domingo, fevereiro 08, 2009

Precisava de acreditar

"Boletim meteorológico


anunciou calor


não vou duvidar.


Faz sentido no meu


sistema solar"




Jorge Palma

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Shadows in the rain





Vou avançar na tua direcção,
não te movas,
estou certa que não te alcanço.







foto by R. Coelho

terça-feira, fevereiro 03, 2009

O Passado é um tempo sem Futuro

Às vezes sentia-te a falta,
numa página
ou num poema,
ficavas como um silêncio
ou um espaço em branco,
uma sílaba faltosa,
a palavra inacabada.


Às vezes eu erguia o aparo,
a caneta,
apontava-te o bico e tu…
nada,
nem uma letra
para acalmar-me a angústia
da tua ausência.

Às vezes pensava bater-te
à máquina,
ligar o computador
e substitui-te em gerúndio
a palavra do amor…

fazendo…

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Tão pouco

Sei tão pouco
dos poemas que te escrevo,
a palavra eriçada,
coberta de cinza na língua
que não sabemos pronunciar.

Sei tão pouco dos teus dedos,
onde se prolonga a pele
sedenta de mais pele,
reduzindo a escombros o sol.

Sei tão pouco dos teus olhos,
lugar de silêncios onde
se guarda a penumbra e
se acertam os passos,
vagarosos conta-gotas do infinito.

Sei tão pouco de mim
que me inundam estas
lágrimas por dentro,
sôfregas, centrífugas,
serpenteando caminhos
rumo ao incêndio.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

"I can't stand the rain against my window"

Tenho preferido preencher o blog com textos ou poemas inéditos, mas hoje, face ao tempo tão inóspito, não pude deixar de me lembrar de quando escrevi um certo poema que aqui deixo hoje, por não poder ser de outra maneira...

Divagações
II

Chove.
Nem posso acreditar
como chove a minha cidade,
chove em mim
e chove sobre todos...
nem posso acreditar
o quanto chove esta cidade...
Se ao menos chovesse anjos,
ou estrelas,
ou almas...
Mas nada.
Nada mais que a fria chuva
que me molha
e que molha a minha cidade
em que chove, chove, chove.
Nem posso acreditar
o quanto a minha cidade chove...

in
"Sombras de Noite"

terça-feira, janeiro 27, 2009

Casa dos Poetas - Momento de auto-exibição


É bonito quando alguém nos encontra


um Poema.
Obrigada.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Momento de Pub

Os dias do Amor

Um poema para cada dia do ano
365 poemas de amor escritos por 365 poetas de todos os tempos e de todos os lugares

Recolha, selecção e organização de: Inês Ramos
Prefácio de: Henrique Manuel Bento Fialho
N.º de páginas: 436
Editora: Ministério dos Livros

A primeira apresentação da Antologia de Poesia “Os dias do Amor – Um poema para cada dia do ano” vai ter lugar já no próximo dia 29 de Janeiro, na Fnac do Colombo, pelas 18h30m.

Nesta sessão de apresentação haverá leitura de poemas da antologia por Maria do Céu Guerra, Álvaro Faria, Cristina Paiva, João Brás e Tiago Bensetil.Estão agendadas outras apresentações nos seguintes dias e locais:

Gaia: El Corte Inglés, 5 de Fevereiro, 19h30m

Viseu: Fnac Palácio do Gelo, 6 de Fevereiro, 21 horas

Faro: Livraria Pátio de Letras, 14 de Fevereiro, 17 horas

Évora: Bibliocafé Intensidez, 14 de Fevereiro, 21h30m


sábado, janeiro 24, 2009

A páginas tantas... (uma carta bicéfala de memórias tantas)

Era Janeiro frio em Lisboa, lembras-te? Tu sim, tu não! Estoril – Lisboa, pela marginal, o forte de São Julião da Barra e Lisboa ainda tão longe e o tempo ainda tão breve. O coração a estremecer de frio dentro do peito. Lembras-te? Decerto não.
A bilheteira acesa, a mão a palpar bilhetes na algibeira, o coração ainda a estremecer no peito.
Jantar sem fome, sentir o frio na descida, os dedos a sossegar bilhetes no bolso do casaco. A espera à porta, um nunca-mais de tempo, Jardim de Inverno, palco vazio, ajeitar o nó da gravata para aliviar o nó da garganta. Olhar radar pela sala inteira, sorrisos cúmplices, o abraço ténue? – Lembras-te? Eu sei que sim.
Luzes que acendem, um beijo soprado – Lembras-te? Claro que não.

