sábado, março 21, 2009

"Que a música esteja sempre connosco"

Muito bom! Gostei muito!



Uma bela emoção!





Urgeeeeeeennnnteeeeeee!!!!

Urgente

Urgente?
Urgente
é o pão na boca do pobre,
urgente
é o céu
que a todos nos cobre,
urgente
é a mão que afaga
e me acode,
urgente
é o não que
na língua me morde.

Urgente?
Nada é urgente
senão a sorte.
Urgente
é o passo
com que fujo da morte,
urgente
é a ausência
de mim e o desnorte,
urgente
é a demência
que em mim se faz forte.

Parabéns ao compositor e aos interpretes e,

pela minha parte, muito obrigada!

sexta-feira, março 20, 2009

Hoje na O.M. - Entrada livre

Dia 20 de Março decorrerá no Salão Nobre do Centro de Cultura e Congressos da ordem dos Médicos – Secção Regional do Norte, (Rua Delfim Maia, nº 405 Porto) ao jardim de Arca d’água, pelas 21H30, concerto para voz e piano cujo programa e notas seguem abaixo. A entrada é livre e limitada aos lugares existentes.

CECÍLIA FONTES – Soprano
JOSÉ PARRA – Piano

PROGRAMA

PARTE I

Urbanidades:* Rui Soares da Costa (1958 - )
(Alexandra Malheiro)
· Balada
· Pressenti-te
· Urgente

Folhas caídas: Rui Soares da Costa
(Almeida Garrett)
· Os cinco sentidos*
· Barca bela
· Voz e aroma

Dois Sonetos: Rui Soares da Costa
(Florbela Espanca)
· Desejos vãos
· Vaidade

Seis Canciones:** Angel Oliver (1937-2005)
· Donde está mi amor?
(M Vegas Asin)
· Pajarita de las nieves
(J. Lacomba)
· Llega al llano
(J. Lacomba)
· Amiga amapola
(J. Lacomba)
· “Remansillo”
(Federico Garcia Lorca)
· Canción de juventud
(F Villaespesa)

PARTE II

Cuatro Canciones:** Angel Oliver
(M. de Unamuno)
· Alégrate corazón
· Flor cerrada
· En la ribera del lago
· Ay, esa flor


Aurora boreal* Rui Soares da Costa
(António Gedeão)



Canciones para niños: Xavier Montsalvadge (1912-2002)
(Federico Garcia Lorca)
· Paisaje
· El lagarto está llorando
· Caracola
· Cancion tonta
· Cancion China en Europa
· Cancioncilla Sevillana


*1ª audição mundial
**1ª audição em Portugal



Notas ao Programa:

Xavier Montsalvatge (1912-2002)

É um dos compositores mais representativos da chamada “geração perdida”, aquela apanhada entre o grupo de compositores activos antes do fascismo espanhol e os criadores mais actuais. A sua música tem uma notória projecção internacional, sendo considerado uma referência na cena musical contemporânea. O seu ciclo Cinco Canciones Negras (1945) terá sido um dos principais responsáveis pelo crescimento da sua notoriedade além fronteiras. Este ciclo marcou o início de um período pós-nacionalista, que mais tarde evoluiu para uma “fase antilhana”, na qual são notáveis os elementos estilísticos afro-americanos autóctones das ilhas das Antilhas e das Caraíbas. Durante o seu longo percurso foi ecléctico na sua escolha de materiais e de inspirações, tendo partido da herança wagneriana, para posteriormente abraçar o serialismo, o impressionismo, o politonalismo e a estética irreverente dos Les Six.


O ciclo de Canciones para Niños (1953) que hoje ouviremos, sobre poemas de Federico García Lorca, está tingido de um espírito brincalhão, próprio de Satie ou de Poulenc, impregnado de referências surrealistas, e adornado com um certo “exotismo” musical.

