sábado, janeiro 24, 2009

A páginas tantas... (uma carta bicéfala de memórias tantas)

Era Janeiro frio em Lisboa, lembras-te? Tu sim, tu não! Estoril – Lisboa, pela marginal, o forte de São Julião da Barra e Lisboa ainda tão longe e o tempo ainda tão breve. O coração a estremecer de frio dentro do peito. Lembras-te? Decerto não.
A bilheteira acesa, a mão a palpar bilhetes na algibeira, o coração ainda a estremecer no peito.
Jantar sem fome, sentir o frio na descida, os dedos a sossegar bilhetes no bolso do casaco. A espera à porta, um nunca-mais de tempo, Jardim de Inverno, palco vazio, ajeitar o nó da gravata para aliviar o nó da garganta. Olhar radar pela sala inteira, sorrisos cúmplices, o abraço ténue? – Lembras-te? Eu sei que sim.
Luzes que acendem, um beijo soprado – Lembras-te? Claro que não.

“I heard there was a secret chord
that david played and it pleased the lord
but you don't really care for music, do you?”

O coração agora a arder no peito.

“E tu, gata borralheira”, sorrias cúmplice no fim da sala! Sorrimos cúmplices…

O saxofone, o contrabaixo, a solidão, a solidão, a solidão…

“well it goes like this the fourth, the fifth
the minor fall and the major lift”

E o coração agora a arder no peito! Lembras-te? Tu sim, tu decerto já não!

“the baffled king composing hallelujah”

A rosa inventada, lembras-te? Claro que não! Eu sim, tu não!

Esperar de novo, o fim tão louco, placas estampadas, o frio de novo. Um táxi que parte rumo ao nada.

E de repente, o bairro inteiro, tu nele cruzando-o de lés a lés, olhos tão vivos, sorriso longo – Lembro-me sim, lembro tão bem!

"Bairro alto aos seus amores tão devotado"

E a páginas tantas o bar já quente, o chocolate, a mesa ao fundo – lembras-te? O reservado e os nossos olhos cruzando-se. O telemóvel – Hallelujah! Hallelujah!

Um táxi atravessando os vermelhos – “é naquele quarto que falo contigo” – uma luz, qualquer lugar – ainda te lembras? Decerto sim!

Fim de uma noite, quarto de hotel, adormecer o cansaço na solidão da noite. Quatro da manhã, lembras-te? Nem eu!

“Incondicional” – nunca foi, nem é. Mas guardo-te, até hoje, no coração a tremer de frio.

A ti também, claro que sim, mas sem frio no coração!


quinta-feira, janeiro 22, 2009

Os dias do Amor

terça-feira, janeiro 20, 2009

Obama nas alturas!

Amén!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Memorabilia

O ano de 2008 foi um ano mau. Felizmente não me morreu ninguém, ninguém ficou doente, não houve falências, desemprego e desgraças na minha família directa, mas ainda assim foi, para mim, um ano mau. Um ano afectivamente mau, não guardo dele boas memórias e, no seu final, arrastava-se penoso continuar nele, queria muito que acabasse a ver se o novo ano seria melhor.


No mundo nada aponta para isso e, no meu mundo particular, também não, mas agarrei-me a um estranho acreditar (logo eu que sou tão pouco dada à crença futil, não alicerçada cientificamente) que me assaltou com mais vigor no último dia do ano. Nesse dia contam-se pelos dedos de uma só mão as pessoas a quem telefonei ou mandei mensagem e a todos a quem o fiz fi-lo com um propósito específico, o de dar o meu Amor (e com isso perceber que era ainda capaz de Amar). Se morresse naquele dia não gostaria que algumas pessoas ficassem sem que eu lhes dissesse isso mesmo: que os amava.


Olhei, todo o dia, com certo desdém a ideia comemorativa, os preparos para as várias festas dos que iam passar a noite a festejar o novo ano. Se o meu ano fora mau e no escuro de mim não divisava nada a que me pudesse agarrar em como o ano novo seria melhor, o que iria eu comemorar? Decerto nada.


Precisava de catarse, procurei-a e tive-a.


Passei o ano a 180Km/H no meio de nenhures a ver fogo de artífício sabe-deus-de-onde, à direita e à esquerda, tentando conectar-me ao meu mundo com as mãos, os ouvidos e o céu; a caminho de abraços sem os quais seria penoso não passar o ano e que foram, afinal, os primeiros abraços do ano. Encontrei ainda memórias velhinhas, adolescentes, de gente que já partiu e de um mar tão tão azul que um dia pensei ter lá perdido os olhos para sempre. Valeu a pena, claro que sim.

