sábado, março 28, 2009

"Love breaks the wings of a butterfly on a wheel"

A pequena borboleta pousou sobre o meu olho esquerdo, beijou-o com avidez, lábios húmidos e quentes.

Sub-repticiamente as nossas mãos entrelaçaram-se e assim permaneceram alguns segundos, tocando a pele da face, discutindo a maciez das texturas.

Saudades da pequena borboleta, húmida e breve toda envolta no teu perfume.

quarta-feira, março 25, 2009

Haikus

A Inês Ramos do Porosidade Etérea lançou um desafio: escrever haikus. Estes caracterizam-se por serem poemas de 3 estrofes: 5-7-5 sílabas. Hoje foram publicados e interpretados pelo "diseur" Luís Gaspar. Nem todos obedeceram à regra silábica mas ainda assim tem lá textos bem interessantes.

Estão aqui , o meu é o sexto. Gostei de o ouvir dito! Obrigada ao Luís Gaspar o dizer bem!

Sente o corpo aberto
já nele ninguém reside,
só um coração bate.

sábado, março 21, 2009

"Que a música esteja sempre connosco"

Muito bom! Gostei muito!



Uma bela emoção!





Urgeeeeeeennnnteeeeeee!!!!

Urgente

Urgente?
Urgente
é o pão na boca do pobre,
urgente
é o céu
que a todos nos cobre,
urgente
é a mão que afaga
e me acode,
urgente
é o não que
na língua me morde.

Urgente?
Nada é urgente
senão a sorte.
Urgente
é o passo
com que fujo da morte,
urgente
é a ausência
de mim e o desnorte,
urgente
é a demência
que em mim se faz forte.

Parabéns ao compositor e aos interpretes e,

pela minha parte, muito obrigada!

sexta-feira, março 20, 2009

Hoje na O.M. - Entrada livre

Dia 20 de Março decorrerá no Salão Nobre do Centro de Cultura e Congressos da ordem dos Médicos – Secção Regional do Norte, (Rua Delfim Maia, nº 405 Porto) ao jardim de Arca d’água, pelas 21H30, concerto para voz e piano cujo programa e notas seguem abaixo. A entrada é livre e limitada aos lugares existentes.

CECÍLIA FONTES – Soprano
JOSÉ PARRA – Piano

PROGRAMA

PARTE I

Urbanidades:* Rui Soares da Costa (1958 - )
(Alexandra Malheiro)
· Balada
· Pressenti-te
· Urgente

Folhas caídas: Rui Soares da Costa
(Almeida Garrett)
· Os cinco sentidos*
· Barca bela
· Voz e aroma

Dois Sonetos: Rui Soares da Costa
(Florbela Espanca)
· Desejos vãos
· Vaidade

Seis Canciones:** Angel Oliver (1937-2005)
· Donde está mi amor?
(M Vegas Asin)
· Pajarita de las nieves
(J. Lacomba)
· Llega al llano
(J. Lacomba)
· Amiga amapola
(J. Lacomba)
· “Remansillo”
(Federico Garcia Lorca)
· Canción de juventud
(F Villaespesa)

PARTE II

Cuatro Canciones:** Angel Oliver
(M. de Unamuno)
· Alégrate corazón
· Flor cerrada
· En la ribera del lago
· Ay, esa flor


Aurora boreal* Rui Soares da Costa
(António Gedeão)



Canciones para niños: Xavier Montsalvadge (1912-2002)
(Federico Garcia Lorca)
· Paisaje
· El lagarto está llorando
· Caracola
· Cancion tonta
· Cancion China en Europa
· Cancioncilla Sevillana


*1ª audição mundial
**1ª audição em Portugal



Notas ao Programa:

Xavier Montsalvatge (1912-2002)

É um dos compositores mais representativos da chamada “geração perdida”, aquela apanhada entre o grupo de compositores activos antes do fascismo espanhol e os criadores mais actuais. A sua música tem uma notória projecção internacional, sendo considerado uma referência na cena musical contemporânea. O seu ciclo Cinco Canciones Negras (1945) terá sido um dos principais responsáveis pelo crescimento da sua notoriedade além fronteiras. Este ciclo marcou o início de um período pós-nacionalista, que mais tarde evoluiu para uma “fase antilhana”, na qual são notáveis os elementos estilísticos afro-americanos autóctones das ilhas das Antilhas e das Caraíbas. Durante o seu longo percurso foi ecléctico na sua escolha de materiais e de inspirações, tendo partido da herança wagneriana, para posteriormente abraçar o serialismo, o impressionismo, o politonalismo e a estética irreverente dos Les Six.


