domingo, agosto 24, 2008

Poemas de Agosto by the see III


Águas perturbadas


Talvez te encontre
numa teia de acasos,
o corpo fechado à intempérie
de afectos vagos.
Talvez então me apeteça
amar-te, tanto
como ainda poucos foram
capazes de o fazer
e entregar pele
à tua pele,
sentir na língua
o gosto do vento
e o límpido sossego
das tuas águas perturbadas.

sábado, agosto 23, 2008

Poemas de Agosto by the see II

Deve estar vento


Deve estar vento
na desordem do teu corpo,
deve estar vento
por dentro do teu corpo
lento.

Deve haver ouriços do mar,
um mar de algas,
sargaço no teu encalço e
uma luz mortiça para te abraçar.

Deves ter tempo
para te perderes no areal
de desejos incontidos e
de corações feridos
pelo sul e pelo sal.

Deve estar vento
no olhar desordenado
com que te escondes
de mim e do pecado
e entornas o tempo
sobre outro tempo
na fuga do teu corpo contra
o vento.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Silly season... silly posts... :)

Porque há imagens que valem mais que mil palavras...

Ui!

Auch!

Agora a sério... Parabéns!

quinta-feira, agosto 21, 2008

Cacela (ou... Poemas de Agosto by the sea)

Algarve


Ali o tempo era infinito,
não havia olhos
nem pecados de se olhar,
não havia desejos bravios
nem nada de bravio para desejar,
ali o tempo perdia-se com as ondas do mar.

Ali o tempo não tinha tempo
nem jeito de se contar,
ali o tempo perdia-se entre os dedos
como a areia que infinita se devolvia ao mar.

Ali o tempo não acabava nunca!

quarta-feira, agosto 20, 2008


A marcha silenciosa do poema

Todo o dia procurei por ti,
persegui-te em ruas escusas
da cidade,
junto à ponte e

mais além,
na pequena marina
de barcos pobres
onde achei que te iria encontrar.

Busquei por ti sob este sol de Agosto
no arrostar do mar junto à Foz,
na Cantareira à espera que tu
ou uma garça por ti…

Mas todo o dia me faltaste,
todo o dia eu não te vi…

terça-feira, agosto 19, 2008

Epígrafe da solidão


Gosto tanto de estar só


que às vezes me apetecia uma pessoa!

segunda-feira, agosto 18, 2008

Migrações de Verão


Surpreende-me a cidade assim saudosa do teu corpo ou do teu cheiro. Suspeito que do cheiro mais do que do corpo, que o cheiro mais etéreo traz mais a tua lembrança numa cidade onde tantos corpos e tantos cheiros que se confundem.

Surpreende-me a cidade assim de Verão sem Verão, quase frio, meio chuva e mesmo assim Verão. Uns verão e outros não… poucos são os que te verão pelo Verão, digo eu que não estou cá.

domingo, agosto 17, 2008

Esta noite não durmo aqui. Durmo em Lisboa.

Esta noite não durmo aqui. Durmo em Lisboa num hotel qualquer. Gosto de hotéis, grandes e impessoais, sítios onde talvez nunca torne ou, pelo inverso, torne sempre uma e outra vez. Hoje queria adormecer em Lisboa, deixar a madrugada entrar em mim sentada na esplanada do Piazza, a ouvir na distância o gemido da ponte a cada carro, como um vento regurgitado de um lugar qualquer obscuro perdido na distância escura. O crocitar de uma ou outra gaivota e o penoso silêncio da noite de Lisboa. Esta noite vou voar para lá.
Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa direi S. Luiz, não a sala do teatro mas o jardim de inverno, um espaço largo, sem amarras, mesas redondas e um painel de fundo com um cavaleiro, será um dragão? Será um centauro? Um sagitário? O que sei eu, é uma imagem de corpo e animal, qualquer coisa de magnífico e insensato. Gosto do jardim de inverno pelo inverno e gosto das placas no átrio com os nomes dos artistas, uma parede de placas e outra e outra e … de resto pouco mais gosto em Lisboa, eu nem sequer gosto de Lisboa! Gosto do Chiado feio e torcido ao peso dos seus poemas que não conheço e do Nicola, sim, do Nicola gosto, quero voltar à esplanada do Nicola ler o Notícias e pensar “eu não sou de cá”.


