domingo, junho 14, 2009

Às vezes...


Às vezes procurava na terra as palavras,
escavava-a
tentanto achá-las.
Às vezes encontrava
não palavras mas os teus olhos
e com eles
pedaços do teu silêncio.

sábado, junho 13, 2009

Eugénio

Faz hoje 4 anos que morreu José Fontinhas - Eugénio de Andrade.


Vá, sejam participativos e encham-me a caixa de comentários com poemas de (ou para) Eugénio!
Comemoremos a morte do Poeta como deve ser comemorada, com Poesia.


Adenda ao post:
Comemorar (diccionário Porto Editora):
v. tr.
1. Lembrar.
2. Trazer à memória.
3. Solenizar, recordando.

quinta-feira, junho 11, 2009

Pub - O Apetitoso...


Passei hoje no Stand C - I - 02, do Clube Literário do Porto, na Feira do Livro do Porto, ali bem juntinho ao "supermercado" da Leya e ao D. Pedro. Passei lá e estavam lá estes malandros assim empoleirados, apetitosos, quase me apeteceu comprar um! O "Circulação Transversa" também lá estava mas como estava mais discretinho não me saltou à vista como este, assim... apetitoso!

quarta-feira, junho 10, 2009

Um eléctrico chamado Poesia


Homenagem a Daniel Faria, pelos 10 anos da sua morte, no dia 9 de Junho, onde numa noite de chuva um eléctrico se encheu de Poesia.






Viagem mágica





com o colectivo Quartas Mal-ditas e convidados.

Ver melhor aqui, aqui e aqui

domingo, junho 07, 2009

quinta-feira, junho 04, 2009

Há dias assim...

Silêncio,
que não sei como se
ama sem este escopro
de música,
sem esta angústia de tempo,
sem o teu corpo,
lento,
lento,
afogueando-me a
batida no peito,
as mãos tremendo-me
não sei se de desejo
ou medo,
que o tempo, vagabundo
e cruel,
te leve de mim
antes do tempo


(o tempo de amar-te como
a um silêncio)

domingo, maio 31, 2009

Poetas de Café







Foi bonito ver o "meu" Majestic assim... cheio de poemas!



"Um pingo de café desliza pela base da chávena e cai sobre o papel onde escrevo.

Acidente de trabalho."

João Luís Barreto Guimarães

in "Lugares Comuns"




segunda-feira, maio 25, 2009

Momento de Pub (ou as boas notícias)

As boas notícias são que estes irão estar na Feira do Livro do Porto, em exposição e à venda no Pavilhão do Clube Literário do Porto.
Eu também lá irei estar, para assinar sobre estes meus “filhotes”, a quem os quiser levar para casa, em dia e hora a anunciar.
A Feira do Livro do Porto que este ano se realizará na deserta Avenida dos Aliados terá o horário que abaixo transcrevo:

2ª a 5ª Feira, das 12h30 às 20h30
6ª e véspera de feriados, das 12h30 às 23h00
Sábados, das 11h00 às 23h00 - Domingo, das 11h00 às 22h00

Entretanto relembro a tertúlia “Poetas de café”, dia 29, às 21H30, no Café Majestic onde eu e outros três autores, nos entreteremos a discutir poemas entre um café e outro.

"[...] com o peso do caminho que se fez pra trás"

Este blog anda triste, anda de luto. Começou o seu luto com a morte anunciada (na passagem de ano) dos Bandemónio. Não que isso seja realmente importante apenas representa o fim de um ciclo, o fim de um passado ao qual gosto sempre de me agarrar. Tenho este problema de usar o passado como alicerce, custa-me depois desagarrar-me dele, sem ele fico como que sem chão, sem memória, e isso custa-me.
Continuou o seu luto, agora pela morte trágica de um amigo (não sei se há morte que não seja trágica mas…), uma morte real e não de um símbolo do passado, a morte real de alguém real, pele e osso que deixou de existir como tal passando a ser apenas uma memória.
Como gosto muito de música com palavras dentro tenho alguns músicos como espécie de filósofos pessoais, entre eles Sting que, não obstante esse facto, também diz coisas com as quais não concordo; uma dessas coisas é uma música com a qual nunca concordei, chamada “History will teach us nothing”, mas hoje, a ver se acredito nisto, citá-la-ei:


“sooner or later we learn to throw the past away”

As boas notícias deixá-las-ei para o post seguinte.

domingo, maio 24, 2009

Poetas de Café

I will be there...

(be afraid, be very much afraid!)

Marquem lá na agendinha sff.

sexta-feira, maio 15, 2009

Rigor Mortis

(Ao Carlos)


Para que mordêssemos, depois,
a saudade com dentes de ferro
e penteássemos a tua memória
com pentes de prata,
remoendo interiormente
este silêncio tão vazio
do poema onde nos deixaste.