Se tivesse banda sonora para estes sentimentos teria sido esta, da Mafalda Veiga (hoje deu-me para isto por ontem ter estado no Coliseu a ouvi-la) e hoje "dedico-o" à Clara, já que o poema que lhe queria escrever hoje está apenas começado e também porque será provavelmente a única pessoa capaz de perceber a ideia, o poema e porque o escolhi.


Uma noite para comemorar


Esta é só uma noite para partilhar
qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
um lugar a salvo para onde correr
quando nada bate certo
e se fica a céu aberto
sem saber o que fazer
esta é uma noite pra comemorar
qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
um lugar pra nós onde demorar
quando nada faz sentido
e se fica mais perdido
e se anseia pelo abraço de um amigo
esta é uma noite para me vingar
do que a vida foi fazendo sem nos avisar
foi-se acumulando em fotografias
em distâncias e saudade
numa dor que nunca cabe
e faz transbordar os dias
esta é uma noite para me lembrar
que há qualquer coisa infinita como o firmamento
um sorriso, um abraço
que transcende o tempo
e ter medo como dantes
de acordar a meio da noite
a precisar de um regaço
Mafalda Veiga

terça-feira, janeiro 13, 2009

Diário de bordo?

Fiz várias tentativas de transformar este blog num conjunto de poemas, citações ou situações mais ou menos livres acompanhadas de uma imagem para arejar as coisas.
Porém, às vezes tenho saudade do tempo em que fazia dos blogues um espaço de diário de bordo dos inexplicáveis caminhos por onde o meu pensamento se sacode.
Este post não é nem uma coisa nem outra, daqui em diante veremos que vence.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Memórias de Inverno

Faço ideia do quanto te deves
ter perdido hoje,
cheio de frio,
a tiritar de neve sobre o cabelo,
o quanto hás-de ter gemido
encolhendo os ombros
face à tempestade.

Ter-te-ás lembrado
daquela noite em que a lua
entrava pelos cantos da casa
mas só se lhe abrisses a porta
e tiveste medo
de o fazer
para não enregelares?

Ter-te-ás lembrado
do tempo em que entre nós
o verbo era sozinho
o corpo que amaciava o silêncio
em que por vezes
te consumias no fumo
improvisado à ansiedade

Eu lembro-me de ti
em dias como o de hoje,
frio, neve, gelo
e a tua voz,
tremenda,

tremendo-me!

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Blackbird singing in the dead of the night!

A esta hora um pássaro crocita
rasgando a noite
com a sua vozita
escanada
e inquieta,
sozinho,
um pássaro na noite
enquanto eu tento
concentrar-me num poema:
uma coisa ilustre
que falasse das deambulações
da luz sobre o teu rosto
e do gosto
metálico da lua
nos teus olhos cerrados,
elucubração profunda
sobre as pontas dos teus dedos
tacteando lugares dentro de mim,
mas o pássaro insiste
em perturbar-me a noite
desequilibrando a estética,
dialética
e anacrónica do poema.
Logo hoje que eu pretendia escrever
sobre a ínfima fímbria
a descoberto no teu sorriso!

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Good vibes for the New Year!

Uma vénia ao Ano Novo (esperando que este seja merecedor dela)

Energia vinda directamente do Caribe!

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Votos para o Ano Novo

Agora que está calada a cidade
dos infernais ruídos da urbanidade
que o sol se encerra atrás do vidro
fechadas as portadas à luz
falemos nós,
faltamos nós,
a entreter com palavras
o silêncio que tememos
desvendar enquanto sós.
Percebo-te tanto quando te olho
e o teu corpo um limite finito de ti.
Percebo-te tanto quando te abraço
e não falas por falarem-me
os teus olhos por ti.

sábado, dezembro 27, 2008

Pensamentos ociosos

- Como se rompe um bloqueio?

- Como se abrem os braços sem nos deixarmos violar?

- Como fechar o abraço sem sentirmos que é o último?

sexta-feira, dezembro 26, 2008

"Carregado de vento"



Com a devida vénia transcrevo (de autora de quem muito gosto)

Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passo

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa

e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.

Maria do Rosário Pedreira
in
"O canto do vento nos ciprestes"

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Feliz Natal


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segunda-feira, dezembro 15, 2008

Balanço

"[...] O tempo endurece qualquer armadura
E às vezes custa arrancar
Muralhas erguidas à volta do peito
Que não deixam partir nem deixam chegar [...]"