Ángel Oliver Pina (1937 – 2005)

Pedagogo, organista, pianista, director de coros e conferencista, são algumas das múltiplas facetas deste compositor espanhol.
Ilustre aluno de Cristobal Halffter e de Petrassi, em composição, e de Jesús Guridi no orgão, este compositor aragonês desenvolveu igualmente uma notável actividade como editor de materiais para o ensino.
Das suas obras, ele próprio dizia que eram "o resultado da necessidade premente de expressão que todo o criador possui, um reflexo da sua vida, dos sofrimentos, das inquietações e das alegrias que ela traz”.
Os dois ciclos de canções que constam do programa recolhem a herança do nacionalismo, com uma escolha de poemas que encontram o seu fio condutor na descrição da vida simples do campo. A música, na sua aparente simplicidade, é o resultado de um trabalho minucioso; uma escrita orgânica e idiomática para a voz e para o piano, um uso rico e depurado da harmonia.

Rui Soares da Costa (1958 - )

Desde cedo se interessou pela Composição, tendo estudado no Conservatório de Música do Porto com Maria Teresa Macedo e Cândido Lima.


Os “Sonetos de Florbela Espanca” (1994) e o ciclo “Folhas Caídas” (2000) com textos de Almeida Garrett, são o resultado da evolução da linguagem utilizada nos “Sonetos” de Luís de Camões (1980), de inspiração impressionista, mas procurando uma expressão própria e uma preocupação crescente na interligação texto-música. A escolha dos textos, feita nos clássicos da literatura portuguesa, espelha bem o desejo de divulgar a nossa poesia e cultura, propósito que sempre estabeleceu desde que decidiu usar os belíssimos versos que os poetas portugueses glosaram nos últimos séculos. Nas suas obras para Canto e Piano pode assim usar a Voz como instrumento e a mensagem que ela veicula unidas na linguagem universal que é a Música.


O ciclo “Mar Portuguez” com textos de Fernando Pessoa (2002) e “Aurora Boreal” de António Gedeão (2008) foram as últimas criações utilizando os “clássicos”. Nesta última, que ouviremos em primeira audição, o autor recria as quarenta janelas da poesia em múltiplos ambientes sonoros, usando vários recursos estilísticos no Piano e na Voz, mas conseguindo um todo coerente num desafio exigente para a soprano.


“Urbanidades”(2008) são a primeira experiência com textos que, embora não sendo da autoria de um clássico, despertaram o desejo de os ilustrar em música, dada a qualidade e modernidade dos versos da poetisa Alexandra Malheiro. Este ciclo é também apresentado em primeira audição. A primeira das três canções que compõem o ciclo, pretende lembrar o ambiente das baladas francesas de um Trenet e outros no período entre guerras, que tantos corações fizeram bater mais depressa nesses anos únicos do século XX. A segunda é uma “plaisenterie” aos telemóveis, onde poderemos reconhecer facilmente a “Nokia tune” que todos os dias nos entra pelos ouvidos nos lugares mais inimagináveis, mas aqui tratada de uma forma jazzística e intimamente ligada à poesia. Na terceira canção a urgência é o mote e, desde o início, com a ambulância a gritar até à premência que é exigida à cantora, sente-se uma instabilidade quase hemodinâmica que nos deixa sem fôlego.

sexta-feira, março 13, 2009

"Vision over visibility"

New York, New York!


Não conheço Nova Iorque, nunca lá estive, nunca sequer passei lá perto. Não sei da cor das casas, do imenso tamanho das avenidas, das pessoas incríveis e estranhas que passam ausentes pela cidade. Nunca vi as torres gémeas nem o ground zero depois delas, nunca me vi naquele cinzento com o sol a tentar romper abafado entre os prédios altos demais.

Ontem falaste-me de Nova Iorque “ah… Nova Iorque, Nova Iorque!” – dizias. Quero lá saber de Nova Iorque! Quero é saber da cor dos teus olhos e se lá dentro dormem princesas ou assassinos, se os deixas levar por correntes e aluviões ou se os prendem misérias ao cais como mãos que se estendem de espanto e desolação. Não me interessa Nova Iorque o os seus Sinatras a espalhar a notícia, não quero saber.

Apaga-lhe, esta noite, os neons e acende antes os teus olhos entre nós dois, como um feixe de luz que há-de arder depois no meu peito, só essa luz pequena, desusada, dos teus olhos, a deixar que as estrelas surjam pisca-pisca no firmamento, em vez do exagero luminoso da cidade.

Quero lá saber de Nova Iorque.