Rigor mortis,
o teu corpo, pedaço lívido
da carne que antes foste,
procurando o céu na imensidão
que lentamente te foi
da sua longa mão desamparando .

Rigor mortis,
a letra
rigorosamente desenhada
pelos teus dedos,
ternamente longa,
elegante,
imaculadamente viva,
as letras todas soletrando
a dança das palavras onde
recriavas o mundo
dessa forma invulgar,
abraçando o pormenor furtivo
da luminosa língua
agora morta.

Chegaremos tarde,
apavorados de morte,
chegaremos tarde ao teu sepulcro
e tarde demais te amaremos.

quarta-feira, maio 13, 2009

Uma canção para ti

O tempo tocando o mundo
como um realejo de infância,
abrindo o sulco profundo
que nos causa ânsia.

Os olhos buscando olhos
permanecendo sem fim,
pedaços de tempo sumido
que eu pensava guardar em mim.

Há tempo no tempo que somos,
o tempo que o tempo nos der,
há tempo que é tempo sempre
enquanto o tempo quiser.

Um abraço perdido no tempo,
um sorriso de amanhecer,
pedaços furtivos de vida
mesmo sem se perceber.

Uma casa no fundo da estrada,
um lugar para viver,
a janela aberta para a rua
até a rua se desvanecer.

Há tempo no tempo que somos,
o tempo que o tempo nos der,
há tempo que é tempo sempre
enquanto o tempo quiser.

quinta-feira, maio 07, 2009

Obituário

Este blog encontra-se de luto pelo falecimento, ontem, dos Bandemónio.

(circa 1993 - 2009)

Resquiescat in pace

terça-feira, maio 05, 2009

Música às palavras...

As primeiras fotos aqui!

A música (os poemas e a conversa também...) não foram fotografados, mas foi tão bom! :-)

domingo, maio 03, 2009

É hoje!

É hoje, apareçam às 17H00 no Clube Literário do Porto (ver post anterior) que decerto não se arrependem!
Até logo.

quinta-feira, abril 30, 2009

Música às Palavras, Palavras à Música!


Neste Domingo, dia 3, vou estar à conversa, no Clube Literário do Porto, pelas 17H00, com o compositor Rui Soares da Costa, falando sobre que música têm as palavras. Rui Soares da Costa tem-se notabilizado compondo sobre poemas de vários autores clássicos, nomeadamente Garrett, Florbela Espanca, Camões e Pessoa. Mais recentemente musicou a bela Aurora Boreal de António Gedeão e três poemas meus.
O pianista José Maria Parra e a soprano Cecília Fontes irão interpretar essas mesmas obras, após uma performance poética multimédia.
Em suma, será uma festa com muita poesia, música e paleio.
Venha fazer parte da festa e ajudar a descobrir que música há nas palavras e que palavras para a música! Venha conversar connosco.

sábado, abril 25, 2009

"Loving you's a dirty job..."

Hoje vou guardar a tua voz
dentro do silêncio.
A Natureza e o caos
resumidos aos teus olhos
como a violência da chuva
adormecendo os vidros da janela,
ainda entreaberta,
ao rumorejar do mundo
lá fora.

terça-feira, abril 21, 2009

A um tempo de silêncio interior

Num assomo de espantos
percorri , por dentro, o teu corpo,
imagem trans-iluminada,
luz transparente e cálida a
escrutinar-te o ventre.

(rumores que serias tu por dentro,
mais por dentro do que os outros viam)

Nele tracei bissectrizes
e meridianos de
hipotransparências sonolucentes,
viagem contínua ao teu espaço interior.

Imagem crível das sombrias virtudes
cobertas, pudendas,
de pele e silêncio.

quinta-feira, abril 16, 2009

Se perguntarem por mim

Se perguntarem por mim
diz que não estou,
diz que parti com a brisa
numa estrada curva
para um lugar incerto
junto ao precipício.

Se perguntarem por mim
diz que eu parti,
que sulquei estradas,
vales e montanhas
até me perder
num lugar de espanto.

Se perguntarem por mim
diz que eu me fui
que rumei serena pela madrugada
procurando rios, navegando mares,
abraçada ao fogo,
junto à tempestade.

Se perguntarem por mim
diz que não me viste
desde a eternidade
em que na manhã
se incendiou a tarde.

Se perguntarem por mim
diz que eu fugi,
que errei sozinha,
frente à tempestade
sem achar caminho
de volta à cidade.

Se perguntarem por mim
diz que eu morri,
diz que me fiz pó
e cinza no mar
e que o meu sangue é chuva
que não há-de tardar.

terça-feira, abril 14, 2009

Rumo ao incêndio, rumo ao incêndio...