"[...]Enquanto espero percorro os sinais
Do que fomos que ainda resiste
As marcas deixadas na alma e na pele
Do que foi feliz e do que foi triste[...]"
Mafalda Veiga

domingo, dezembro 14, 2008

Intervalo para PUB

Pequena entrevista que se pode ler ...

quinta-feira, dezembro 11, 2008

100

Parabéns Manoel!
Assim vale a pena chegar aos cem!

sexta-feira, dezembro 05, 2008

And they all had wings

É tão difícil ver uma criança crescer,
perceber que, enfim,
agora os seus dedos não são já tão pequenos
que te caibam na mão como dantes,
que o que tens a ensinar-lhe
é cada vez menos e a protecção
cada vez mais frágil.

E no entanto os seus olhos
são ainda os mesmos,
a olhar-te como se te lessem,
mesmo que a sua voz mais profunda
os olhos continuam lá,
trazidos do fundo da tua memória,
marcas de água, silêncios partilhados.

E tu?
Guardar-me-ás dentro do peito
como eu te guardei no colo?
Quanto mudou afinal?
Seremos sempre os mesmos?
E o Amor, terá ele as mesmas letras
e a mesma dificuldade em se articular?

terça-feira, novembro 25, 2008

Antes do abismo

Despedimo-nos

como uma rua de sombras,
rodando o corpo no chão,
perdendo o avesso da pele
em ilusões de infinitos,
perfumes de memória
trocados pelos dedos.

Segura-me em ti antes
que eu te morra,
ampara-me nos braços
contra a atracção do abismo.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Entangled

Entre os meus dedos

Entre os meus dedos
mais uma vez
foram perdidos os teus dedos
entre os meus
do frio que trazias neste dia
da calma com que tanto eu te queria

entre os meus dedos…

Quantas vezes te perdi toda esta tarde,
nas sombras que guardei dentro do peito,
corpo de lágrimas por fora tão perfeito,
fingindo-te o sorriso mas nos dedos
só nos dedos em ti o abraço estreito.

Quantas vezes nossos dedos outra vez,
prendendo-se e eu perdendo-te de novo,
quantas vezes os teus olhos
dedos presos,
fugindo como um pássaro ou um lobo.

sábado, novembro 15, 2008

A uma cápsula anti-pirética


No seu blog - Estado Civil - no post de 13 deste mês, Pedro Mexia incitava à escrita de um elogio à cápsula. Fiz-lhe a vontade.



Nas minhas mãos ardendo
o teu corpo inteiro,
lânguido
límpido,
lúcido,
gelatinoso.
Tomo-te na língua,
a oferecer-te esta humidade que te embala,
até te deixares tragar pelo mais fundo de mim.

Agora que te abraço nas entranhas
hás-de fazer fugir-me a febre que me assalta –
esta aguda pirexia que
tão sofregamente te deseja.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Do tempo em que os teus olhos...


Uma flor ou um poema,
o gozo do corpo
pelo corpo
sem entender mais das mãos
do que a vontade.

Eis o ofício dos que procuram a vertigem
no voo vertical da paixão.

sexta-feira, novembro 07, 2008

How fragile we are

"Lest we forget how fragile we are"
Sting


No meio de tanto blog sem interesse nenhum, um cujo interesse passa precisamente por perceber como somos frágeis (e no entanto tão fortes) e de como a vida toda muda quando passamos para o "lado de lá" da barreira.
Como diriam na RFM "vale a pena pensar nisto."
O blog tem um nome fantástico, com um subtítulo genial.
Votos de rápidas melhoras.

sábado, novembro 01, 2008

Às vezes Novembro

Às vezes Novembro era mais frio
que todos os meses
e uma sombra grotesca
amarfanhava-me os olhos.
Presas ao meu corpo arrastavam-se
sombras e pombos mortos,
coisas que mais ninguém
gostava de ver.
Às vezes Novembro
era um mês surdo,
e eu fechando os olhos
não ouvia o silêncio,
apenas o rugido trémulo
de uma trovoada cuja chuva
nunca vinha para amenizar-me
o sono e eu não
dormia nunca,
perorava vigil em
sobressalto pelos trovões.


in
"Pelo Inverso"

quarta-feira, outubro 29, 2008

"Quem me leva os meus fantasmas?"

Devagar
deixei cair, sombriamente,
este poema no papel.
A carne ferida,
a pele dilacerada,
o sangue rompendo estrepitosamente as veias.

Uma luz apagada
num fundo de estrada
sem fim, sem começo
e o corpo no espelho,
se é meu
não conheço.





“Um nome arde tanto
de repente todos os caminhos parecem de regresso
a vida por si mesma não se pode escutar demasiado
a vida é uma questão de tempo
um sopro ainda mais frágil” […]
José Tolentino de Mendonça

Ideias tontas!