Amanhã parto para lá!
Texto inédito cuja revelação
foi prometida em jantar by the river
(lembras-te ou é como a cena das garças? :P)

terça-feira, março 10, 2009

A poesia tem género - O rescaldo (Parte II)

Ora então as primeiras imagens para ilustrar a coisa.









A mesa "dos noivos" - da esquerda para a direita: Minês Castanheira, César Príncipe, Ana Luísa Amaral e myself.





A salinha cheia a saír pela porta...

segunda-feira, março 09, 2009

A poesia tem género? - O rescaldo (Parte I)

Tal como expresso no post anterior estive ontem no Clube Literário do Porto, a convite da minha amiga Clara Henriques, numa animada tertúlia, a propósito do dia Internacional da Mulher, onde se discutiu a Poesia no Feminino e se esta tem ou não género.

Nesta viagem participaram a Minês Castanheira e a Ana Luísa Amaral e o moderador (macho, pois claro, para equilibrar a balança) César Príncipe. Se me arranjarem fotos do dito evento conto colocar aqui uma ou duas para ilustrar a coisa.

Gostei muito: pelo tema, pela participação e preserverança do público que encheu a sala e não arredou pé apesar do grande atraso (que foi necessário por uma das intervenientes ter ficado literalmente presa no trânsito durante tempo infindo), pelo entardecer sobre o Douro a ouvir poesia.

Ontem fez-se poesia no Clube e isso foi muito bonito!

Os agradecimentos vão todos para a Clara pelo trabalho gracioso de quem ama a poesia, pela paciencia e pela amizade e a todos os que se deslocaram lá e ali ficaram até ao fim firmes e hirtos fazendo parte do poema, poemando em conjunto. Entre eles alguns amigos e outros que gostei de conhecer. Bem hajam!


Se calhar por isso apetece-me um poema da Ana Luísa Amaral (que eu não conhecia pessoalmente e é uma simpatia):


Tento empurrar-te de cima do poema

para não o estragar na emoção de ti:

olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,

a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.


Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:

tudo coisas de ti, mas coisas de partir...

E o meu alarme nasce: e se morreste aí,

no meio de chão sem texto que é ausente de ti?


E se já não respiras? Se eu não te vejo mais

por te querer empurrar, lírica de emoção?

E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?

E se tu não estiveres onde o poema está?


Faço eroticamente respiração contigo:

primeiro um advérbio, depois um adjectivo,

depois um verso todo em emoção e juras.

E termino contigo em cima do poema,

presente indicativo, artigos às escuras.

sábado, março 07, 2009

Poesia no Feminino no Clube Literário do Porto


O Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22) vai comemorar o dia Internacional da Mulher com uma tertúlia intitulada Poesia no Feminino – a Poesia tem género?. O evento contará com a presença das autoras Alexandra Malheiro, Ana Luísa Amaral e Minês Castanheira, estando a moderação a cargo do jornalista e escritor César Príncipe.
Promete-se muita poesia, conversa, partilha de sensibilidades poéticas entre mulheres e homens, esperando-se forte participação do público e algumas surpresas.
Dia 8 de Março, pelas 17h00, no auditório do CLP. Apareça!

Organização: Clara Henriques

sexta-feira, março 06, 2009

Última vez!

"Once theres was a time... to get back home..."

Ainda antes da Primavera
já a magnólia perdeu a flor.
Antes, porém,
ela se abrirá, pétala a pétala
e o seu perfume inundará o jardim.

Despetalada pelos primeiros ventos
só esse olor permanecerá na lembrança.

quarta-feira, março 04, 2009

Outra vez...

Está uma Magnólia a viver na praça...

domingo, março 01, 2009

Magnólia

Não gosto de repetir poemas nem textos no blog, mas vou abrir uma excepção: não porque o poema seja excepcionalmente bom, pelo contrário, é banal, mas sim porque o postei pela primeira vez faz muito tempo (já ninguém se há-de lembrar dele) e porque as Magnólias já estão em flor (e eu gosto de comemorar estranhas efemérides...)


Fala-me da mulher
que jaz nua
sob a magnólia branca.

Fala-me dos seus olhos
cor de vento
que esperam os teus
pelos declives do Inverno.