“I heard there was a secret chord
that david played and it pleased the lord
but you don't really care for music, do you?”

O coração agora a arder no peito.

“E tu, gata borralheira”, sorrias cúmplice no fim da sala! Sorrimos cúmplices…

O saxofone, o contrabaixo, a solidão, a solidão, a solidão…

“well it goes like this the fourth, the fifth
the minor fall and the major lift”

E o coração agora a arder no peito! Lembras-te? Tu sim, tu decerto já não!

“the baffled king composing hallelujah”

A rosa inventada, lembras-te? Claro que não! Eu sim, tu não!

Esperar de novo, o fim tão louco, placas estampadas, o frio de novo. Um táxi que parte rumo ao nada.

E de repente, o bairro inteiro, tu nele cruzando-o de lés a lés, olhos tão vivos, sorriso longo – Lembro-me sim, lembro tão bem!

"Bairro alto aos seus amores tão devotado"

E a páginas tantas o bar já quente, o chocolate, a mesa ao fundo – lembras-te? O reservado e os nossos olhos cruzando-se. O telemóvel – Hallelujah! Hallelujah!

Um táxi atravessando os vermelhos – “é naquele quarto que falo contigo” – uma luz, qualquer lugar – ainda te lembras? Decerto sim!

Fim de uma noite, quarto de hotel, adormecer o cansaço na solidão da noite. Quatro da manhã, lembras-te? Nem eu!

“Incondicional” – nunca foi, nem é. Mas guardo-te, até hoje, no coração a tremer de frio.

A ti também, claro que sim, mas sem frio no coração!


quinta-feira, janeiro 22, 2009

Os dias do Amor

terça-feira, janeiro 20, 2009

Obama nas alturas!

Amén!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Memorabilia

O ano de 2008 foi um ano mau. Felizmente não me morreu ninguém, ninguém ficou doente, não houve falências, desemprego e desgraças na minha família directa, mas ainda assim foi, para mim, um ano mau. Um ano afectivamente mau, não guardo dele boas memórias e, no seu final, arrastava-se penoso continuar nele, queria muito que acabasse a ver se o novo ano seria melhor.


No mundo nada aponta para isso e, no meu mundo particular, também não, mas agarrei-me a um estranho acreditar (logo eu que sou tão pouco dada à crença futil, não alicerçada cientificamente) que me assaltou com mais vigor no último dia do ano. Nesse dia contam-se pelos dedos de uma só mão as pessoas a quem telefonei ou mandei mensagem e a todos a quem o fiz fi-lo com um propósito específico, o de dar o meu Amor (e com isso perceber que era ainda capaz de Amar). Se morresse naquele dia não gostaria que algumas pessoas ficassem sem que eu lhes dissesse isso mesmo: que os amava.


Olhei, todo o dia, com certo desdém a ideia comemorativa, os preparos para as várias festas dos que iam passar a noite a festejar o novo ano. Se o meu ano fora mau e no escuro de mim não divisava nada a que me pudesse agarrar em como o ano novo seria melhor, o que iria eu comemorar? Decerto nada.


Precisava de catarse, procurei-a e tive-a.


Passei o ano a 180Km/H no meio de nenhures a ver fogo de artífício sabe-deus-de-onde, à direita e à esquerda, tentando conectar-me ao meu mundo com as mãos, os ouvidos e o céu; a caminho de abraços sem os quais seria penoso não passar o ano e que foram, afinal, os primeiros abraços do ano. Encontrei ainda memórias velhinhas, adolescentes, de gente que já partiu e de um mar tão tão azul que um dia pensei ter lá perdido os olhos para sempre. Valeu a pena, claro que sim.

