (será voz e osso? pele e voz?) percebi que andei bem perto de as perceber e isso agradou-me] foi como se tivesse conseguido ler essa língua estrangeira. Andei algum tempo com essas pautas atrás de mim, levava-as para onde fosse e sorrateiramente espreitava-as, como se um novo poema tivesse nascido dos meus poemas, um poema que eu não sabia ler, ansiava encontrar alguém que entendesse aquela linguagem e a desvendasse, espécie de feiticeiro que possuísse a chave daquele mistério do qual eu agora inadvertidamente era parte também.

sábado, abril 04, 2009

Há demasiadas esquinas na memória desta cidade

"Oh no, it's raining again
Too bad I'm losing a friend.
Oh no, it's raining again
Oh, will my heart never mend?

You're old enough some people say
To read the signs and walk away.
It's only time that heals the pain
And makes the sun come out again."

by
Supertramp


Quando voltares,
de novo,
aos escombros do silêncio,
lembra-te:
- Eu estarei lá,
mas talvez tu
já não me encontres,
talvez já não me reconheças
nem me aches
na sombra do silêncio que antes fomos.

Quando, de novo,
o vento te assolar
e te secar a pele
e de novo te deitares
na palha dura
e o céu se fizer tecto
dos teus medos

De novo me hás-de procurar
- E eu estarei lá,
mas talvez já não me reconheças
na treva que o tempo fez nascer entre nós


quinta-feira, abril 02, 2009

Music was my first love (II)

Desde o momento em que tornei públicas (algumas d)as coisas que escrevo, com a edição de livros, passei ocasionalmente – sobretudo no seguimento de uma edição recente – a ser abordada pela pergunta “então e para quando um novo livro?” – o que, na verdade, quase sempre me parece pergunta de quem não lendo o anterior se compraz em ter assunto de conversa mostrando muito interesse em “ciência” que desconhecem. Claro que, talvez, esta minha sensação seja enganosa, muitas vezes será demonstração de real interesse por parte de quem me interroga e eventualmente até vontade de me ler mais.
Outra pergunta frequente é “tens escrito?” – como se os poemas nascessem nas árvores ou assim, penso – respondo quase sempre “…pouco…” e é verdade, escrevo sempre tão pouco, tão muito menos do que gostaria e quase sempre tão mal, tão muito pior do que ambiciono…
E, na verdade, os poemas nascem nas árvores e andam por aí aos pontapés, eles estão lá, nos sítios já quase prontos a colher eu é que tardo a encontrá-los, como sempre na vida tardo, tardo, tardo…


…e “é já tão tarde esta noite”…


Pesam-me os olhos,
as mãos,
o corpo todo,
pesas-me tu e a dor
do amanhecer sem ti,
o cheiro que é ainda o teu
ao acordar,
os teus braços que não sinto
ao redor de mim mas
que me fazem falta
para chorar.
É já tão tarde esta noite
e a paz que pedi
tarda tanto em chegar.
Lá fora a lua desce
entre as árvores,
redonda e gorda
a iluminar as almas.
Fecho então os olhos
na impertinência de não ver
mais do que a luz
que não sei achar em mim.
Fere-me a vista este luar e


...É já tão tarde esta noite

sábado, março 28, 2009

"Love breaks the wings of a butterfly on a wheel"

A pequena borboleta pousou sobre o meu olho esquerdo, beijou-o com avidez, lábios húmidos e quentes.

Sub-repticiamente as nossas mãos entrelaçaram-se e assim permaneceram alguns segundos, tocando a pele da face, discutindo a maciez das texturas.

Saudades da pequena borboleta, húmida e breve toda envolta no teu perfume.

quarta-feira, março 25, 2009

Haikus

A Inês Ramos do Porosidade Etérea lançou um desafio: escrever haikus. Estes caracterizam-se por serem poemas de 3 estrofes: 5-7-5 sílabas. Hoje foram publicados e interpretados pelo "diseur" Luís Gaspar. Nem todos obedeceram à regra silábica mas ainda assim tem lá textos bem interessantes.

Estão aqui , o meu é o sexto. Gostei de o ouvir dito! Obrigada ao Luís Gaspar o dizer bem!

Sente o corpo aberto
já nele ninguém reside,
só um coração bate.

sábado, março 21, 2009

"Que a música esteja sempre connosco"

Muito bom! Gostei muito!



Uma bela emoção!





Urgeeeeeeennnnteeeeeee!!!!