Fala-me da mulher
cujo corpo repousa
entre os teus dedos

diz-me da nudez dos
seus seios, da palidez
da sua pele, diz-me do cheiro
à magnólia que, como a ela,
vais despetalando
pela noite dentro enquanto
a lua se abre plena
para enlaçar solícita
os amantes desnudados.

domingo, fevereiro 08, 2009

Precisava de acreditar

"Boletim meteorológico


anunciou calor


não vou duvidar.


Faz sentido no meu


sistema solar"




Jorge Palma

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Shadows in the rain





Vou avançar na tua direcção,
não te movas,
estou certa que não te alcanço.







foto by R. Coelho

terça-feira, fevereiro 03, 2009

O Passado é um tempo sem Futuro

Às vezes sentia-te a falta,
numa página
ou num poema,
ficavas como um silêncio
ou um espaço em branco,
uma sílaba faltosa,
a palavra inacabada.


Às vezes eu erguia o aparo,
a caneta,
apontava-te o bico e tu…
nada,
nem uma letra
para acalmar-me a angústia
da tua ausência.

Às vezes pensava bater-te
à máquina,
ligar o computador
e substitui-te em gerúndio
a palavra do amor…

fazendo…

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Tão pouco

Sei tão pouco
dos poemas que te escrevo,
a palavra eriçada,
coberta de cinza na língua
que não sabemos pronunciar.

Sei tão pouco dos teus dedos,
onde se prolonga a pele
sedenta de mais pele,
reduzindo a escombros o sol.

Sei tão pouco dos teus olhos,
lugar de silêncios onde
se guarda a penumbra e
se acertam os passos,
vagarosos conta-gotas do infinito.

Sei tão pouco de mim
que me inundam estas
lágrimas por dentro,
sôfregas, centrífugas,
serpenteando caminhos
rumo ao incêndio.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

"I can't stand the rain against my window"

Tenho preferido preencher o blog com textos ou poemas inéditos, mas hoje, face ao tempo tão inóspito, não pude deixar de me lembrar de quando escrevi um certo poema que aqui deixo hoje, por não poder ser de outra maneira...

Divagações
II

Chove.
Nem posso acreditar
como chove a minha cidade,
chove em mim
e chove sobre todos...
nem posso acreditar
o quanto chove esta cidade...
Se ao menos chovesse anjos,
ou estrelas,
ou almas...
Mas nada.
Nada mais que a fria chuva
que me molha
e que molha a minha cidade
em que chove, chove, chove.
Nem posso acreditar
o quanto a minha cidade chove...

in
"Sombras de Noite"

terça-feira, janeiro 27, 2009

Casa dos Poetas - Momento de auto-exibição


É bonito quando alguém nos encontra


um Poema.
Obrigada.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Momento de Pub

Os dias do Amor

Um poema para cada dia do ano
365 poemas de amor escritos por 365 poetas de todos os tempos e de todos os lugares

Recolha, selecção e organização de: Inês Ramos
Prefácio de: Henrique Manuel Bento Fialho
N.º de páginas: 436
Editora: Ministério dos Livros

A primeira apresentação da Antologia de Poesia “Os dias do Amor – Um poema para cada dia do ano” vai ter lugar já no próximo dia 29 de Janeiro, na Fnac do Colombo, pelas 18h30m.

Nesta sessão de apresentação haverá leitura de poemas da antologia por Maria do Céu Guerra, Álvaro Faria, Cristina Paiva, João Brás e Tiago Bensetil.Estão agendadas outras apresentações nos seguintes dias e locais:

Gaia: El Corte Inglés, 5 de Fevereiro, 19h30m

Viseu: Fnac Palácio do Gelo, 6 de Fevereiro, 21 horas

Faro: Livraria Pátio de Letras, 14 de Fevereiro, 17 horas

Évora: Bibliocafé Intensidez, 14 de Fevereiro, 21h30m


sábado, janeiro 24, 2009

A páginas tantas... (uma carta bicéfala de memórias tantas)

Era Janeiro frio em Lisboa, lembras-te? Tu sim, tu não! Estoril – Lisboa, pela marginal, o forte de São Julião da Barra e Lisboa ainda tão longe e o tempo ainda tão breve. O coração a estremecer de frio dentro do peito. Lembras-te? Decerto não.
A bilheteira acesa, a mão a palpar bilhetes na algibeira, o coração ainda a estremecer no peito.
Jantar sem fome, sentir o frio na descida, os dedos a sossegar bilhetes no bolso do casaco. A espera à porta, um nunca-mais de tempo, Jardim de Inverno, palco vazio, ajeitar o nó da gravata para aliviar o nó da garganta. Olhar radar pela sala inteira, sorrisos cúmplices, o abraço ténue? – Lembras-te? Eu sei que sim.
Luzes que acendem, um beijo soprado – Lembras-te? Claro que não.