Bem-haja a quem me leva por aí.

segunda-feira, abril 13, 2009

"Voices inside my head"

There's something missing inside my head...


sábado, abril 11, 2009

All about birds

Tomei-me hoje de amores, ao fim da tarde, por um passarito, um pardalito, redondinho e doce pousado num ramo do meu limoeiro. Fiquei-me a mirá-lo, quase sem me mexer. Apeteceu-me apertar aquele tufinho de penas, sentir o seu coraçãozito passarando-me entre as mãos, por momentos senti a angústia de quem quer abraçar sem conseguir, mas não me movi. Sabia, como sei, que se me mexesse, me aproximasse, se estendesse a mão, de imediato a pequena ave se afastaria levantando voo. Fiquei por isso, olhos fitos, a vê-lo pipilar e a imaginar nas mãos a maciez das penas.



Assim são os pássaros, não há como amá-lo senão na distância silenciosa de uma nuvem.

terça-feira, abril 07, 2009

Pautas...

Gosto de olhar para pautas de música. Sinto um irreprimível fascínio por elas. Não as entendo, são uma língua estrangeira da qual tenho conhecimentos mínimos, muito mínimos, trazidos da escola preparatória. Sobretudo não as sei ler. Olhá-las é como ver letras de abecedário cirílico, não as sei juntar.
Há algum tempo atrás, como quem acompanha este blog sabe, o compositor Rui Soares da Costa fez três músicas a “ilustrar” poemas meus, nessa altura enviou-me as pautas, um lindo livrinho que imprimi e encadernei cheia de ternura, como se fosse coisa minha. Olhava-as e nada percebia mas ainda assim agradava-me o seu desenho, é uma coisa sensual aquelas bolinhas brancas e pretas em cinco linhas, ora a subir, ora a descer com frases catitas em italiano piano-forte-alegro-ma-non-troppo, etc.
Assim foi durante pelo menos um mês. Não tinha a quem as mostrar que me dissesse se eram boas ou más, que mas tocasse ao piano ou sequer mas cantarolasse e isso angustiava-me mas ainda assim guardei-as como coisa minha. Algum tempo mais tarde o mesmo compositor cedeu-me uma maqueta fanhosa, gravada de computador, com um piano sintetizado e um instrumento semelhando uma flauta a fazer as vezes da voz e eu logo me muni das pautas para acompanhar as músicas e as perceber. Por terem o texto foi-me relativamente fácil segui-las [e ao ouvi-las, há bem pouco tempo por sinal, ao vivo e a cores com um piano a sério e uma cantora de pele e osso (será voz e osso? pele e voz?) percebi que andei bem perto de as perceber e isso agradou-me] foi como se tivesse conseguido ler essa língua estrangeira. Andei algum tempo com essas pautas atrás de mim, levava-as para onde fosse e sorrateiramente espreitava-as, como se um novo poema tivesse nascido dos meus poemas, um poema que eu não sabia ler, ansiava encontrar alguém que entendesse aquela linguagem e a desvendasse, espécie de feiticeiro que possuísse a chave daquele mistério do qual eu agora inadvertidamente era parte também.

sábado, abril 04, 2009

Há demasiadas esquinas na memória desta cidade

"Oh no, it's raining again
Too bad I'm losing a friend.
Oh no, it's raining again
Oh, will my heart never mend?

You're old enough some people say
To read the signs and walk away.
It's only time that heals the pain
And makes the sun come out again."

by
Supertramp


Quando voltares,
de novo,
aos escombros do silêncio,
lembra-te:
- Eu estarei lá,
mas talvez tu
já não me encontres,
talvez já não me reconheças
nem me aches
na sombra do silêncio que antes fomos.

Quando, de novo,
o vento te assolar
e te secar a pele
e de novo te deitares
na palha dura
e o céu se fizer tecto
dos teus medos

De novo me hás-de procurar
- E eu estarei lá,
mas talvez já não me reconheças
na treva que o tempo fez nascer entre nós


quinta-feira, abril 02, 2009

Music was my first love (II)

Desde o momento em que tornei públicas (algumas d)as coisas que escrevo, com a edição de livros, passei ocasionalmente – sobretudo no seguimento de uma edição recente – a ser abordada pela pergunta “então e para quando um novo livro?” – o que, na verdade, quase sempre me parece pergunta de quem não lendo o anterior se compraz em ter assunto de conversa mostrando muito interesse em “ciência” que desconhecem. Claro que, talvez, esta minha sensação seja enganosa, muitas vezes será demonstração de real interesse por parte de quem me interroga e eventualmente até vontade de me ler mais.
Outra pergunta frequente é “tens escrito?” – como se os poemas nascessem nas árvores ou assim, penso – respondo quase sempre “…pouco…” e é verdade, escrevo sempre tão pouco, tão muito menos do que gostaria e quase sempre tão mal, tão muito pior do que ambiciono…
E, na verdade, os poemas nascem nas árvores e andam por aí aos pontapés, eles estão lá, nos sítios já quase prontos a colher eu é que tardo a encontrá-los, como sempre na vida tardo, tardo, tardo…