O ciclo de Canciones para Niños (1953) que hoje ouviremos, sobre poemas de Federico García Lorca, está tingido de um espírito brincalhão, próprio de Satie ou de Poulenc, impregnado de referências surrealistas, e adornado com um certo “exotismo” musical.

Ángel Oliver Pina (1937 – 2005)

Pedagogo, organista, pianista, director de coros e conferencista, são algumas das múltiplas facetas deste compositor espanhol.
Ilustre aluno de Cristobal Halffter e de Petrassi, em composição, e de Jesús Guridi no orgão, este compositor aragonês desenvolveu igualmente uma notável actividade como editor de materiais para o ensino.
Das suas obras, ele próprio dizia que eram "o resultado da necessidade premente de expressão que todo o criador possui, um reflexo da sua vida, dos sofrimentos, das inquietações e das alegrias que ela traz”.
Os dois ciclos de canções que constam do programa recolhem a herança do nacionalismo, com uma escolha de poemas que encontram o seu fio condutor na descrição da vida simples do campo. A música, na sua aparente simplicidade, é o resultado de um trabalho minucioso; uma escrita orgânica e idiomática para a voz e para o piano, um uso rico e depurado da harmonia.

Rui Soares da Costa (1958 - )

Desde cedo se interessou pela Composição, tendo estudado no Conservatório de Música do Porto com Maria Teresa Macedo e Cândido Lima.


Os “Sonetos de Florbela Espanca” (1994) e o ciclo “Folhas Caídas” (2000) com textos de Almeida Garrett, são o resultado da evolução da linguagem utilizada nos “Sonetos” de Luís de Camões (1980), de inspiração impressionista, mas procurando uma expressão própria e uma preocupação crescente na interligação texto-música. A escolha dos textos, feita nos clássicos da literatura portuguesa, espelha bem o desejo de divulgar a nossa poesia e cultura, propósito que sempre estabeleceu desde que decidiu usar os belíssimos versos que os poetas portugueses glosaram nos últimos séculos. Nas suas obras para Canto e Piano pode assim usar a Voz como instrumento e a mensagem que ela veicula unidas na linguagem universal que é a Música.


O ciclo “Mar Portuguez” com textos de Fernando Pessoa (2002) e “Aurora Boreal” de António Gedeão (2008) foram as últimas criações utilizando os “clássicos”. Nesta última, que ouviremos em primeira audição, o autor recria as quarenta janelas da poesia em múltiplos ambientes sonoros, usando vários recursos estilísticos no Piano e na Voz, mas conseguindo um todo coerente num desafio exigente para a soprano.


“Urbanidades”(2008) são a primeira experiência com textos que, embora não sendo da autoria de um clássico, despertaram o desejo de os ilustrar em música, dada a qualidade e modernidade dos versos da poetisa Alexandra Malheiro. Este ciclo é também apresentado em primeira audição. A primeira das três canções que compõem o ciclo, pretende lembrar o ambiente das baladas francesas de um Trenet e outros no período entre guerras, que tantos corações fizeram bater mais depressa nesses anos únicos do século XX. A segunda é uma “plaisenterie” aos telemóveis, onde poderemos reconhecer facilmente a “Nokia tune” que todos os dias nos entra pelos ouvidos nos lugares mais inimagináveis, mas aqui tratada de uma forma jazzística e intimamente ligada à poesia. Na terceira canção a urgência é o mote e, desde o início, com a ambulância a gritar até à premência que é exigida à cantora, sente-se uma instabilidade quase hemodinâmica que nos deixa sem fôlego.

sexta-feira, março 13, 2009

"Vision over visibility"

New York, New York!