Urgente

Urgente?
Urgente
é o pão na boca do pobre,
urgente
é o céu
que a todos nos cobre,
urgente
é a mão que afaga
e me acode,
urgente
é o não que
na língua me morde.

Urgente?
Nada é urgente
senão a sorte.
Urgente
é o passo
com que fujo da morte,
urgente
é a ausência
de mim e o desnorte,
urgente
é a demência
que em mim se faz forte.

Parabéns ao compositor e aos interpretes e,

pela minha parte, muito obrigada!

sexta-feira, março 20, 2009

Hoje na O.M. - Entrada livre

Dia 20 de Março decorrerá no Salão Nobre do Centro de Cultura e Congressos da ordem dos Médicos – Secção Regional do Norte, (Rua Delfim Maia, nº 405 Porto) ao jardim de Arca d’água, pelas 21H30, concerto para voz e piano cujo programa e notas seguem abaixo. A entrada é livre e limitada aos lugares existentes.

CECÍLIA FONTES – Soprano
JOSÉ PARRA – Piano

PROGRAMA

PARTE I

Urbanidades:* Rui Soares da Costa (1958 - )
(Alexandra Malheiro)
· Balada
· Pressenti-te
· Urgente

Folhas caídas: Rui Soares da Costa
(Almeida Garrett)
· Os cinco sentidos*
· Barca bela
· Voz e aroma

Dois Sonetos: Rui Soares da Costa
(Florbela Espanca)
· Desejos vãos
· Vaidade

Seis Canciones:** Angel Oliver (1937-2005)
· Donde está mi amor?
(M Vegas Asin)
· Pajarita de las nieves
(J. Lacomba)
· Llega al llano
(J. Lacomba)
· Amiga amapola
(J. Lacomba)
· “Remansillo”
(Federico Garcia Lorca)
· Canción de juventud
(F Villaespesa)

PARTE II

Cuatro Canciones:** Angel Oliver
(M. de Unamuno)
· Alégrate corazón
· Flor cerrada
· En la ribera del lago
· Ay, esa flor


Aurora boreal* Rui Soares da Costa
(António Gedeão)



Canciones para niños: Xavier Montsalvadge (1912-2002)
(Federico Garcia Lorca)
· Paisaje
· El lagarto está llorando
· Caracola
· Cancion tonta
· Cancion China en Europa
· Cancioncilla Sevillana


*1ª audição mundial
**1ª audição em Portugal



Notas ao Programa:

Xavier Montsalvatge (1912-2002)

É um dos compositores mais representativos da chamada “geração perdida”, aquela apanhada entre o grupo de compositores activos antes do fascismo espanhol e os criadores mais actuais. A sua música tem uma notória projecção internacional, sendo considerado uma referência na cena musical contemporânea. O seu ciclo Cinco Canciones Negras (1945) terá sido um dos principais responsáveis pelo crescimento da sua notoriedade além fronteiras. Este ciclo marcou o início de um período pós-nacionalista, que mais tarde evoluiu para uma “fase antilhana”, na qual são notáveis os elementos estilísticos afro-americanos autóctones das ilhas das Antilhas e das Caraíbas. Durante o seu longo percurso foi ecléctico na sua escolha de materiais e de inspirações, tendo partido da herança wagneriana, para posteriormente abraçar o serialismo, o impressionismo, o politonalismo e a estética irreverente dos Les Six.


O ciclo de Canciones para Niños (1953) que hoje ouviremos, sobre poemas de Federico García Lorca, está tingido de um espírito brincalhão, próprio de Satie ou de Poulenc, impregnado de referências surrealistas, e adornado com um certo “exotismo” musical.

Ángel Oliver Pina (1937 – 2005)

Pedagogo, organista, pianista, director de coros e conferencista, são algumas das múltiplas facetas deste compositor espanhol.
Ilustre aluno de Cristobal Halffter e de Petrassi, em composição, e de Jesús Guridi no orgão, este compositor aragonês desenvolveu igualmente uma notável actividade como editor de materiais para o ensino.
Das suas obras, ele próprio dizia que eram "o resultado da necessidade premente de expressão que todo o criador possui, um reflexo da sua vida, dos sofrimentos, das inquietações e das alegrias que ela traz”.
Os dois ciclos de canções que constam do programa recolhem a herança do nacionalismo, com uma escolha de poemas que encontram o seu fio condutor na descrição da vida simples do campo. A música, na sua aparente simplicidade, é o resultado de um trabalho minucioso; uma escrita orgânica e idiomática para a voz e para o piano, um uso rico e depurado da harmonia.