Se tivesse banda sonora para estes sentimentos teria sido esta, da Mafalda Veiga (hoje deu-me para isto por ontem ter estado no Coliseu a ouvi-la) e hoje "dedico-o" à Clara, já que o poema que lhe queria escrever hoje está apenas começado e também porque será provavelmente a única pessoa capaz de perceber a ideia, o poema e porque o escolhi.


Uma noite para comemorar


Esta é só uma noite para partilhar
qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
um lugar a salvo para onde correr
quando nada bate certo
e se fica a céu aberto
sem saber o que fazer
esta é uma noite pra comemorar
qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
um lugar pra nós onde demorar
quando nada faz sentido
e se fica mais perdido
e se anseia pelo abraço de um amigo
esta é uma noite para me vingar
do que a vida foi fazendo sem nos avisar
foi-se acumulando em fotografias
em distâncias e saudade
numa dor que nunca cabe
e faz transbordar os dias
esta é uma noite para me lembrar
que há qualquer coisa infinita como o firmamento
um sorriso, um abraço
que transcende o tempo
e ter medo como dantes
de acordar a meio da noite
a precisar de um regaço
Mafalda Veiga

terça-feira, janeiro 13, 2009

Diário de bordo?

Fiz várias tentativas de transformar este blog num conjunto de poemas, citações ou situações mais ou menos livres acompanhadas de uma imagem para arejar as coisas.
Porém, às vezes tenho saudade do tempo em que fazia dos blogues um espaço de diário de bordo dos inexplicáveis caminhos por onde o meu pensamento se sacode.
Este post não é nem uma coisa nem outra, daqui em diante veremos que vence.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Memórias de Inverno

Faço ideia do quanto te deves
ter perdido hoje,
cheio de frio,
a tiritar de neve sobre o cabelo,
o quanto hás-de ter gemido
encolhendo os ombros
face à tempestade.

Ter-te-ás lembrado
daquela noite em que a lua
entrava pelos cantos da casa
mas só se lhe abrisses a porta
e tiveste medo
de o fazer
para não enregelares?

Ter-te-ás lembrado
do tempo em que entre nós
o verbo era sozinho
o corpo que amaciava o silêncio
em que por vezes
te consumias no fumo
improvisado à ansiedade

Eu lembro-me de ti
em dias como o de hoje,
frio, neve, gelo
e a tua voz,
tremenda,

tremendo-me!

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Blackbird singing in the dead of the night!

A esta hora um pássaro crocita
rasgando a noite
com a sua vozita
escanada
e inquieta,
sozinho,
um pássaro na noite
enquanto eu tento
concentrar-me num poema:
uma coisa ilustre
que falasse das deambulações
da luz sobre o teu rosto
e do gosto
metálico da lua
nos teus olhos cerrados,
elucubração profunda
sobre as pontas dos teus dedos
tacteando lugares dentro de mim,
mas o pássaro insiste
em perturbar-me a noite
desequilibrando a estética,
dialética
e anacrónica do poema.
Logo hoje que eu pretendia escrever
sobre a ínfima fímbria
a descoberto no teu sorriso!

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Good vibes for the New Year!

Uma vénia ao Ano Novo (esperando que este seja merecedor dela)

Energia vinda directamente do Caribe!

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Votos para o Ano Novo

Agora que está calada a cidade
dos infernais ruídos da urbanidade
que o sol se encerra atrás do vidro
fechadas as portadas à luz
falemos nós,
faltamos nós,
a entreter com palavras
o silêncio que tememos
desvendar enquanto sós.
Percebo-te tanto quando te olho
e o teu corpo um limite finito de ti.
Percebo-te tanto quando te abraço
e não falas por falarem-me
os teus olhos por ti.

sábado, dezembro 27, 2008

Pensamentos ociosos

- Como se rompe um bloqueio?

- Como se abrem os braços sem nos deixarmos violar?

- Como fechar o abraço sem sentirmos que é o último?

sexta-feira, dezembro 26, 2008

"Carregado de vento"



Com a devida vénia transcrevo (de autora de quem muito gosto)

Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passo

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa

e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.

Maria do Rosário Pedreira
in
"O canto do vento nos ciprestes"

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Feliz Natal


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