Não conheço Nova Iorque, nunca lá estive, nunca sequer passei lá perto. Não sei da cor das casas, do imenso tamanho das avenidas, das pessoas incríveis e estranhas que passam ausentes pela cidade. Nunca vi as torres gémeas nem o ground zero depois delas, nunca me vi naquele cinzento com o sol a tentar romper abafado entre os prédios altos demais.

Ontem falaste-me de Nova Iorque “ah… Nova Iorque, Nova Iorque!” – dizias. Quero lá saber de Nova Iorque! Quero é saber da cor dos teus olhos e se lá dentro dormem princesas ou assassinos, se os deixas levar por correntes e aluviões ou se os prendem misérias ao cais como mãos que se estendem de espanto e desolação. Não me interessa Nova Iorque o os seus Sinatras a espalhar a notícia, não quero saber.

Apaga-lhe, esta noite, os neons e acende antes os teus olhos entre nós dois, como um feixe de luz que há-de arder depois no meu peito, só essa luz pequena, desusada, dos teus olhos, a deixar que as estrelas surjam pisca-pisca no firmamento, em vez do exagero luminoso da cidade.

Quero lá saber de Nova Iorque.

Amanhã parto para lá!
Texto inédito cuja revelação
foi prometida em jantar by the river
(lembras-te ou é como a cena das garças? :P)

terça-feira, março 10, 2009

A poesia tem género - O rescaldo (Parte II)

Ora então as primeiras imagens para ilustrar a coisa.









A mesa "dos noivos" - da esquerda para a direita: Minês Castanheira, César Príncipe, Ana Luísa Amaral e myself.





A salinha cheia a saír pela porta...

segunda-feira, março 09, 2009

A poesia tem género? - O rescaldo (Parte I)

Tal como expresso no post anterior estive ontem no Clube Literário do Porto, a convite da minha amiga Clara Henriques, numa animada tertúlia, a propósito do dia Internacional da Mulher, onde se discutiu a Poesia no Feminino e se esta tem ou não género.

Nesta viagem participaram a Minês Castanheira e a Ana Luísa Amaral e o moderador (macho, pois claro, para equilibrar a balança) César Príncipe. Se me arranjarem fotos do dito evento conto colocar aqui uma ou duas para ilustrar a coisa.

Gostei muito: pelo tema, pela participação e preserverança do público que encheu a sala e não arredou pé apesar do grande atraso (que foi necessário por uma das intervenientes ter ficado literalmente presa no trânsito durante tempo infindo), pelo entardecer sobre o Douro a ouvir poesia.

Ontem fez-se poesia no Clube e isso foi muito bonito!

Os agradecimentos vão todos para a Clara pelo trabalho gracioso de quem ama a poesia, pela paciencia e pela amizade e a todos os que se deslocaram lá e ali ficaram até ao fim firmes e hirtos fazendo parte do poema, poemando em conjunto. Entre eles alguns amigos e outros que gostei de conhecer. Bem hajam!


Se calhar por isso apetece-me um poema da Ana Luísa Amaral (que eu não conhecia pessoalmente e é uma simpatia):


Tento empurrar-te de cima do poema

para não o estragar na emoção de ti:

olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,

a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.


Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:

tudo coisas de ti, mas coisas de partir...

E o meu alarme nasce: e se morreste aí,

no meio de chão sem texto que é ausente de ti?


E se já não respiras? Se eu não te vejo mais

por te querer empurrar, lírica de emoção?

E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?

E se tu não estiveres onde o poema está?


Faço eroticamente respiração contigo:

primeiro um advérbio, depois um adjectivo,

depois um verso todo em emoção e juras.