Esta noite não durmo aqui, hei-de tornar ao Estoril, e ficar a ver a lua cheia do alto da varanda recuada do oitavo piso do Vila Galé, a ver a estrada, a bomba de gasolina, o Gordini já fechado, a linha férrea deserta – não, talvez um comboio desesperado pela noite fora a apitar (há comboios de madrugada nesta linha? Não sei, nunca os vi nem os senti), e depois o mar, o longo o intenso o azul escuro mar. Estoril e o mar.
Não, esta noite não durmo aqui, nem pensar, vou cear ao Piazza e depois Estoril, está decidido. Vila Galé para a varanda da lua cheia, colado ao Palácio onde descobri o espanto de uma noite de Janeiro, quatro da manhã no quarto deserto e tão cheio, uma rosa para ti e para mim o entendimento surdo do tempo em que ainda falávamos uma mesma língua. Já passou.
Não me liguem, não me dêem atenção, são três e meia da manhã e tento adormecer neste sofá, o corpo em torpor, uma luz acesa sobre os olhos, o som do teclado insistente clac-clac-clac, luzes que piscam, alarmes a enlouquecer a noite e gemidos de dor ao longe. É que claro que não estou aqui, não durmo aqui nem por nada!

Esta noite durmo em Lisboa. Até amanhã.

sábado, agosto 16, 2008

Cidade Fantasma



(fastamagórica?)





É Agosto e cidade toma uma cor diferente. Agosto das cidades quietas, os seus habitantes fogem para o Sul e ela enche-se de línguas estranhas que arranham os ouvidos. Gente com mapas, calção curto, olhares vorazes, capazes de engolir a cidade de um trago.

Percorri hoje a baixa da cidade, lugar que considero meu, casa minha, e foi como se não a conhecesse e foi bom. Agosto não me apetece a minha cidade, apetece-me outro qualquer lugar dentro de mim (ou dela. Será o mesmo? Seremos iguais? Seremos a mesma? A mesma coisa?).

Parti, então, pela rua como quem procura o poema dentro da cidade. Lojas vazias, fechadas, lixo pelas portas, um pouco de vento, os mesmo mendigos (sim, os mendigos são os mesmo, que pena, estragam-me a pintura) e esta mesma vontade de partir para longe ainda que perto, ainda que aqui, partir para longe ainda que dentro de mim…

Partir para longe e não sentir.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Hoje apetece-me reiniciar...


A silly-rentrée

(porque fazemos títulos com duas palavras estrangeiras?)

Instigada por algumas pessoas, entre elas a Poeta* Minês Castanheira, que criou e “gere” o recém -criado blog do Clube Literário do Porto, resolvi, a medo, reiniciar este blog, a ver vamos o que daqui vai sair.

Um bocado ridículo fazer a rentrée de um blog quando “toda-a-gente” e muitos blogs estão de férias, não é? Como me agradam as coisas absurdas pareceu-me bem!


* Usei Poeta (e não Poetisa) dada a controvérsia no uso de ambos os termos. Faço-o não por machismo mas sim porque entendo aqui Poeta como adjectivo e não como substântivo e assim o feminino parece-me menos "substântivo" na essência!

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Hoje apetece-me desistir...



segunda-feira, dezembro 10, 2007

"Tenho uma arma"


"Oh I'm going to buy a gun and start a war

If you can tell me something worth fighting for"

segunda-feira, dezembro 03, 2007

4 de Dezembro (1996-2007) = 11º Aniversário Porto Património Mundial da Humanidade (UNESCO)


EU IMPORTO-ME!



Logo by Carlos Magno





EU IMPORTO-ME!

sábado, dezembro 01, 2007

Dia 1 de Dezembro - Dia Internacional da Luta contra a SIDA

PELA VOSSA SAÚDE...
PROTEJAM-SE!





sexta-feira, novembro 30, 2007

Espiral


Quantas mais

moradas de verde e ausência

hei-de encontrar

no interior dos teus olhos?