Tem estado difícil arrancar qualquer coisa para colocar aqui no blog.
No entanto ando assaltada por frases soltas que ouço ou "apanho" aqui ou ali, passou-me pela ideia pegar em "o equívoco do inconsciente" ou "quebrar o círculo" - que vos parece? Ideias geniais a acrescentar a estas?

Weird, right? ... Penso o mesmo...

sexta-feira, outubro 17, 2008

Clarão


Como se eu
te oferecesse um clarão de silêncio
e uma berma de estrada
como se eu
te entregasse em mãos uma
nesga de azul vindo directa
do mar, ou de um céu mais ao sul
que não saibas achar .

Como se eu
me cercasse de trevas
e ao não encarar a tua luz
me vingasse por dentro
daquilo a que a dor me reduz

domingo, outubro 12, 2008

O difícil caminho por entre os pássaros


Coligia poemas dos teus lábios,
colhidos directamente
gota a gota
da tua voz.

Era ali,
exactamente ali,
que desciam ingremes a canções.

Ali, exactamente ali,
onde anunciavas o espanto
aos que, como eu,
te cobriam os olhos
da luz dos dias
para que não cegasses.

domingo, outubro 05, 2008

O trilho das lágrimas

Segue o trilho das lágrimas
no avesso do Sol,
na mira das cinzas.
Sente-as na língua,
na curva do pescoço,
sente-as rolar entre os destroços.

Depois voa,
como qualquer pássaro,
até te extinguires no espaço,
na tessitura do vento.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Purple Rain

"I never wanted to be your weekend lover
I only wanted to be some kind of friend, hey
Baby, I could never steel you from another
It's such a shame our friendship had to end"

Prince Roger Nelson

sábado, setembro 27, 2008

Pelos olhos...

[...]

Em pontas
na ponta do teu desejo,
bailando-te pelos olhos
como um beijo,
do teu corpo vai fazendo a melodia,
com a língua molhada no teu solfejo




Cadeira Parade
@ CLP
(até 30 Set)

sexta-feira, setembro 26, 2008

Doze anos

Há 12 anos atrás podia ter sido um dia feliz. Foi apenas um dia cumprido.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Outono

Percebi que o Outono havia chegado por duas folhas de plátano caídas sobre o chão. Depois vi a mulher que vende castanhas na esquina, envolta numa nuvem de fumo cinzento, apesar do sol ainda quente e das roupas que sobraram do Estio.
O Outono, como sempre, voltou no final do Verão.
Voltou o Outono, só tu não!
"Cadeira Parade"
@ Clube Literário do Porto
(até 30 Set.)

domingo, setembro 21, 2008

Absurdo


[...]

O teu corpo,
como o meu corpo,
não faz sentido.
Só faz sentido o absurdo
a lamber-me a pele.
Sufocante o vento
que me consome
e me faz acordar todos os dias
para lá do tempo.






"Cadeira Parade"
@Clube Literário do Porto
(até 30 Set.)

domingo, setembro 14, 2008

Dedicatória

[...]
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido


Ruy Belo

sábado, setembro 13, 2008

Ameaças


Há ameaças que a gente não espera que se cumpram...

domingo, setembro 07, 2008

Portas


Fecharemos, então,

as portas

e o tempo encerrar-se-á

contra o corpo

sábado, setembro 06, 2008

O teu poema



Hoje fiz-te um poema
como quem pintasse
o teu retrato.
Está igual a ti,
orgulho-me da obra feita
tem algas no lugar dos cabelos
e os olhos são
duas insinuações.

Surpreendeu-me…
não pensava fazer
assim
um filho teu!

sexta-feira, setembro 05, 2008

Poema rubi (por ser pra ti!)


Avante, Camarada, Avante
Marcha pela estrada e pela enseada
Avança, Camarada, Avança
Que é quando a gente avança
que o nosso corpo dança
e a noite dá lugar à madrugada.
Amansa, Camarada, Amansa
Que o dia foi criança,
cresceu e nele a pança,
engordou e apoplético
morreu!

quinta-feira, setembro 04, 2008

Orion

Num eixo de estrelas
o teu corpo
Orion

Num eixo de estrelas
constelação incerta
de desejos
Orion
e os teus olhos
porque só nos teus olhos
a estrela e
Orion
completa

completamente
em ti.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Parabéns a você!


Faz hoje anos que o mundo viu o meu segundo livro de poemas – “Circulação Transversa”. Tão bonitinho que ele era! Creio que os últimos exemplares existem ainda no Clube Literário do Porto e talvez algum persista ainda, perdido, na Lello.