E termino contigo em cima do poema,

presente indicativo, artigos às escuras.

sábado, março 07, 2009

Poesia no Feminino no Clube Literário do Porto


O Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22) vai comemorar o dia Internacional da Mulher com uma tertúlia intitulada Poesia no Feminino – a Poesia tem género?. O evento contará com a presença das autoras Alexandra Malheiro, Ana Luísa Amaral e Minês Castanheira, estando a moderação a cargo do jornalista e escritor César Príncipe.
Promete-se muita poesia, conversa, partilha de sensibilidades poéticas entre mulheres e homens, esperando-se forte participação do público e algumas surpresas.
Dia 8 de Março, pelas 17h00, no auditório do CLP. Apareça!

Organização: Clara Henriques

sexta-feira, março 06, 2009

Última vez!

"Once theres was a time... to get back home..."

Ainda antes da Primavera
já a magnólia perdeu a flor.
Antes, porém,
ela se abrirá, pétala a pétala
e o seu perfume inundará o jardim.

Despetalada pelos primeiros ventos
só esse olor permanecerá na lembrança.

quarta-feira, março 04, 2009

Outra vez...

Está uma Magnólia a viver na praça...

domingo, março 01, 2009

Magnólia

Não gosto de repetir poemas nem textos no blog, mas vou abrir uma excepção: não porque o poema seja excepcionalmente bom, pelo contrário, é banal, mas sim porque o postei pela primeira vez faz muito tempo (já ninguém se há-de lembrar dele) e porque as Magnólias já estão em flor (e eu gosto de comemorar estranhas efemérides...)


Fala-me da mulher
que jaz nua
sob a magnólia branca.

Fala-me dos seus olhos
cor de vento
que esperam os teus
pelos declives do Inverno.

Fala-me da mulher
cujo corpo repousa
entre os teus dedos

diz-me da nudez dos
seus seios, da palidez
da sua pele, diz-me do cheiro
à magnólia que, como a ela,
vais despetalando
pela noite dentro enquanto
a lua se abre plena
para enlaçar solícita
os amantes desnudados.

domingo, fevereiro 08, 2009

Precisava de acreditar

"Boletim meteorológico


anunciou calor


não vou duvidar.


Faz sentido no meu


sistema solar"




Jorge Palma

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Shadows in the rain





Vou avançar na tua direcção,
não te movas,
estou certa que não te alcanço.







foto by R. Coelho

terça-feira, fevereiro 03, 2009

O Passado é um tempo sem Futuro

Às vezes sentia-te a falta,
numa página
ou num poema,
ficavas como um silêncio
ou um espaço em branco,
uma sílaba faltosa,
a palavra inacabada.


Às vezes eu erguia o aparo,
a caneta,
apontava-te o bico e tu…
nada,
nem uma letra
para acalmar-me a angústia
da tua ausência.

Às vezes pensava bater-te
à máquina,
ligar o computador
e substitui-te em gerúndio
a palavra do amor…

fazendo…

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Tão pouco

Sei tão pouco
dos poemas que te escrevo,
a palavra eriçada,
coberta de cinza na língua
que não sabemos pronunciar.

Sei tão pouco dos teus dedos,
onde se prolonga a pele
sedenta de mais pele,
reduzindo a escombros o sol.

Sei tão pouco dos teus olhos,
lugar de silêncios onde
se guarda a penumbra e
se acertam os passos,
vagarosos conta-gotas do infinito.

Sei tão pouco de mim
que me inundam estas
lágrimas por dentro,
sôfregas, centrífugas,
serpenteando caminhos
rumo ao incêndio.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

"I can't stand the rain against my window"

Tenho preferido preencher o blog com textos ou poemas inéditos, mas hoje, face ao tempo tão inóspito, não pude deixar de me lembrar de quando escrevi um certo poema que aqui deixo hoje, por não poder ser de outra maneira...