Quantas marcas de tempo

dentro do teu tempo,

onde o tempo, não sendo nosso,

é uma espiral contínua?

sábado, novembro 10, 2007

"Gosto muito de ti."

Desculpa-me as vezes que duvido disso
que eu perdoo-te as vezes que me fazes duvidar...

quarta-feira, outubro 17, 2007

"[...]tudo pode renascer"

Às vezes uma simples frase faz-nos tornar tantos anos... tanto tempo... ainda tantas promessas por cumprir...




[…]


Já é noite
e o chão é mais terra para nascer
A água vai escorrendo entre as mãos a percorrer
todo o espaço entre a sombra entre o espaço que restou
para refazer a vida no que o medo não matou.

mas onde tudo morre tudo pode renascer

em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que me deu quando tudo parou em ti
Na tempestade que não há em ti
arrastei-me para o teu lugar
e é em ti que vou ficar.

[…]

Mas eu descobri a casa onde posso adormecer
eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
Aqui tudo é mais forte e há mais cor no céu maior
Aqui tudo é tão novo porque pode ser amor…

E onde tudo morre tudo volta a nascer

Já é dia e a luz está em tudo o que se vê
Cá dentro não se ouve o que lá fora faz chover
… na cidade que há em ti encontrei o meu lugar
e é em ti que vou ficar


Tiago Bettencourt

domingo, setembro 16, 2007

Ponto da situação


Acabou a silly season, deixei de ter vontade de continuar a história da música na minha vida.

Tinha planeado entremea-la com ums história pessoal de aviões e Breitlings e Red Bulls com asas... mas perdi a vontade.


... Verdade, verdade... é que detesto blogs com histórias pessoais.


Até à próxima vez. Deixo, de penhor, uma frase que me tem batido fundo nos últimos dias:


" Os que nunca inspiraram um poema/são as únicas pessoas sós." by Natália Correia

terça-feira, agosto 21, 2007

"Music was my first love... and it will be my last"


Silly season, silly things...

Não se sabe de que falar nestes meses de Verão, Agosto então é o suplício da falta de assunto. Sol na moleirinha e livros e músicas que nos tiram do lugar presente e nos colocam em qualquer outro lugar, talvez um inexistente ou um dentro de nós, um que nem sabíamos que tínhamos. Dei por mim a vagabundar na memória e achei por bem ser autobiográfica e dar, finalmente, neste blog que assino, algo de mim.



O meu bisavô era músico. Morreu muito antes de eu ter nascido, nunca o conheci senão pelo pouco que o meu Pai, em cuja infância ele falecera, me contou dele. Sei pouco mais para além que partilhava com o meu Pai o nome e que era o mestre, o regente, da “Música” da terra. A meu Pai, que dele não herdou grande predilecção pela música, apesar do “bom-ouvido” (ainda que surdo nos agudos) lembro-me de o ouvir contar que, ainda na infância, ele e os primos da mesma idade brincavam (e destruíam) com pautas antigas. Teria sido compositor? Apenas executante? Julgo que nunca o saberei. Sei que este personagem ancestral, coberto do pó de uma memória não minha me inspirou, na altura em que me foi “revelado”, nos primórdios da adolescência, um certo fascínio.
Fascinava-me encontrar algures na raiz da minha própria árvore genética o fio condutor que me ligava tão fortemente à música.
Quando, pela via da edição de livros, os que me rodeiam perceberam que escrevia (os outros conhecem sempre de nós uma parte amputada, apenas o pouco que lhes mostramos ou o que alguns, mais atentos, conseguem ler-nos nos olhos) se questionados sobre qual das sete artes escolheria como minha favorita, decerto arriscariam dizer Literatura (pois se é verdade que desde tenra idade martirizava papéis com a minha pobre caligrafia, posteriormente substituídos pela cantilena irritante das teclas da máquina campaínhando furiosamente a cada final de linha – abençoado computador que pôs cobro a esta poluição sonora! – e sempre me fazia acompanhar de livros para toda a parte, fossem eles “seis balas” ou Tolstoi…). Nada mais errado. A minha Arte de eleição é, sem duvida alguma, a música, sempre o foi, acredito que sempre o venha a ser. Quando nada me parece fazer sentido, sobrevém sempre a música. Quando me sobra a vontade de fugir ou morrer, a música parece ser a única coisa que resta, como uma sombra na canícula.
Daí que a descoberta do meu bisavô músico despertasse em mim este fascínio que era tanto maior pelo desconhecimento da personagem na vida real. Certo dia, em experiências com barro, moldei-lhe um busto, não o conhecendo e na ausência de uma imagem que o plasmasse resolvi desenhar-lhe uma risca ao lado, como o meu Pai, e plantei-lhe um bigode mais farto e robusto que o do meu Pai, sendo que lho arrebitei nas pontas dando-lhe um ar aristocrático, ajustado à época e ao ofício, achava eu. Mostrei-o depois ao meu Pai a saber se estava parecido com o original, ele disse-me que sim, não sei se para não me desfeitear se por ausência nele próprio de uma memória fidedigna do avô.