“I heard there was a secret chord
that david played and it pleased the lord
but you don't really care for music, do you?”

O coração agora a arder no peito.

“E tu, gata borralheira”, sorrias cúmplice no fim da sala! Sorrimos cúmplices…

O saxofone, o contrabaixo, a solidão, a solidão, a solidão…

“well it goes like this the fourth, the fifth
the minor fall and the major lift”

E o coração agora a arder no peito! Lembras-te? Tu sim, tu decerto já não!

“the baffled king composing hallelujah”

A rosa inventada, lembras-te? Claro que não! Eu sim, tu não!

Esperar de novo, o fim tão louco, placas estampadas, o frio de novo. Um táxi que parte rumo ao nada.

E de repente, o bairro inteiro, tu nele cruzando-o de lés a lés, olhos tão vivos, sorriso longo – Lembro-me sim, lembro tão bem!

"Bairro alto aos seus amores tão devotado"

E a páginas tantas o bar já quente, o chocolate, a mesa ao fundo – lembras-te? O reservado e os nossos olhos cruzando-se. O telemóvel – Hallelujah! Hallelujah!

Um táxi atravessando os vermelhos – “é naquele quarto que falo contigo” – uma luz, qualquer lugar – ainda te lembras? Decerto sim!

Fim de uma noite, quarto de hotel, adormecer o cansaço na solidão da noite. Quatro da manhã, lembras-te? Nem eu!

“Incondicional” – nunca foi, nem é. Mas guardo-te, até hoje, no coração a tremer de frio.

A ti também, claro que sim, mas sem frio no coração!


quinta-feira, janeiro 22, 2009

Os dias do Amor

terça-feira, janeiro 20, 2009

Obama nas alturas!

Amén!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Memorabilia

O ano de 2008 foi um ano mau. Felizmente não me morreu ninguém, ninguém ficou doente, não houve falências, desemprego e desgraças na minha família directa, mas ainda assim foi, para mim, um ano mau. Um ano afectivamente mau, não guardo dele boas memórias e, no seu final, arrastava-se penoso continuar nele, queria muito que acabasse a ver se o novo ano seria melhor.


No mundo nada aponta para isso e, no meu mundo particular, também não, mas agarrei-me a um estranho acreditar (logo eu que sou tão pouco dada à crença futil, não alicerçada cientificamente) que me assaltou com mais vigor no último dia do ano. Nesse dia contam-se pelos dedos de uma só mão as pessoas a quem telefonei ou mandei mensagem e a todos a quem o fiz fi-lo com um propósito específico, o de dar o meu Amor (e com isso perceber que era ainda capaz de Amar). Se morresse naquele dia não gostaria que algumas pessoas ficassem sem que eu lhes dissesse isso mesmo: que os amava.


Olhei, todo o dia, com certo desdém a ideia comemorativa, os preparos para as várias festas dos que iam passar a noite a festejar o novo ano. Se o meu ano fora mau e no escuro de mim não divisava nada a que me pudesse agarrar em como o ano novo seria melhor, o que iria eu comemorar? Decerto nada.


Precisava de catarse, procurei-a e tive-a.


Passei o ano a 180Km/H no meio de nenhures a ver fogo de artífício sabe-deus-de-onde, à direita e à esquerda, tentando conectar-me ao meu mundo com as mãos, os ouvidos e o céu; a caminho de abraços sem os quais seria penoso não passar o ano e que foram, afinal, os primeiros abraços do ano. Encontrei ainda memórias velhinhas, adolescentes, de gente que já partiu e de um mar tão tão azul que um dia pensei ter lá perdido os olhos para sempre. Valeu a pena, claro que sim.