Tem na capa uma foto tirada por mim num sábado cinzento, numa paz de cidade que é a minha.
Perdoem-me este meu desvelo de “mãe” de lhe cantar aqui os “Parabéns a você”!

terça-feira, setembro 02, 2008

Poema a uma manhã serena

Era tão serena
que lhe podíamos
beijar os olhos
sem corrermos o risco
de a sufocar.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Por que lado

Por que lado te devolves
ao peso do silêncio,
o corpo dilatado
dos poemas que não leste,
o semblante sombreado
de luzes sufocantes?

Por que lado dizes
sonhar sem alento
preso ao tempo divorciado
da paz?

"roubado" de Olhares.com

domingo, agosto 31, 2008

Obituário

Morreu o Poeta Joaquim Castro Caldas...

1956 Lisboa - 2008 Porto

Convém avisar os Ingleses...

[...]"em Orly milhões de gaivotas

não deixam voar os aviões

barricam as pistas

entopem os reactores

e é só nesses dias

que morrem poetas"


JCC

sábado, agosto 30, 2008

Urbanidades


Está tão bonito! Sinto-me honrada.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Fim de Agosto


Pede-me agora
silêncio, paz e ruínas,
obras inacabadas
na cidade onde moravas


Pede-me o céu
ou a noite,
pede-me o sangue do açoite,
pede-me a angústia do chão

Pede-me um mundo inesperado
onde o vento te sossegue a noite e a solidão

Pede-me um beijo,
o longe,
o tempo na mão

Pede que eu dou
sem culpas nem perdão.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Uma janela


Sinto-me a abafar!

Preciso urgentemente de abrir uma janela!

quarta-feira, agosto 27, 2008

Space flight



Se vieres
deixo-te entrar nu
na maresia doente
dos meus olhos

terça-feira, agosto 26, 2008

Indagações




Porque hás-de ser
tu noite
e eu caminho?

segunda-feira, agosto 25, 2008

Promiscuidades



Fui hoje avisada - o meu último livro foi encontrado "paredes meias" numa prateleira da Byblos em conluio com o livro "Eu, poeta e tu, cidade" de Pedro Homem de Mello, livro esse inteiramente dedicado à cidade do Porto.



Se soubesse que era para andar por aí em promiscuidades líricas com livros cujos poemas
são declarações à cidade que eu amo...

tinha-o publicado mais cedo!

domingo, agosto 24, 2008

Poemas de Agosto by the see III


Águas perturbadas


Talvez te encontre
numa teia de acasos,
o corpo fechado à intempérie
de afectos vagos.
Talvez então me apeteça
amar-te, tanto
como ainda poucos foram
capazes de o fazer
e entregar pele
à tua pele,
sentir na língua
o gosto do vento
e o límpido sossego
das tuas águas perturbadas.

sábado, agosto 23, 2008

Poemas de Agosto by the see II

Deve estar vento


Deve estar vento
na desordem do teu corpo,
deve estar vento
por dentro do teu corpo
lento.

Deve haver ouriços do mar,
um mar de algas,
sargaço no teu encalço e
uma luz mortiça para te abraçar.

Deves ter tempo
para te perderes no areal
de desejos incontidos e
de corações feridos
pelo sul e pelo sal.

Deve estar vento
no olhar desordenado
com que te escondes
de mim e do pecado
e entornas o tempo
sobre outro tempo
na fuga do teu corpo contra
o vento.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Silly season... silly posts... :)

Porque há imagens que valem mais que mil palavras...

Ui!

Auch!

Agora a sério... Parabéns!

quinta-feira, agosto 21, 2008

Cacela (ou... Poemas de Agosto by the sea)

Algarve


Ali o tempo era infinito,
não havia olhos
nem pecados de se olhar,
não havia desejos bravios
nem nada de bravio para desejar,
ali o tempo perdia-se com as ondas do mar.

Ali o tempo não tinha tempo
nem jeito de se contar,
ali o tempo perdia-se entre os dedos
como a areia que infinita se devolvia ao mar.

Ali o tempo não acabava nunca!

quarta-feira, agosto 20, 2008


A marcha silenciosa do poema

Todo o dia procurei por ti,
persegui-te em ruas escusas
da cidade,
junto à ponte e

mais além,
na pequena marina
de barcos pobres
onde achei que te iria encontrar.

Busquei por ti sob este sol de Agosto
no arrostar do mar junto à Foz,
na Cantareira à espera que tu
ou uma garça por ti…

Mas todo o dia me faltaste,
todo o dia eu não te vi…