…e “é já tão tarde esta noite”…


Pesam-me os olhos,
as mãos,
o corpo todo,
pesas-me tu e a dor
do amanhecer sem ti,
o cheiro que é ainda o teu
ao acordar,
os teus braços que não sinto
ao redor de mim mas
que me fazem falta
para chorar.
É já tão tarde esta noite
e a paz que pedi
tarda tanto em chegar.
Lá fora a lua desce
entre as árvores,
redonda e gorda
a iluminar as almas.
Fecho então os olhos
na impertinência de não ver
mais do que a luz
que não sei achar em mim.
Fere-me a vista este luar e


...É já tão tarde esta noite

sábado, março 28, 2009

"Love breaks the wings of a butterfly on a wheel"

A pequena borboleta pousou sobre o meu olho esquerdo, beijou-o com avidez, lábios húmidos e quentes.

Sub-repticiamente as nossas mãos entrelaçaram-se e assim permaneceram alguns segundos, tocando a pele da face, discutindo a maciez das texturas.

Saudades da pequena borboleta, húmida e breve toda envolta no teu perfume.

quarta-feira, março 25, 2009

Haikus

A Inês Ramos do Porosidade Etérea lançou um desafio: escrever haikus. Estes caracterizam-se por serem poemas de 3 estrofes: 5-7-5 sílabas. Hoje foram publicados e interpretados pelo "diseur" Luís Gaspar. Nem todos obedeceram à regra silábica mas ainda assim tem lá textos bem interessantes.

Estão aqui , o meu é o sexto. Gostei de o ouvir dito! Obrigada ao Luís Gaspar o dizer bem!

Sente o corpo aberto
já nele ninguém reside,
só um coração bate.

sábado, março 21, 2009

"Que a música esteja sempre connosco"

Muito bom! Gostei muito!



Uma bela emoção!





Urgeeeeeeennnnteeeeeee!!!!

Urgente

Urgente?
Urgente
é o pão na boca do pobre,
urgente
é o céu
que a todos nos cobre,
urgente
é a mão que afaga
e me acode,
urgente
é o não que
na língua me morde.

Urgente?
Nada é urgente
senão a sorte.
Urgente
é o passo
com que fujo da morte,
urgente
é a ausência
de mim e o desnorte,
urgente
é a demência
que em mim se faz forte.

Parabéns ao compositor e aos interpretes e,

pela minha parte, muito obrigada!

sexta-feira, março 20, 2009

Hoje na O.M. - Entrada livre

Dia 20 de Março decorrerá no Salão Nobre do Centro de Cultura e Congressos da ordem dos Médicos – Secção Regional do Norte, (Rua Delfim Maia, nº 405 Porto) ao jardim de Arca d’água, pelas 21H30, concerto para voz e piano cujo programa e notas seguem abaixo. A entrada é livre e limitada aos lugares existentes.

CECÍLIA FONTES – Soprano
JOSÉ PARRA – Piano

PROGRAMA

PARTE I

Urbanidades:* Rui Soares da Costa (1958 - )
(Alexandra Malheiro)
· Balada
· Pressenti-te
· Urgente

Folhas caídas: Rui Soares da Costa
(Almeida Garrett)
· Os cinco sentidos*
· Barca bela
· Voz e aroma

Dois Sonetos: Rui Soares da Costa
(Florbela Espanca)
· Desejos vãos
· Vaidade

Seis Canciones:** Angel Oliver (1937-2005)
· Donde está mi amor?
(M Vegas Asin)
· Pajarita de las nieves
(J. Lacomba)
· Llega al llano
(J. Lacomba)
· Amiga amapola
(J. Lacomba)
· “Remansillo”
(Federico Garcia Lorca)
· Canción de juventud
(F Villaespesa)

PARTE II

Cuatro Canciones:** Angel Oliver
(M. de Unamuno)
· Alégrate corazón
· Flor cerrada
· En la ribera del lago
· Ay, esa flor


Aurora boreal* Rui Soares da Costa
(António Gedeão)



Canciones para niños: Xavier Montsalvadge (1912-2002)
(Federico Garcia Lorca)
· Paisaje
· El lagarto está llorando
· Caracola
· Cancion tonta
· Cancion China en Europa
· Cancioncilla Sevillana


*1ª audição mundial
**1ª audição em Portugal



Notas ao Programa:

Xavier Montsalvatge (1912-2002)

É um dos compositores mais representativos da chamada “geração perdida”, aquela apanhada entre o grupo de compositores activos antes do fascismo espanhol e os criadores mais actuais. A sua música tem uma notória projecção internacional, sendo considerado uma referência na cena musical contemporânea. O seu ciclo Cinco Canciones Negras (1945) terá sido um dos principais responsáveis pelo crescimento da sua notoriedade além fronteiras. Este ciclo marcou o início de um período pós-nacionalista, que mais tarde evoluiu para uma “fase antilhana”, na qual são notáveis os elementos estilísticos afro-americanos autóctones das ilhas das Antilhas e das Caraíbas. Durante o seu longo percurso foi ecléctico na sua escolha de materiais e de inspirações, tendo partido da herança wagneriana, para posteriormente abraçar o serialismo, o impressionismo, o politonalismo e a estética irreverente dos Les Six.