Se tivesse banda sonora para estes sentimentos teria sido esta, da Mafalda Veiga (hoje deu-me para isto por ontem ter estado no Coliseu a ouvi-la) e hoje "dedico-o" à Clara, já que o poema que lhe queria escrever hoje está apenas começado e também porque será provavelmente a única pessoa capaz de perceber a ideia, o poema e porque o escolhi.


Uma noite para comemorar


Esta é só uma noite para partilhar
qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
um lugar a salvo para onde correr
quando nada bate certo
e se fica a céu aberto
sem saber o que fazer
esta é uma noite pra comemorar
qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
um lugar pra nós onde demorar
quando nada faz sentido
e se fica mais perdido
e se anseia pelo abraço de um amigo
esta é uma noite para me vingar
do que a vida foi fazendo sem nos avisar
foi-se acumulando em fotografias
em distâncias e saudade
numa dor que nunca cabe
e faz transbordar os dias
esta é uma noite para me lembrar
que há qualquer coisa infinita como o firmamento
um sorriso, um abraço
que transcende o tempo
e ter medo como dantes
de acordar a meio da noite
a precisar de um regaço
Mafalda Veiga

terça-feira, janeiro 13, 2009

Diário de bordo?

Fiz várias tentativas de transformar este blog num conjunto de poemas, citações ou situações mais ou menos livres acompanhadas de uma imagem para arejar as coisas.
Porém, às vezes tenho saudade do tempo em que fazia dos blogues um espaço de diário de bordo dos inexplicáveis caminhos por onde o meu pensamento se sacode.
Este post não é nem uma coisa nem outra, daqui em diante veremos que vence.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Memórias de Inverno

Faço ideia do quanto te deves
ter perdido hoje,
cheio de frio,
a tiritar de neve sobre o cabelo,
o quanto hás-de ter gemido
encolhendo os ombros
face à tempestade.

Ter-te-ás lembrado
daquela noite em que a lua
entrava pelos cantos da casa
mas só se lhe abrisses a porta
e tiveste medo
de o fazer
para não enregelares?

Ter-te-ás lembrado
do tempo em que entre nós
o verbo era sozinho
o corpo que amaciava o silêncio
em que por vezes
te consumias no fumo
improvisado à ansiedade

Eu lembro-me de ti
em dias como o de hoje,
frio, neve, gelo
e a tua voz,
tremenda,

tremendo-me!

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Blackbird singing in the dead of the night!

A esta hora um pássaro crocita
rasgando a noite
com a sua vozita
escanada
e inquieta,
sozinho,
um pássaro na noite
enquanto eu tento
concentrar-me num poema:
uma coisa ilustre
que falasse das deambulações
da luz sobre o teu rosto
e do gosto
metálico da lua
nos teus olhos cerrados,
elucubração profunda
sobre as pontas dos teus dedos
tacteando lugares dentro de mim,
mas o pássaro insiste
em perturbar-me a noite
desequilibrando a estética,
dialética
e anacrónica do poema.
Logo hoje que eu pretendia escrever
sobre a ínfima fímbria
a descoberto no teu sorriso!

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Good vibes for the New Year!

Uma vénia ao Ano Novo (esperando que este seja merecedor dela)

Energia vinda directamente do Caribe!

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Votos para o Ano Novo

Agora que está calada a cidade
dos infernais ruídos da urbanidade
que o sol se encerra atrás do vidro
fechadas as portadas à luz
falemos nós,
faltamos nós,
a entreter com palavras
o silêncio que tememos
desvendar enquanto sós.
Percebo-te tanto quando te olho
e o teu corpo um limite finito de ti.
Percebo-te tanto quando te abraço
e não falas por falarem-me
os teus olhos por ti.

sábado, dezembro 27, 2008

Pensamentos ociosos

- Como se rompe um bloqueio?

- Como se abrem os braços sem nos deixarmos violar?

- Como fechar o abraço sem sentirmos que é o último?

sexta-feira, dezembro 26, 2008

"Carregado de vento"



Com a devida vénia transcrevo (de autora de quem muito gosto)

Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passo

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa

e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.

Maria do Rosário Pedreira
in
"O canto do vento nos ciprestes"

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Feliz Natal


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segunda-feira, dezembro 15, 2008

Balanço

"[...] O tempo endurece qualquer armadura
E às vezes custa arrancar
Muralhas erguidas à volta do peito
Que não deixam partir nem deixam chegar [...]"