Divagações
II

Chove.
Nem posso acreditar
como chove a minha cidade,
chove em mim
e chove sobre todos...
nem posso acreditar
o quanto chove esta cidade...
Se ao menos chovesse anjos,
ou estrelas,
ou almas...
Mas nada.
Nada mais que a fria chuva
que me molha
e que molha a minha cidade
em que chove, chove, chove.
Nem posso acreditar
o quanto a minha cidade chove...

in
"Sombras de Noite"

terça-feira, janeiro 27, 2009

Casa dos Poetas - Momento de auto-exibição


É bonito quando alguém nos encontra


um Poema.
Obrigada.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Momento de Pub

Os dias do Amor

Um poema para cada dia do ano
365 poemas de amor escritos por 365 poetas de todos os tempos e de todos os lugares

Recolha, selecção e organização de: Inês Ramos
Prefácio de: Henrique Manuel Bento Fialho
N.º de páginas: 436
Editora: Ministério dos Livros

A primeira apresentação da Antologia de Poesia “Os dias do Amor – Um poema para cada dia do ano” vai ter lugar já no próximo dia 29 de Janeiro, na Fnac do Colombo, pelas 18h30m.

Nesta sessão de apresentação haverá leitura de poemas da antologia por Maria do Céu Guerra, Álvaro Faria, Cristina Paiva, João Brás e Tiago Bensetil.Estão agendadas outras apresentações nos seguintes dias e locais:

Gaia: El Corte Inglés, 5 de Fevereiro, 19h30m

Viseu: Fnac Palácio do Gelo, 6 de Fevereiro, 21 horas

Faro: Livraria Pátio de Letras, 14 de Fevereiro, 17 horas

Évora: Bibliocafé Intensidez, 14 de Fevereiro, 21h30m


sábado, janeiro 24, 2009

A páginas tantas... (uma carta bicéfala de memórias tantas)

Era Janeiro frio em Lisboa, lembras-te? Tu sim, tu não! Estoril – Lisboa, pela marginal, o forte de São Julião da Barra e Lisboa ainda tão longe e o tempo ainda tão breve. O coração a estremecer de frio dentro do peito. Lembras-te? Decerto não.
A bilheteira acesa, a mão a palpar bilhetes na algibeira, o coração ainda a estremecer no peito.
Jantar sem fome, sentir o frio na descida, os dedos a sossegar bilhetes no bolso do casaco. A espera à porta, um nunca-mais de tempo, Jardim de Inverno, palco vazio, ajeitar o nó da gravata para aliviar o nó da garganta. Olhar radar pela sala inteira, sorrisos cúmplices, o abraço ténue? – Lembras-te? Eu sei que sim.
Luzes que acendem, um beijo soprado – Lembras-te? Claro que não.

“I heard there was a secret chord
that david played and it pleased the lord
but you don't really care for music, do you?”

O coração agora a arder no peito.

“E tu, gata borralheira”, sorrias cúmplice no fim da sala! Sorrimos cúmplices…

O saxofone, o contrabaixo, a solidão, a solidão, a solidão…

“well it goes like this the fourth, the fifth
the minor fall and the major lift”

E o coração agora a arder no peito! Lembras-te? Tu sim, tu decerto já não!

“the baffled king composing hallelujah”

A rosa inventada, lembras-te? Claro que não! Eu sim, tu não!

Esperar de novo, o fim tão louco, placas estampadas, o frio de novo. Um táxi que parte rumo ao nada.

E de repente, o bairro inteiro, tu nele cruzando-o de lés a lés, olhos tão vivos, sorriso longo – Lembro-me sim, lembro tão bem!

"Bairro alto aos seus amores tão devotado"

E a páginas tantas o bar já quente, o chocolate, a mesa ao fundo – lembras-te? O reservado e os nossos olhos cruzando-se. O telemóvel – Hallelujah! Hallelujah!

Um táxi atravessando os vermelhos – “é naquele quarto que falo contigo” – uma luz, qualquer lugar – ainda te lembras? Decerto sim!

Fim de uma noite, quarto de hotel, adormecer o cansaço na solidão da noite. Quatro da manhã, lembras-te? Nem eu!

“Incondicional” – nunca foi, nem é. Mas guardo-te, até hoje, no coração a tremer de frio.

A ti também, claro que sim, mas sem frio no coração!