Às vezes procurava na terra as palavras,
escavava-a
tentanto achá-las.
Às vezes encontrava

não palavras mas os teus olhos
e com eles
pedaços do teu silêncio.
"Abriu uma mão, depois outra, estavam ainda vazias, a pescaria rendeu pouco afinal, anos a fio de mão vazias segurando o nada pelas pontas."


Este blog anda triste, anda de luto. Começou o seu luto com a morte anunciada (na passagem de ano) dos Bandemónio. Não que isso seja realmente importante apenas representa o fim de um ciclo, o fim de um passado ao qual gosto sempre de me agarrar. Tenho este problema de usar o passado como alicerce, custa-me depois desagarrar-me dele, sem ele fico como que sem chão, sem memória, e isso custa-me.
Continuou o seu luto, agora pela morte trágica de um amigo (não sei se há morte que não seja trágica mas…), uma morte real e não de um símbolo do passado, a morte real de alguém real, pele e osso que deixou de existir como tal passando a ser apenas uma memória.
Como gosto muito de música com palavras dentro tenho alguns músicos como espécie de filósofos pessoais, entre eles Sting que, não obstante esse facto, também diz coisas com as quais não concordo; uma dessas coisas é uma música com a qual nunca concordei, chamada “History will teach us nothing”, mas hoje, a ver se acredito nisto, citá-la-ei:
(Ao Carlos)
O tempo tocando o mundoHá tempo no tempo que somos,
o tempo que o tempo nos der,
há tempo que é tempo sempre
enquanto o tempo quiser.
(circa 1993 - 2009)
Resquiescat in pace

Nele tracei bissectrizes
Se perguntarem por mim
oisa minha. Olhava-as e nada percebia mas ainda assim agradava-me o seu desenho, é uma coisa sensual aquelas bolinhas brancas e pretas em cinco linhas, ora a subir, ora a descer com frases catitas em italiano piano-forte-alegro-ma-non-troppo, etc.
"Oh no, it's raining again
A pequena borboleta pousou sobre o meu olho esquerdo, beijou-o com avidez, lábios húmidos e quentes.Urgente
Urgente?
Urgente
é o pão na boca do pobre,
urgente
é o céu
que a todos nos cobre,
urgente
é a mão que afaga
e me acode,
urgente
é o não que
na língua me morde.
Urgente?
Nada é urgente
senão a sorte.
Urgente
é o passo
com que fujo da morte,
urgente
é a ausência
de mim e o desnorte,
urgente
é a demência
que em mim se faz forte.
Parabéns ao compositor e aos interpretes e,
pela minha parte, muito obrigada!




ficavas como um silêncio
Sei tão pouco
Tenho preferido preencher o blog com textos ou poemas inéditos, mas hoje, face ao tempo tão inóspito, não pude deixar de me lembrar de quando escrevi um certo poema que aqui deixo hoje, por não poder ser de outra maneira...
Os dias do AmorA primeira apresentação da Antologia de Poesia “Os dias do Amor – Um poema para cada dia do ano” vai ter lugar já no próximo dia 29 de Janeiro, na Fnac do Colombo, pelas 18h30m.
Nesta sessão de apresentação haverá leitura de poemas da antologia por Maria do Céu Guerra, Álvaro Faria, Cristina Paiva, João Brás e Tiago Bensetil.Estão agendadas outras apresentações nos seguintes dias e locais:
Gaia: El Corte Inglés, 5 de Fevereiro, 19h30m
Viseu: Fnac Palácio do Gelo, 6 de Fevereiro, 21 horas
Faro: Livraria Pátio de Letras, 14 de Fevereiro, 17 horas
Évora: Bibliocafé Intensidez, 14 de Fevereiro, 21h30m
"Bairro alto aos seus amores tão devotado"
E a páginas tantas o bar já quente, o chocolate, a mesa ao fundo – lembras-te? O reservado e os nossos olhos cruzando-se. O telemóvel – Hallelujah! Hallelujah!
Um táxi atravessando os vermelhos – “é naquele quarto que falo contigo” – uma luz, qualquer lugar – ainda te lembras? Decerto sim!
Fim de uma noite, quarto de hotel, adormecer o cansaço na solidão da noite. Quatro da manhã, lembras-te? Nem eu!
A ti também, claro que sim, mas sem frio no coração!

Fiz várias tentativas de transformar este blog num conjunto de poemas, citações ou situações mais ou menos livres acompanhadas de uma imagem para arejar as coisas.