O ciclo de Canciones para Niños (1953) que hoje ouviremos, sobre poemas de Federico García Lorca, está tingido de um espírito brincalhão, próprio de Satie ou de Poulenc, impregnado de referências surrealistas, e adornado com um certo “exotismo” musical.

Ángel Oliver Pina (1937 – 2005)

Pedagogo, organista, pianista, director de coros e conferencista, são algumas das múltiplas facetas deste compositor espanhol.
Ilustre aluno de Cristobal Halffter e de Petrassi, em composição, e de Jesús Guridi no orgão, este compositor aragonês desenvolveu igualmente uma notável actividade como editor de materiais para o ensino.
Das suas obras, ele próprio dizia que eram "o resultado da necessidade premente de expressão que todo o criador possui, um reflexo da sua vida, dos sofrimentos, das inquietações e das alegrias que ela traz”.
Os dois ciclos de canções que constam do programa recolhem a herança do nacionalismo, com uma escolha de poemas que encontram o seu fio condutor na descrição da vida simples do campo. A música, na sua aparente simplicidade, é o resultado de um trabalho minucioso; uma escrita orgânica e idiomática para a voz e para o piano, um uso rico e depurado da harmonia.

Rui Soares da Costa (1958 - )

Desde cedo se interessou pela Composição, tendo estudado no Conservatório de Música do Porto com Maria Teresa Macedo e Cândido Lima.


Os “Sonetos de Florbela Espanca” (1994) e o ciclo “Folhas Caídas” (2000) com textos de Almeida Garrett, são o resultado da evolução da linguagem utilizada nos “Sonetos” de Luís de Camões (1980), de inspiração impressionista, mas procurando uma expressão própria e uma preocupação crescente na interligação texto-música. A escolha dos textos, feita nos clássicos da literatura portuguesa, espelha bem o desejo de divulgar a nossa poesia e cultura, propósito que sempre estabeleceu desde que decidiu usar os belíssimos versos que os poetas portugueses glosaram nos últimos séculos. Nas suas obras para Canto e Piano pode assim usar a Voz como instrumento e a mensagem que ela veicula unidas na linguagem universal que é a Música.


O ciclo “Mar Portuguez” com textos de Fernando Pessoa (2002) e “Aurora Boreal” de António Gedeão (2008) foram as últimas criações utilizando os “clássicos”. Nesta última, que ouviremos em primeira audição, o autor recria as quarenta janelas da poesia em múltiplos ambientes sonoros, usando vários recursos estilísticos no Piano e na Voz, mas conseguindo um todo coerente num desafio exigente para a soprano.


“Urbanidades”(2008) são a primeira experiência com textos que, embora não sendo da autoria de um clássico, despertaram o desejo de os ilustrar em música, dada a qualidade e modernidade dos versos da poetisa Alexandra Malheiro. Este ciclo é também apresentado em primeira audição. A primeira das três canções que compõem o ciclo, pretende lembrar o ambiente das baladas francesas de um Trenet e outros no período entre guerras, que tantos corações fizeram bater mais depressa nesses anos únicos do século XX. A segunda é uma “plaisenterie” aos telemóveis, onde poderemos reconhecer facilmente a “Nokia tune” que todos os dias nos entra pelos ouvidos nos lugares mais inimagináveis, mas aqui tratada de uma forma jazzística e intimamente ligada à poesia. Na terceira canção a urgência é o mote e, desde o início, com a ambulância a gritar até à premência que é exigida à cantora, sente-se uma instabilidade quase hemodinâmica que nos deixa sem fôlego.

sexta-feira, março 13, 2009

"Vision over visibility"

New York, New York!


Não conheço Nova Iorque, nunca lá estive, nunca sequer passei lá perto. Não sei da cor das casas, do imenso tamanho das avenidas, das pessoas incríveis e estranhas que passam ausentes pela cidade. Nunca vi as torres gémeas nem o ground zero depois delas, nunca me vi naquele cinzento com o sol a tentar romper abafado entre os prédios altos demais.

Ontem falaste-me de Nova Iorque “ah… Nova Iorque, Nova Iorque!” – dizias. Quero lá saber de Nova Iorque! Quero é saber da cor dos teus olhos e se lá dentro dormem princesas ou assassinos, se os deixas levar por correntes e aluviões ou se os prendem misérias ao cais como mãos que se estendem de espanto e desolação. Não me interessa Nova Iorque o os seus Sinatras a espalhar a notícia, não quero saber.