Rui Soares da Costa (1958 - )

Desde cedo se interessou pela Composição, tendo estudado no Conservatório de Música do Porto com Maria Teresa Macedo e Cândido Lima.


Os “Sonetos de Florbela Espanca” (1994) e o ciclo “Folhas Caídas” (2000) com textos de Almeida Garrett, são o resultado da evolução da linguagem utilizada nos “Sonetos” de Luís de Camões (1980), de inspiração impressionista, mas procurando uma expressão própria e uma preocupação crescente na interligação texto-música. A escolha dos textos, feita nos clássicos da literatura portuguesa, espelha bem o desejo de divulgar a nossa poesia e cultura, propósito que sempre estabeleceu desde que decidiu usar os belíssimos versos que os poetas portugueses glosaram nos últimos séculos. Nas suas obras para Canto e Piano pode assim usar a Voz como instrumento e a mensagem que ela veicula unidas na linguagem universal que é a Música.


O ciclo “Mar Portuguez” com textos de Fernando Pessoa (2002) e “Aurora Boreal” de António Gedeão (2008) foram as últimas criações utilizando os “clássicos”. Nesta última, que ouviremos em primeira audição, o autor recria as quarenta janelas da poesia em múltiplos ambientes sonoros, usando vários recursos estilísticos no Piano e na Voz, mas conseguindo um todo coerente num desafio exigente para a soprano.


“Urbanidades”(2008) são a primeira experiência com textos que, embora não sendo da autoria de um clássico, despertaram o desejo de os ilustrar em música, dada a qualidade e modernidade dos versos da poetisa Alexandra Malheiro. Este ciclo é também apresentado em primeira audição. A primeira das três canções que compõem o ciclo, pretende lembrar o ambiente das baladas francesas de um Trenet e outros no período entre guerras, que tantos corações fizeram bater mais depressa nesses anos únicos do século XX. A segunda é uma “plaisenterie” aos telemóveis, onde poderemos reconhecer facilmente a “Nokia tune” que todos os dias nos entra pelos ouvidos nos lugares mais inimagináveis, mas aqui tratada de uma forma jazzística e intimamente ligada à poesia. Na terceira canção a urgência é o mote e, desde o início, com a ambulância a gritar até à premência que é exigida à cantora, sente-se uma instabilidade quase hemodinâmica que nos deixa sem fôlego.

sexta-feira, março 13, 2009

"Vision over visibility"

New York, New York!


Não conheço Nova Iorque, nunca lá estive, nunca sequer passei lá perto. Não sei da cor das casas, do imenso tamanho das avenidas, das pessoas incríveis e estranhas que passam ausentes pela cidade. Nunca vi as torres gémeas nem o ground zero depois delas, nunca me vi naquele cinzento com o sol a tentar romper abafado entre os prédios altos demais.

Ontem falaste-me de Nova Iorque “ah… Nova Iorque, Nova Iorque!” – dizias. Quero lá saber de Nova Iorque! Quero é saber da cor dos teus olhos e se lá dentro dormem princesas ou assassinos, se os deixas levar por correntes e aluviões ou se os prendem misérias ao cais como mãos que se estendem de espanto e desolação. Não me interessa Nova Iorque o os seus Sinatras a espalhar a notícia, não quero saber.

Apaga-lhe, esta noite, os neons e acende antes os teus olhos entre nós dois, como um feixe de luz que há-de arder depois no meu peito, só essa luz pequena, desusada, dos teus olhos, a deixar que as estrelas surjam pisca-pisca no firmamento, em vez do exagero luminoso da cidade.

Quero lá saber de Nova Iorque.

Amanhã parto para lá!
Texto inédito cuja revelação
foi prometida em jantar by the river
(lembras-te ou é como a cena das garças? :P)

terça-feira, março 10, 2009

A poesia tem género - O rescaldo (Parte II)

Ora então as primeiras imagens para ilustrar a coisa.









A mesa "dos noivos" - da esquerda para a direita: Minês Castanheira, César Príncipe, Ana Luísa Amaral e myself.





A salinha cheia a saír pela porta...

segunda-feira, março 09, 2009

A poesia tem género? - O rescaldo (Parte I)

Tal como expresso no post anterior estive ontem no Clube Literário do Porto, a convite da minha amiga Clara Henriques, numa animada tertúlia, a propósito do dia Internacional da Mulher, onde se discutiu a Poesia no Feminino e se esta tem ou não género.