Em tempos conheci alguém que me provocou a mais estranha das sensações. Naquele que já não era o nosso primeiro encontro mas que, até hoje, a mim me soou como verdadeiramente primeiro, senti algo tão profundo, tão estranho e diferente que me perturbou (e provavelmente ainda perturba pois ainda hoje o lembro e já se passaram tantos anos…). Conhecíamo-nos há já algum tempo mas tínhamos pouca proximidade sendo que nos dias que precederam aquele encontro nos tornamos, à força de um acontecimento inesperado que nos causou a ambos angústias e ansiedade, mais próximos e, quando naquele dia nos encontramos ainda por força do mesmo assunto, era quase como se comemorássemos um sucesso conjunto, ultrapassada que estava a “tempestade” que nos uniu. Tínhamos ficado amigos mas ainda assim quase dois estranhos procurando conhecer-se. Tudo normal até aqui, mas quando nos despedimos senti uma súbita e intensa vontade de um abraço. Não me recordo das nossas indumentárias, nem da minha nem da dele à excepção do pesado casaco de couro negro que ele usava como agasalho e que me fez querer ainda mais aquele abraço que obviamente nunca aconteceu. Era um Janeiro frio de Inverno e apeteceu-me abraçá-lo pela cintura ou pelo dorso sob o casaco para mais longamente me deixar aquecer. Aquela vontade intensa e inusitada de um abraço alheio, de alguém que eu mal conhecia perturbou-me. Não sendo eu dada a paixões repentinas, sendo igualmente improvável uma explicação Edipiana quando, embora já tendo perdido o meu Pai, nem eu nem ele éramos dados a efusivos abraços, surpreendeu-me aquele sentimento forte mendicante de um abraço, como se este fosse a salvação. Na despedida, lembro-me bem, olhamo-nos nos olhos e eu achei sentir no olhar dele a mesma vontade de ser abraçado (vontade claramente inventada em mim como espelho do que sentia).
Muitos meses depois, já me não lembrava este episódio, éramos agora bastante mais próximos, entre aquele encontro e este que agora conto muita água correu sob a ponte da vida de ambos e muitas mais vezes estivemos juntos sem que eu sentisse despedaçar-me por um abraço. Até um dia em que ele me convidou para uma espécie de comemoração infeliz, um exorcismo conjunto de uma dor comum a muitos e que o abalava de forma particular. Aceitei o convite acabando por me encontrar sozinha entre uma multidão que, em rigor, não conhecia mas conhecia-o a ele, fora, aliás, por ele que viera. Quando o avistei pelas costas toquei-lhe num braço, virou-se e, radiante por me ver, abraçou-me fortemente, como que num exorcismo da sua dor, como se esperasse que esse abraço o salvasse. Eu, fosse por ser sempre desajeitada e desconfortável no capítulo de abraços, fosse por me sentir perturbada por aquele longo abraço público onde todo esse público me era estranho, sem que o repelisse, gentilmente afastei-o, quebrei o anel, embora confortando-o, como uma Mãe conforta um miúdo que magoou o joelho “pronto, pronto, já passou”. Até hoje me pesa esse gesto cobarde.
A história entre nós dois ficou sempre inacabada, um livro cujo último capítulo nunca aconteceu. Primeiramente um abraço apenas imaginado, depois um abraço não concluído, ficou a faltar a última penada: o abraço completo, inteiro, definitivo. Passaram muitos anos desde então, continuamos amigos, fomo-nos falando a cada passo, às vezes ensaiamos mesmo uns “meios-abraços” mas nunca encerramos esta trilogia. A faltar ficou um abraço completo, amplo e simétrico.
Talvez fosse sempre isso que nos faltou, talvez o devêssemos ter dado, talvez ele nos salvasse!
De quê? Não sei, mas sei que sempre nos olhei como duas almas perdidas à procura da salvação.