Apaga-lhe, esta noite, os neons e acende antes os teus olhos entre nós dois, como um feixe de luz que há-de arder depois no meu peito, só essa luz pequena, desusada, dos teus olhos, a deixar que as estrelas surjam pisca-pisca no firmamento, em vez do exagero luminoso da cidade.

Quero lá saber de Nova Iorque.

Amanhã parto para lá!
Texto inédito cuja revelação
foi prometida em jantar by the river
(lembras-te ou é como a cena das garças? :P)

terça-feira, março 10, 2009

A poesia tem género - O rescaldo (Parte II)

Ora então as primeiras imagens para ilustrar a coisa.









A mesa "dos noivos" - da esquerda para a direita: Minês Castanheira, César Príncipe, Ana Luísa Amaral e myself.





A salinha cheia a saír pela porta...

segunda-feira, março 09, 2009

A poesia tem género? - O rescaldo (Parte I)

Tal como expresso no post anterior estive ontem no Clube Literário do Porto, a convite da minha amiga Clara Henriques, numa animada tertúlia, a propósito do dia Internacional da Mulher, onde se discutiu a Poesia no Feminino e se esta tem ou não género.

Nesta viagem participaram a Minês Castanheira e a Ana Luísa Amaral e o moderador (macho, pois claro, para equilibrar a balança) César Príncipe. Se me arranjarem fotos do dito evento conto colocar aqui uma ou duas para ilustrar a coisa.

Gostei muito: pelo tema, pela participação e preserverança do público que encheu a sala e não arredou pé apesar do grande atraso (que foi necessário por uma das intervenientes ter ficado literalmente presa no trânsito durante tempo infindo), pelo entardecer sobre o Douro a ouvir poesia.

Ontem fez-se poesia no Clube e isso foi muito bonito!

Os agradecimentos vão todos para a Clara pelo trabalho gracioso de quem ama a poesia, pela paciencia e pela amizade e a todos os que se deslocaram lá e ali ficaram até ao fim firmes e hirtos fazendo parte do poema, poemando em conjunto. Entre eles alguns amigos e outros que gostei de conhecer. Bem hajam!


Se calhar por isso apetece-me um poema da Ana Luísa Amaral (que eu não conhecia pessoalmente e é uma simpatia):


Tento empurrar-te de cima do poema

para não o estragar na emoção de ti:

olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,

a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.


Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:

tudo coisas de ti, mas coisas de partir...

E o meu alarme nasce: e se morreste aí,

no meio de chão sem texto que é ausente de ti?


E se já não respiras? Se eu não te vejo mais

por te querer empurrar, lírica de emoção?

E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?

E se tu não estiveres onde o poema está?


Faço eroticamente respiração contigo:

primeiro um advérbio, depois um adjectivo,

depois um verso todo em emoção e juras.

E termino contigo em cima do poema,

presente indicativo, artigos às escuras.

sábado, março 07, 2009

Poesia no Feminino no Clube Literário do Porto


O Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22) vai comemorar o dia Internacional da Mulher com uma tertúlia intitulada Poesia no Feminino – a Poesia tem género?. O evento contará com a presença das autoras Alexandra Malheiro, Ana Luísa Amaral e Minês Castanheira, estando a moderação a cargo do jornalista e escritor César Príncipe.
Promete-se muita poesia, conversa, partilha de sensibilidades poéticas entre mulheres e homens, esperando-se forte participação do público e algumas surpresas.
Dia 8 de Março, pelas 17h00, no auditório do CLP. Apareça!

Organização: Clara Henriques

sexta-feira, março 06, 2009

Última vez!

"Once theres was a time... to get back home..."

Ainda antes da Primavera
já a magnólia perdeu a flor.
Antes, porém,
ela se abrirá, pétala a pétala
e o seu perfume inundará o jardim.

Despetalada pelos primeiros ventos
só esse olor permanecerá na lembrança.

quarta-feira, março 04, 2009

Outra vez...

Está uma Magnólia a viver na praça...

domingo, março 01, 2009

Magnólia

Não gosto de repetir poemas nem textos no blog, mas vou abrir uma excepção: não porque o poema seja excepcionalmente bom, pelo contrário, é banal, mas sim porque o postei pela primeira vez faz muito tempo (já ninguém se há-de lembrar dele) e porque as Magnólias já estão em flor (e eu gosto de comemorar estranhas efemérides...)


Fala-me da mulher
que jaz nua
sob a magnólia branca.

Fala-me dos seus olhos
cor de vento
que esperam os teus
pelos declives do Inverno.

Fala-me da mulher
cujo corpo repousa
entre os teus dedos

diz-me da nudez dos
seus seios, da palidez
da sua pele, diz-me do cheiro
à magnólia que, como a ela,
vais despetalando
pela noite dentro enquanto
a lua se abre plena
para enlaçar solícita
os amantes desnudados.

domingo, fevereiro 08, 2009

Precisava de acreditar

"Boletim meteorológico


anunciou calor


não vou duvidar.


