
domingo, fevereiro 15, 2009
domingo, fevereiro 08, 2009
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
terça-feira, fevereiro 03, 2009
O Passado é um tempo sem Futuro
numa página
ou num poema,
ficavas como um silêncioou um espaço em branco,
uma sílaba faltosa,
a palavra inacabada.
a caneta,
apontava-te o bico e tu…
nada,
nem uma letra
para acalmar-me a angústia
da tua ausência.
Às vezes pensava bater-te
à máquina,
ligar o computador
e substitui-te em gerúndio
a palavra do amor…
fazendo…
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Tão pouco
Sei tão poucodos poemas que te escrevo,
a palavra eriçada,
coberta de cinza na língua
que não sabemos pronunciar.
Sei tão pouco dos teus dedos,
onde se prolonga a pele
sedenta de mais pele,
reduzindo a escombros o sol.
Sei tão pouco dos teus olhos,
lugar de silêncios onde
se guarda a penumbra e
se acertam os passos,
vagarosos conta-gotas do infinito.
Sei tão pouco de mim
que me inundam estas
lágrimas por dentro,
sôfregas, centrífugas,
serpenteando caminhos
rumo ao incêndio.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
"I can't stand the rain against my window"
Tenho preferido preencher o blog com textos ou poemas inéditos, mas hoje, face ao tempo tão inóspito, não pude deixar de me lembrar de quando escrevi um certo poema que aqui deixo hoje, por não poder ser de outra maneira...Chove.
Nem posso acreditar
como chove a minha cidade,
chove em mim
e chove sobre todos...
nem posso acreditar
o quanto chove esta cidade...
Se ao menos chovesse anjos,
ou estrelas,
ou almas...
Mas nada.
Nada mais que a fria chuva
que me molha
e que molha a minha cidade
em que chove, chove, chove.
Nem posso acreditar
o quanto a minha cidade chove...
in
terça-feira, janeiro 27, 2009
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Momento de Pub
Os dias do AmorUm poema para cada dia do ano
365 poemas de amor escritos por 365 poetas de todos os tempos e de todos os lugares
Recolha, selecção e organização de: Inês Ramos
Prefácio de: Henrique Manuel Bento Fialho
N.º de páginas: 436
Editora: Ministério dos Livros
A primeira apresentação da Antologia de Poesia “Os dias do Amor – Um poema para cada dia do ano” vai ter lugar já no próximo dia 29 de Janeiro, na Fnac do Colombo, pelas 18h30m.
Nesta sessão de apresentação haverá leitura de poemas da antologia por Maria do Céu Guerra, Álvaro Faria, Cristina Paiva, João Brás e Tiago Bensetil.Estão agendadas outras apresentações nos seguintes dias e locais:
Gaia: El Corte Inglés, 5 de Fevereiro, 19h30m
Viseu: Fnac Palácio do Gelo, 6 de Fevereiro, 21 horas
Faro: Livraria Pátio de Letras, 14 de Fevereiro, 17 horas
Évora: Bibliocafé Intensidez, 14 de Fevereiro, 21h30m
sábado, janeiro 24, 2009
A páginas tantas... (uma carta bicéfala de memórias tantas)
A bilheteira acesa, a mão a palpar bilhetes na algibeira, o coração ainda a estremecer no peito.
Jantar sem fome, sentir o frio na descida, os dedos a sossegar bilhetes no bolso do casaco. A espera à porta, um nunca-mais de tempo, Jardim de Inverno, palco vazio, ajeitar o nó da gravata para aliviar o nó da garganta. Olhar radar pela sala inteira, sorrisos cúmplices, o abraço ténue? – Lembras-te? Eu sei que sim.
Luzes que acendem, um beijo soprado – Lembras-te? Claro que não.
O coração agora a arder no peito.
“E tu, gata borralheira”, sorrias cúmplice no fim da sala! Sorrimos cúmplices…
O saxofone, o contrabaixo, a solidão, a solidão, a solidão…
E o coração agora a arder no peito! Lembras-te? Tu sim, tu decerto já não!
Esperar de novo, o fim tão louco, placas estampadas, o frio de novo. Um táxi que parte rumo ao nada.
E de repente, o bairro inteiro, tu nele cruzando-o de lés a lés, olhos tão vivos, sorriso longo – Lembro-me sim, lembro tão bem!
"Bairro alto aos seus amores tão devotado"
E a páginas tantas o bar já quente, o chocolate, a mesa ao fundo – lembras-te? O reservado e os nossos olhos cruzando-se. O telemóvel – Hallelujah! Hallelujah!
Um táxi atravessando os vermelhos – “é naquele quarto que falo contigo” – uma luz, qualquer lugar – ainda te lembras? Decerto sim!
Fim de uma noite, quarto de hotel, adormecer o cansaço na solidão da noite. Quatro da manhã, lembras-te? Nem eu!
A ti também, claro que sim, mas sem frio no coração!
quinta-feira, janeiro 22, 2009
terça-feira, janeiro 20, 2009
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Memorabilia

terça-feira, janeiro 13, 2009
Diário de bordo?
Fiz várias tentativas de transformar este blog num conjunto de poemas, citações ou situações mais ou menos livres acompanhadas de uma imagem para arejar as coisas.Porém, às vezes tenho saudade do tempo em que fazia dos blogues um espaço de diário de bordo dos inexplicáveis caminhos por onde o meu pensamento se sacode.
Este post não é nem uma coisa nem outra, daqui em diante veremos que vence.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Memórias de Inverno
Faço ideia do quanto te devester perdido hoje,
cheio de frio,
a tiritar de neve sobre o cabelo,
o quanto hás-de ter gemido
encolhendo os ombros
face à tempestade.
daquela noite em que a lua
entrava pelos cantos da casa
mas só se lhe abrisses a porta
e tiveste medo
de o fazer
para não enregelares?
Ter-te-ás lembrado
do tempo em que entre nós
o verbo era sozinho
o corpo que amaciava o silêncio
em que por vezes
te consumias no fumo
improvisado à ansiedade
Eu lembro-me de ti
em dias como o de hoje,
frio, neve, gelo
e a tua voz,
tremenda,
tremendo-me!
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Blackbird singing in the dead of the night!
A esta hora um pássaro crocitarasgando a noite
com a sua vozita
escanada
e inquieta,
sozinho,
um pássaro na noite
enquanto eu tento
concentrar-me num poema:
uma coisa ilustre
que falasse das deambulações
da luz sobre o teu rosto
e do gosto
metálico da lua
nos teus olhos cerrados,
elucubração profunda
sobre as pontas dos teus dedos
tacteando lugares dentro de mim,
mas o pássaro insiste
em perturbar-me a noite
desequilibrando a estética,
dialética
e anacrónica do poema.
Logo hoje que eu pretendia escrever
sobre a ínfima fímbria
a descoberto no teu sorriso!
quinta-feira, janeiro 01, 2009
segunda-feira, dezembro 29, 2008
Votos para o Ano Novo
Agora que está calada a cidadedos infernais ruídos da urbanidade
que o sol se encerra atrás do vidro
fechadas as portadas à luz
falemos nós,
faltamos nós,
a entreter com palavras
o silêncio que tememos
desvendar enquanto sós.
Percebo-te tanto quando te olho
e o teu corpo um limite finito de ti.
Percebo-te tanto quando te abraço
e não falas por falarem-me
os teus olhos por ti.
sábado, dezembro 27, 2008
Pensamentos ociosos
sexta-feira, dezembro 26, 2008
"Carregado de vento"
Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro
onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor
Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passo
que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa
e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.
Maria do Rosário Pedreira
"O canto do vento nos ciprestes"