Nesta viagem participaram a Minês Castanheira e a Ana Luísa Amaral e o moderador (macho, pois claro, para equilibrar a balança) César Príncipe. Se me arranjarem fotos do dito evento conto colocar aqui uma ou duas para ilustrar a coisa.

Gostei muito: pelo tema, pela participação e preserverança do público que encheu a sala e não arredou pé apesar do grande atraso (que foi necessário por uma das intervenientes ter ficado literalmente presa no trânsito durante tempo infindo), pelo entardecer sobre o Douro a ouvir poesia.

Ontem fez-se poesia no Clube e isso foi muito bonito!

Os agradecimentos vão todos para a Clara pelo trabalho gracioso de quem ama a poesia, pela paciencia e pela amizade e a todos os que se deslocaram lá e ali ficaram até ao fim firmes e hirtos fazendo parte do poema, poemando em conjunto. Entre eles alguns amigos e outros que gostei de conhecer. Bem hajam!


Se calhar por isso apetece-me um poema da Ana Luísa Amaral (que eu não conhecia pessoalmente e é uma simpatia):


Tento empurrar-te de cima do poema

para não o estragar na emoção de ti:

olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,

a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.


Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:

tudo coisas de ti, mas coisas de partir...

E o meu alarme nasce: e se morreste aí,

no meio de chão sem texto que é ausente de ti?


E se já não respiras? Se eu não te vejo mais

por te querer empurrar, lírica de emoção?

E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?

E se tu não estiveres onde o poema está?


Faço eroticamente respiração contigo:

primeiro um advérbio, depois um adjectivo,

depois um verso todo em emoção e juras.

E termino contigo em cima do poema,

presente indicativo, artigos às escuras.

sábado, março 07, 2009

Poesia no Feminino no Clube Literário do Porto


O Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22) vai comemorar o dia Internacional da Mulher com uma tertúlia intitulada Poesia no Feminino – a Poesia tem género?. O evento contará com a presença das autoras Alexandra Malheiro, Ana Luísa Amaral e Minês Castanheira, estando a moderação a cargo do jornalista e escritor César Príncipe.
Promete-se muita poesia, conversa, partilha de sensibilidades poéticas entre mulheres e homens, esperando-se forte participação do público e algumas surpresas.
Dia 8 de Março, pelas 17h00, no auditório do CLP. Apareça!

Organização: Clara Henriques

sexta-feira, março 06, 2009

Última vez!

"Once theres was a time... to get back home..."

Ainda antes da Primavera
já a magnólia perdeu a flor.
Antes, porém,
ela se abrirá, pétala a pétala
e o seu perfume inundará o jardim.

Despetalada pelos primeiros ventos
só esse olor permanecerá na lembrança.

quarta-feira, março 04, 2009

Outra vez...

Está uma Magnólia a viver na praça...

domingo, março 01, 2009

Magnólia

Não gosto de repetir poemas nem textos no blog, mas vou abrir uma excepção: não porque o poema seja excepcionalmente bom, pelo contrário, é banal, mas sim porque o postei pela primeira vez faz muito tempo (já ninguém se há-de lembrar dele) e porque as Magnólias já estão em flor (e eu gosto de comemorar estranhas efemérides...)


Fala-me da mulher
que jaz nua
sob a magnólia branca.

Fala-me dos seus olhos
cor de vento
que esperam os teus
pelos declives do Inverno.

Fala-me da mulher
cujo corpo repousa
entre os teus dedos

diz-me da nudez dos
seus seios, da palidez
da sua pele, diz-me do cheiro
à magnólia que, como a ela,
vais despetalando
pela noite dentro enquanto
a lua se abre plena
para enlaçar solícita
os amantes desnudados.

domingo, fevereiro 08, 2009

Precisava de acreditar

"Boletim meteorológico


anunciou calor


não vou duvidar.


Faz sentido no meu


sistema solar"




Jorge Palma

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Shadows in the rain





Vou avançar na tua direcção,
não te movas,
estou certa que não te alcanço.







foto by R. Coelho

terça-feira, fevereiro 03, 2009

O Passado é um tempo sem Futuro

Às vezes sentia-te a falta,
numa página
ou num poema,
ficavas como um silêncio
ou um espaço em branco,
uma sílaba faltosa,
a palavra inacabada.


Às vezes eu erguia o aparo,
a caneta,
apontava-te o bico e tu…
nada,
nem uma letra
para acalmar-me a angústia
da tua ausência.

Às vezes pensava bater-te
à máquina,
ligar o computador
e substitui-te em gerúndio
a palavra do amor…

fazendo…