Faz sentido no meu


sistema solar"




Jorge Palma

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Shadows in the rain





Vou avançar na tua direcção,
não te movas,
estou certa que não te alcanço.







foto by R. Coelho

terça-feira, fevereiro 03, 2009

O Passado é um tempo sem Futuro

Às vezes sentia-te a falta,
numa página
ou num poema,
ficavas como um silêncio
ou um espaço em branco,
uma sílaba faltosa,
a palavra inacabada.


Às vezes eu erguia o aparo,
a caneta,
apontava-te o bico e tu…
nada,
nem uma letra
para acalmar-me a angústia
da tua ausência.

Às vezes pensava bater-te
à máquina,
ligar o computador
e substitui-te em gerúndio
a palavra do amor…

fazendo…

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Tão pouco

Sei tão pouco
dos poemas que te escrevo,
a palavra eriçada,
coberta de cinza na língua
que não sabemos pronunciar.

Sei tão pouco dos teus dedos,
onde se prolonga a pele
sedenta de mais pele,
reduzindo a escombros o sol.

Sei tão pouco dos teus olhos,
lugar de silêncios onde
se guarda a penumbra e
se acertam os passos,
vagarosos conta-gotas do infinito.

Sei tão pouco de mim
que me inundam estas
lágrimas por dentro,
sôfregas, centrífugas,
serpenteando caminhos
rumo ao incêndio.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

"I can't stand the rain against my window"

Tenho preferido preencher o blog com textos ou poemas inéditos, mas hoje, face ao tempo tão inóspito, não pude deixar de me lembrar de quando escrevi um certo poema que aqui deixo hoje, por não poder ser de outra maneira...

Divagações
II

Chove.
Nem posso acreditar
como chove a minha cidade,
chove em mim
e chove sobre todos...
nem posso acreditar
o quanto chove esta cidade...
Se ao menos chovesse anjos,
ou estrelas,
ou almas...
Mas nada.
Nada mais que a fria chuva
que me molha
e que molha a minha cidade
em que chove, chove, chove.
Nem posso acreditar
o quanto a minha cidade chove...

in
"Sombras de Noite"

terça-feira, janeiro 27, 2009

Casa dos Poetas - Momento de auto-exibição


É bonito quando alguém nos encontra


um Poema.
Obrigada.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Momento de Pub

Os dias do Amor

Um poema para cada dia do ano
365 poemas de amor escritos por 365 poetas de todos os tempos e de todos os lugares

Recolha, selecção e organização de: Inês Ramos
Prefácio de: Henrique Manuel Bento Fialho
N.º de páginas: 436
Editora: Ministério dos Livros

A primeira apresentação da Antologia de Poesia “Os dias do Amor – Um poema para cada dia do ano” vai ter lugar já no próximo dia 29 de Janeiro, na Fnac do Colombo, pelas 18h30m.

Nesta sessão de apresentação haverá leitura de poemas da antologia por Maria do Céu Guerra, Álvaro Faria, Cristina Paiva, João Brás e Tiago Bensetil.Estão agendadas outras apresentações nos seguintes dias e locais:

Gaia: El Corte Inglés, 5 de Fevereiro, 19h30m

Viseu: Fnac Palácio do Gelo, 6 de Fevereiro, 21 horas

Faro: Livraria Pátio de Letras, 14 de Fevereiro, 17 horas

Évora: Bibliocafé Intensidez, 14 de Fevereiro, 21h30m


sábado, janeiro 24, 2009

A páginas tantas... (uma carta bicéfala de memórias tantas)

Era Janeiro frio em Lisboa, lembras-te? Tu sim, tu não! Estoril – Lisboa, pela marginal, o forte de São Julião da Barra e Lisboa ainda tão longe e o tempo ainda tão breve. O coração a estremecer de frio dentro do peito. Lembras-te? Decerto não.
A bilheteira acesa, a mão a palpar bilhetes na algibeira, o coração ainda a estremecer no peito.
Jantar sem fome, sentir o frio na descida, os dedos a sossegar bilhetes no bolso do casaco. A espera à porta, um nunca-mais de tempo, Jardim de Inverno, palco vazio, ajeitar o nó da gravata para aliviar o nó da garganta. Olhar radar pela sala inteira, sorrisos cúmplices, o abraço ténue? – Lembras-te? Eu sei que sim.
Luzes que acendem, um beijo soprado – Lembras-te? Claro que não.

“I heard there was a secret chord
that david played and it pleased the lord
but you don't really care for music, do you?”

O coração agora a arder no peito.

“E tu, gata borralheira”, sorrias cúmplice no fim da sala! Sorrimos cúmplices…

O saxofone, o contrabaixo, a solidão, a solidão, a solidão…

“well it goes like this the fourth, the fifth
the minor fall and the major lift”

E o coração agora a arder no peito! Lembras-te? Tu sim, tu decerto já não!