"[...]Enquanto espero percorro os sinais
Do que fomos que ainda resiste
As marcas deixadas na alma e na pele
Do que foi feliz e do que foi triste[...]"
Mafalda Veiga

domingo, dezembro 14, 2008

Intervalo para PUB

Pequena entrevista que se pode ler ...

quinta-feira, dezembro 11, 2008

100

Parabéns Manoel!
Assim vale a pena chegar aos cem!

sexta-feira, dezembro 05, 2008

And they all had wings

É tão difícil ver uma criança crescer,
perceber que, enfim,
agora os seus dedos não são já tão pequenos
que te caibam na mão como dantes,
que o que tens a ensinar-lhe
é cada vez menos e a protecção
cada vez mais frágil.

E no entanto os seus olhos
são ainda os mesmos,
a olhar-te como se te lessem,
mesmo que a sua voz mais profunda
os olhos continuam lá,
trazidos do fundo da tua memória,
marcas de água, silêncios partilhados.

E tu?
Guardar-me-ás dentro do peito
como eu te guardei no colo?
Quanto mudou afinal?
Seremos sempre os mesmos?
E o Amor, terá ele as mesmas letras
e a mesma dificuldade em se articular?

terça-feira, novembro 25, 2008

Antes do abismo

Despedimo-nos

como uma rua de sombras,
rodando o corpo no chão,
perdendo o avesso da pele
em ilusões de infinitos,
perfumes de memória
trocados pelos dedos.

Segura-me em ti antes
que eu te morra,
ampara-me nos braços
contra a atracção do abismo.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Entangled

Entre os meus dedos

Entre os meus dedos
mais uma vez
foram perdidos os teus dedos
entre os meus
do frio que trazias neste dia
da calma com que tanto eu te queria

entre os meus dedos…

Quantas vezes te perdi toda esta tarde,
nas sombras que guardei dentro do peito,
corpo de lágrimas por fora tão perfeito,
fingindo-te o sorriso mas nos dedos
só nos dedos em ti o abraço estreito.

Quantas vezes nossos dedos outra vez,
prendendo-se e eu perdendo-te de novo,
quantas vezes os teus olhos
dedos presos,
fugindo como um pássaro ou um lobo.

sábado, novembro 15, 2008

A uma cápsula anti-pirética


No seu blog - Estado Civil - no post de 13 deste mês, Pedro Mexia incitava à escrita de um elogio à cápsula. Fiz-lhe a vontade.



Nas minhas mãos ardendo
o teu corpo inteiro,
lânguido
límpido,
lúcido,
gelatinoso.
Tomo-te na língua,
a oferecer-te esta humidade que te embala,
até te deixares tragar pelo mais fundo de mim.

Agora que te abraço nas entranhas
hás-de fazer fugir-me a febre que me assalta –
esta aguda pirexia que
tão sofregamente te deseja.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Do tempo em que os teus olhos...


Uma flor ou um poema,
o gozo do corpo
pelo corpo
sem entender mais das mãos
do que a vontade.

Eis o ofício dos que procuram a vertigem
no voo vertical da paixão.

sexta-feira, novembro 07, 2008

How fragile we are

"Lest we forget how fragile we are"
Sting


No meio de tanto blog sem interesse nenhum, um cujo interesse passa precisamente por perceber como somos frágeis (e no entanto tão fortes) e de como a vida toda muda quando passamos para o "lado de lá" da barreira.
Como diriam na RFM "vale a pena pensar nisto."
O blog tem um nome fantástico, com um subtítulo genial.
Votos de rápidas melhoras.

sábado, novembro 01, 2008

Às vezes Novembro

Às vezes Novembro era mais frio
que todos os meses
e uma sombra grotesca
amarfanhava-me os olhos.
Presas ao meu corpo arrastavam-se
sombras e pombos mortos,
coisas que mais ninguém
gostava de ver.
Às vezes Novembro
era um mês surdo,
e eu fechando os olhos
não ouvia o silêncio,
apenas o rugido trémulo
de uma trovoada cuja chuva
nunca vinha para amenizar-me
o sono e eu não
dormia nunca,
perorava vigil em
sobressalto pelos trovões.


in
"Pelo Inverso"

quarta-feira, outubro 29, 2008

"Quem me leva os meus fantasmas?"