A ideia do músico imagem do guardião do silêncio, espécie de figura mítica digna de veneração havia de perder-se ao longo do tempo, conforme fui conhecendo músicos, mais os executantes do que os compositores – estes últimos exercendo um especial fascínio porque criadores do sonho – e percebendo-os tão capazes como eu de chorar pelas mesmas moléstias ou rir de piadas tontas. A desmistificação não me fez mal, pelo contrário, a “humanização” do músico faz da música mais humana e por isso mais íntima, mais próxima, mais “minha”.
Mesmo assim os músicos que vim a conhecer aconteceram-me, não os procurei, desde o mais indistinto e medíocre interprete até ao mais genial dos compositores, não os procurei, a uns por não os conhecer antes de mos apresentarem, a outros por medo de destruir a imagem que o ouvinte cria, sem precisar conhecer a criatura (apenas se sonha o criador e não a criatura que o mesmo é). Ainda assim, uma vez ou outra, surpreendo-me com reacções como a que um destes dias me acometeu.
Sentada num café “de sempre” fui surpreendida com a entrada de um músico que aprecio há muitos anos, co-responsável por um número considerável de músicas que foram e são a banda-sonora da minha vida. Foi impossível não sentir um sobressalto com a sua entrada não sei se pela admiração ao seu trabalho ou por não o ver há uns anos, não que ele seja como figura pública uma figura de proa, pelo contrário, silencioso e discreto passou despercebido no café e veio sentar-se numa mesa junto à minha. A ajudar ao meu desconforto ouvia-lhe a conversa, inadvertidamente e sentia-me, por eu o conhecer a ele e ele a mim não, como que a invadir o seu espaço, espécie de voyeur.
Trouxe-me à memória uma estória antiga, do tempo em que ele era um personagem que me era comum por morar perto do seu local de trabalho. Recordo-me do seu ar de surpresa, um dia ao ver-me passar com um objecto de adorno que era um merchandise de uma banda a que, na época, ele pertencia, liderada por um verdadeiro encantador de serpentes. Não percebi o ar de espanto, como que ele próprio apanhado pela surpresa daquilo que representava, talvez indeciso entre o perceber se a manifestação de afecto que o merchandise representava quando sendo utilizado no meu dia-a-dia passaria pela qualidade da música de que ele era parte integrante e de que se poderia decerto orgulhar-se ou pelo charme destilado pelo “band-leader” que era coisa a ser apreciada a um considerável raio do palco.
Não me pareceu (a mim pelo menos) a distinção muito importante... à luz do palco tudo se confunde!

(estórinha a continuar se me der o vento nesse sentido…)

quarta-feira, agosto 01, 2007

Gaivotas, pronto, paciência!

À Clara

Poema para um dia assim

Às vezes acontecia
do fundo do corpo um murmúrio,
não sei bem se do fundo do corpo,
não sei mesmo se do corpo
mas era do fundo e era em mim.
O murmúrio era um grito,
qualquer coisa que me abafava (que se abafava) no peito.

Às vezes custa-me tanto
os teus olhos, murmúrio-grito
de um infinito impossível