“the baffled king composing hallelujah”

A rosa inventada, lembras-te? Claro que não! Eu sim, tu não!

Esperar de novo, o fim tão louco, placas estampadas, o frio de novo. Um táxi que parte rumo ao nada.

E de repente, o bairro inteiro, tu nele cruzando-o de lés a lés, olhos tão vivos, sorriso longo – Lembro-me sim, lembro tão bem!

"Bairro alto aos seus amores tão devotado"

E a páginas tantas o bar já quente, o chocolate, a mesa ao fundo – lembras-te? O reservado e os nossos olhos cruzando-se. O telemóvel – Hallelujah! Hallelujah!

Um táxi atravessando os vermelhos – “é naquele quarto que falo contigo” – uma luz, qualquer lugar – ainda te lembras? Decerto sim!

Fim de uma noite, quarto de hotel, adormecer o cansaço na solidão da noite. Quatro da manhã, lembras-te? Nem eu!

“Incondicional” – nunca foi, nem é. Mas guardo-te, até hoje, no coração a tremer de frio.

A ti também, claro que sim, mas sem frio no coração!


quinta-feira, janeiro 22, 2009

Os dias do Amor

terça-feira, janeiro 20, 2009

Obama nas alturas!

Amén!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Memorabilia

O ano de 2008 foi um ano mau. Felizmente não me morreu ninguém, ninguém ficou doente, não houve falências, desemprego e desgraças na minha família directa, mas ainda assim foi, para mim, um ano mau. Um ano afectivamente mau, não guardo dele boas memórias e, no seu final, arrastava-se penoso continuar nele, queria muito que acabasse a ver se o novo ano seria melhor.


No mundo nada aponta para isso e, no meu mundo particular, também não, mas agarrei-me a um estranho acreditar (logo eu que sou tão pouco dada à crença futil, não alicerçada cientificamente) que me assaltou com mais vigor no último dia do ano. Nesse dia contam-se pelos dedos de uma só mão as pessoas a quem telefonei ou mandei mensagem e a todos a quem o fiz fi-lo com um propósito específico, o de dar o meu Amor (e com isso perceber que era ainda capaz de Amar). Se morresse naquele dia não gostaria que algumas pessoas ficassem sem que eu lhes dissesse isso mesmo: que os amava.


Olhei, todo o dia, com certo desdém a ideia comemorativa, os preparos para as várias festas dos que iam passar a noite a festejar o novo ano. Se o meu ano fora mau e no escuro de mim não divisava nada a que me pudesse agarrar em como o ano novo seria melhor, o que iria eu comemorar? Decerto nada.


Precisava de catarse, procurei-a e tive-a.


Passei o ano a 180Km/H no meio de nenhures a ver fogo de artífício sabe-deus-de-onde, à direita e à esquerda, tentando conectar-me ao meu mundo com as mãos, os ouvidos e o céu; a caminho de abraços sem os quais seria penoso não passar o ano e que foram, afinal, os primeiros abraços do ano. Encontrei ainda memórias velhinhas, adolescentes, de gente que já partiu e de um mar tão tão azul que um dia pensei ter lá perdido os olhos para sempre. Valeu a pena, claro que sim.

Se tivesse banda sonora para estes sentimentos teria sido esta, da Mafalda Veiga (hoje deu-me para isto por ontem ter estado no Coliseu a ouvi-la) e hoje "dedico-o" à Clara, já que o poema que lhe queria escrever hoje está apenas começado e também porque será provavelmente a única pessoa capaz de perceber a ideia, o poema e porque o escolhi.


Uma noite para comemorar


Esta é só uma noite para partilhar
qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
um lugar a salvo para onde correr
quando nada bate certo
e se fica a céu aberto
sem saber o que fazer
esta é uma noite pra comemorar
qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
um lugar pra nós onde demorar
quando nada faz sentido
e se fica mais perdido
e se anseia pelo abraço de um amigo
esta é uma noite para me vingar
do que a vida foi fazendo sem nos avisar
foi-se acumulando em fotografias
em distâncias e saudade
numa dor que nunca cabe
e faz transbordar os dias
esta é uma noite para me lembrar
que há qualquer coisa infinita como o firmamento
um sorriso, um abraço
que transcende o tempo
e ter medo como dantes
de acordar a meio da noite
a precisar de um regaço
Mafalda Veiga

terça-feira, janeiro 13, 2009

Diário de bordo?

Fiz várias tentativas de transformar este blog num conjunto de poemas, citações ou situações mais ou menos livres acompanhadas de uma imagem para arejar as coisas.
Porém, às vezes tenho saudade do tempo em que fazia dos blogues um espaço de diário de bordo dos inexplicáveis caminhos por onde o meu pensamento se sacode.
Este post não é nem uma coisa nem outra, daqui em diante veremos que vence.