quarta-feira, outubro 29, 2008

"Quem me leva os meus fantasmas?"

Devagar
deixei cair, sombriamente,
este poema no papel.
A carne ferida,
a pele dilacerada,
o sangue rompendo estrepitosamente as veias.

Uma luz apagada
num fundo de estrada
sem fim, sem começo
e o corpo no espelho,
se é meu
não conheço.





“Um nome arde tanto
de repente todos os caminhos parecem de regresso
a vida por si mesma não se pode escutar demasiado
a vida é uma questão de tempo
um sopro ainda mais frágil” […]
José Tolentino de Mendonça

Ideias tontas!

Tem estado difícil arrancar qualquer coisa para colocar aqui no blog.
No entanto ando assaltada por frases soltas que ouço ou "apanho" aqui ou ali, passou-me pela ideia pegar em "o equívoco do inconsciente" ou "quebrar o círculo" - que vos parece? Ideias geniais a acrescentar a estas?

Weird, right? ... Penso o mesmo...

sexta-feira, outubro 17, 2008

Clarão


Como se eu
te oferecesse um clarão de silêncio
e uma berma de estrada
como se eu
te entregasse em mãos uma
nesga de azul vindo directa
do mar, ou de um céu mais ao sul
que não saibas achar .

Como se eu
me cercasse de trevas
e ao não encarar a tua luz
me vingasse por dentro
daquilo a que a dor me reduz

domingo, outubro 12, 2008

O difícil caminho por entre os pássaros


Coligia poemas dos teus lábios,
colhidos directamente
gota a gota
da tua voz.

Era ali,
exactamente ali,
que desciam ingremes a canções.

Ali, exactamente ali,
onde anunciavas o espanto
aos que, como eu,
te cobriam os olhos
da luz dos dias
para que não cegasses.

domingo, outubro 05, 2008

O trilho das lágrimas

Segue o trilho das lágrimas
no avesso do Sol,
na mira das cinzas.
Sente-as na língua,
na curva do pescoço,
sente-as rolar entre os destroços.

Depois voa,
como qualquer pássaro,
até te extinguires no espaço,
na tessitura do vento.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Purple Rain

"I never wanted to be your weekend lover
I only wanted to be some kind of friend, hey
Baby, I could never steel you from another
It's such a shame our friendship had to end"

Prince Roger Nelson

sábado, setembro 27, 2008

Pelos olhos...

[...]

Em pontas
na ponta do teu desejo,
bailando-te pelos olhos
como um beijo,
do teu corpo vai fazendo a melodia,
com a língua molhada no teu solfejo




Cadeira Parade
@ CLP
(até 30 Set)

sexta-feira, setembro 26, 2008

Doze anos

Há 12 anos atrás podia ter sido um dia feliz. Foi apenas um dia cumprido.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Outono

Percebi que o Outono havia chegado por duas folhas de plátano caídas sobre o chão. Depois vi a mulher que vende castanhas na esquina, envolta numa nuvem de fumo cinzento, apesar do sol ainda quente e das roupas que sobraram do Estio.
O Outono, como sempre, voltou no final do Verão.
Voltou o Outono, só tu não!
"Cadeira Parade"
@ Clube Literário do Porto
(até 30 Set.)

domingo, setembro 21, 2008

Absurdo


[...]

O teu corpo,
como o meu corpo,
não faz sentido.
Só faz sentido o absurdo
a lamber-me a pele.
Sufocante o vento
que me consome
e me faz acordar todos os dias
para lá do tempo.






"Cadeira Parade"
@Clube Literário do Porto
(até 30 Set.)

domingo, setembro 14, 2008

Dedicatória

[...]
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido


Ruy Belo

sábado, setembro 13, 2008

Ameaças


Há ameaças que a gente não espera que se cumpram...

domingo, setembro 07, 2008

Portas


Fecharemos, então,

as portas

e o tempo encerrar-se-á

contra o corpo

sábado, setembro 06, 2008

O teu poema



Hoje fiz-te um poema
como quem pintasse
o teu retrato.
Está igual a ti,
orgulho-me da obra feita
tem algas no lugar dos cabelos
e os olhos são
duas insinuações.

Surpreendeu-me…
não pensava fazer
assim
um filho teu!

sexta-feira, setembro 05, 2008

Poema rubi (por ser pra ti!)


Avante, Camarada, Avante
Marcha pela estrada e pela enseada
Avança, Camarada, Avança
Que é quando a gente avança
que o nosso corpo dança
e a noite dá lugar à madrugada.
Amansa, Camarada, Amansa
Que o dia foi criança,
cresceu e nele a pança,
engordou e apoplético
morreu!

quinta-feira, setembro 04, 2008

Orion

Num eixo de estrelas
o teu corpo
Orion

Num eixo de estrelas
constelação incerta
de desejos
Orion
e os teus olhos
porque só nos teus olhos
a estrela e
Orion
completa

completamente
em ti.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Parabéns a você!


Faz hoje anos que o mundo viu o meu segundo livro de poemas – “Circulação Transversa”. Tão bonitinho que ele era! Creio que os últimos exemplares existem ainda no Clube Literário do Porto e talvez algum persista ainda, perdido, na Lello.

Tem na capa uma foto tirada por mim num sábado cinzento, numa paz de cidade que é a minha.
Perdoem-me este meu desvelo de “mãe” de lhe cantar aqui os “Parabéns a você”!

terça-feira, setembro 02, 2008

Poema a uma manhã serena

Era tão serena
que lhe podíamos
beijar os olhos
sem corrermos o risco
de a sufocar.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Por que lado

Por que lado te devolves
ao peso do silêncio,
o corpo dilatado
dos poemas que não leste,
o semblante sombreado
de luzes sufocantes?

Por que lado dizes
sonhar sem alento
preso ao tempo divorciado
da paz?

"roubado" de Olhares.com

domingo, agosto 31, 2008

Obituário

Morreu o Poeta Joaquim Castro Caldas...

1956 Lisboa - 2008 Porto

Convém avisar os Ingleses...

[...]"em Orly milhões de gaivotas

não deixam voar os aviões

barricam as pistas

entopem os reactores

e é só nesses dias

que morrem poetas"


JCC