Devagar
deixei cair, sombriamente,
este poema no papel.
A carne ferida,
a pele dilacerada,
o sangue rompendo estrepitosamente as veias.

Uma luz apagada
num fundo de estrada
sem fim, sem começo
e o corpo no espelho,
se é meu
não conheço.





“Um nome arde tanto
de repente todos os caminhos parecem de regresso
a vida por si mesma não se pode escutar demasiado
a vida é uma questão de tempo
um sopro ainda mais frágil” […]
José Tolentino de Mendonça

Ideias tontas!

Tem estado difícil arrancar qualquer coisa para colocar aqui no blog.
No entanto ando assaltada por frases soltas que ouço ou "apanho" aqui ou ali, passou-me pela ideia pegar em "o equívoco do inconsciente" ou "quebrar o círculo" - que vos parece? Ideias geniais a acrescentar a estas?

Weird, right? ... Penso o mesmo...

sexta-feira, outubro 17, 2008

Clarão


Como se eu
te oferecesse um clarão de silêncio
e uma berma de estrada
como se eu
te entregasse em mãos uma
nesga de azul vindo directa
do mar, ou de um céu mais ao sul
que não saibas achar .

Como se eu
me cercasse de trevas
e ao não encarar a tua luz
me vingasse por dentro
daquilo a que a dor me reduz

domingo, outubro 12, 2008

O difícil caminho por entre os pássaros


Coligia poemas dos teus lábios,
colhidos directamente
gota a gota
da tua voz.

Era ali,
exactamente ali,
que desciam ingremes a canções.

Ali, exactamente ali,
onde anunciavas o espanto
aos que, como eu,
te cobriam os olhos
da luz dos dias
para que não cegasses.

domingo, outubro 05, 2008

O trilho das lágrimas

Segue o trilho das lágrimas
no avesso do Sol,
na mira das cinzas.
Sente-as na língua,
na curva do pescoço,
sente-as rolar entre os destroços.

Depois voa,
como qualquer pássaro,
até te extinguires no espaço,
na tessitura do vento.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Purple Rain

"I never wanted to be your weekend lover
I only wanted to be some kind of friend, hey
Baby, I could never steel you from another
It's such a shame our friendship had to end"

Prince Roger Nelson

sábado, setembro 27, 2008

Pelos olhos...

[...]

Em pontas
na ponta do teu desejo,
bailando-te pelos olhos
como um beijo,
do teu corpo vai fazendo a melodia,
com a língua molhada no teu solfejo




Cadeira Parade
@ CLP
(até 30 Set)

sexta-feira, setembro 26, 2008

Doze anos

Há 12 anos atrás podia ter sido um dia feliz. Foi apenas um dia cumprido.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Outono

Percebi que o Outono havia chegado por duas folhas de plátano caídas sobre o chão. Depois vi a mulher que vende castanhas na esquina, envolta numa nuvem de fumo cinzento, apesar do sol ainda quente e das roupas que sobraram do Estio.
O Outono, como sempre, voltou no final do Verão.
Voltou o Outono, só tu não!
"Cadeira Parade"
@ Clube Literário do Porto
(até 30 Set.)

domingo, setembro 21, 2008

Absurdo


[...]

O teu corpo,
como o meu corpo,
não faz sentido.
Só faz sentido o absurdo
a lamber-me a pele.
Sufocante o vento
que me consome
e me faz acordar todos os dias
para lá do tempo.






"Cadeira Parade"
@Clube Literário do Porto
(até 30 Set.)

domingo, setembro 14, 2008

Dedicatória

[...]
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido


Ruy Belo

sábado, setembro 13, 2008

Ameaças


Há ameaças que a gente não espera que se cumpram...

domingo, setembro 07, 2008

Portas


Fecharemos, então,

as portas

e o tempo encerrar-se-á

contra o corpo

sábado, setembro 06, 2008

O teu poema



Hoje fiz-te um poema
como quem pintasse
o teu retrato.
Está igual a ti,
orgulho-me da obra feita
tem algas no lugar dos cabelos
e os olhos são
duas insinuações.

Surpreendeu-me…
não pensava fazer
assim
um filho teu!