
terça-feira, agosto 19, 2008
segunda-feira, agosto 18, 2008
Migrações de Verão

Surpreende-me a cidade assim de Verão sem Verão, quase frio, meio chuva e mesmo assim Verão. Uns verão e outros não… poucos são os que te verão pelo Verão, digo eu que não estou cá.
domingo, agosto 17, 2008
Esta noite não durmo aqui. Durmo em Lisboa.
Se me perguntarem o que mais gosto em Lisboa direi S. Luiz, não a sala do teatro mas o jardim de inverno, um espaço largo, sem amarras, mesas redondas e um painel de fundo com um cavaleiro, será um dragão? Será um centauro? Um sagitário? O que sei eu, é uma imagem de corpo e animal, qualquer coisa de magnífico e insensato. Gosto do jardim de inverno pelo inverno e gosto das placas no átrio com os nomes dos artistas, uma parede de placas e outra e outra e … de resto pouco mais gosto em Lisboa, eu nem sequer gosto de Lisboa! Gosto do Chiado feio e torcido ao peso dos seus poemas que não conheço e do Nicola, sim, do Nicola gosto, quero voltar à esplanada do Nicola ler o Notícias e pensar “eu não sou de cá”.
Esta noite não durmo aqui, hei-de tornar ao Estoril, e ficar a ver a lua cheia do alto da varanda recuada do oitavo piso do Vila Galé, a ver a estrada, a bomba de gasolina, o Gordini já fechado, a linha férrea deserta – não, talvez um comboio desesperado pela noite fora a apitar (há comboios de madrugada nesta linha? Não sei, nunca os vi nem os senti), e depois o mar, o longo o intenso o azul escuro mar. Estoril e o mar.
Não, esta noite não durmo aqui, nem pensar, vou cear ao Piazza e depois Estoril, está decidido. Vila Galé para a varanda da lua cheia, colado ao Palácio onde descobri o espanto de uma noite de Janeiro, quatro da manhã no quarto deserto e tão cheio, uma rosa para ti e para mim o entendimento surdo do tempo em que ainda falávamos uma mesma língua. Já passou.
Não me liguem, não me dêem atenção, são três e meia da manhã e tento adormecer neste sofá, o corpo em torpor, uma luz acesa sobre os olhos, o som do teclado insistente clac-clac-clac, luzes que piscam, alarmes a enlouquecer a noite e gemidos de dor ao longe. É que claro que não estou aqui, não durmo aqui nem por nada!
Esta noite durmo em Lisboa. Até amanhã.
sábado, agosto 16, 2008
Cidade Fantasma
(fastamagórica?)
Percorri hoje a baixa da cidade, lugar que considero meu, casa minha, e foi como se não a conhecesse e foi bom. Agosto não me apetece a minha cidade, apetece-me outro qualquer lugar dentro de mim (ou dela. Será o mesmo? Seremos iguais? Seremos a mesma? A mesma coisa?).
Parti, então, pela rua como quem procura o poema dentro da cidade. Lojas vazias, fechadas, lixo pelas portas, um pouco de vento, os mesmo mendigos (sim, os mendigos são os mesmo, que pena, estragam-me a pintura) e esta mesma vontade de partir para longe ainda que perto, ainda que aqui, partir para longe ainda que dentro de mim…
Partir para longe e não sentir.
sexta-feira, agosto 15, 2008
Hoje apetece-me reiniciar...

(porque fazemos títulos com duas palavras estrangeiras?)
Instigada por algumas pessoas, entre elas a Poeta* Minês Castanheira, que criou e “gere” o recém -criado blog do Clube Literário do Porto, resolvi, a medo, reiniciar este blog, a ver vamos o que daqui vai sair.
Um bocado ridículo fazer a rentrée de um blog quando “toda-a-gente” e muitos blogs estão de férias, não é? Como me agradam as coisas absurdas pareceu-me bem!
quarta-feira, dezembro 26, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
segunda-feira, dezembro 03, 2007
sábado, dezembro 01, 2007
sexta-feira, novembro 30, 2007
Espiral
sábado, novembro 10, 2007
"Gosto muito de ti."
que eu perdoo-te as vezes que me fazes duvidar...
quarta-feira, outubro 17, 2007
"[...]tudo pode renascer"
Já é noite
e o chão é mais terra para nascer
A água vai escorrendo entre as mãos a percorrer
todo o espaço entre a sombra entre o espaço que restou
para refazer a vida no que o medo não matou.
mas onde tudo morre tudo pode renascer
em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que me deu quando tudo parou em ti
Na tempestade que não há em ti
arrastei-me para o teu lugar
e é em ti que vou ficar.
[…]
Mas eu descobri a casa onde posso adormecer
eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
Aqui tudo é mais forte e há mais cor no céu maior
Aqui tudo é tão novo porque pode ser amor…
E onde tudo morre tudo volta a nascer
Já é dia e a luz está em tudo o que se vê
Cá dentro não se ouve o que lá fora faz chover
… na cidade que há em ti encontrei o meu lugar
e é em ti que vou ficar
Tiago Bettencourt
domingo, setembro 16, 2007
Ponto da situação

terça-feira, agosto 21, 2007
"Music was my first love... and it will be my last"

Silly season, silly things...
Não se sabe de que falar nestes meses de Verão, Agosto então é o suplício da falta de assunto. Sol na moleirinha e livros e músicas que nos tiram do lugar presente e nos colocam em qualquer outro lugar, talvez um inexistente ou um dentro de nós, um que nem sabíamos que tínhamos. Dei por mim a vagabundar na memória e achei por bem ser autobiográfica e dar, finalmente, neste blog que assino, algo de mim.
Fascinava-me encontrar algures na raiz da minha própria árvore genética o fio condutor que me ligava tão fortemente à música.
Quando, pela via da edição de livros, os que me rodeiam perceberam que escrevia (os outros conhecem sempre de nós uma parte amputada, apenas o pouco que lhes mostramos ou o que alguns, mais atentos, conseguem ler-nos nos olhos) se questionados sobre qual das sete artes escolheria como minha favorita, decerto arriscariam dizer Literatura (pois se é verdade que desde tenra idade martirizava papéis com a minha pobre caligrafia, posteriormente substituídos pela cantilena irritante das teclas da máquina campaínhando furiosamente a cada final de linha – abençoado computador que pôs cobro a esta poluição sonora! – e sempre me fazia acompanhar de livros para toda a parte, fossem eles “seis balas” ou Tolstoi…). Nada mais errado. A minha Arte de eleição é, sem duvida alguma, a música, sempre o foi, acredito que sempre o venha a ser. Quando nada me parece fazer sentido, sobrevém sempre a música. Quando me sobra a vontade de fugir ou morrer, a música parece ser a única coisa que resta, como uma sombra na canícula.
Daí que a descoberta do meu bisavô músico despertasse em mim este fascínio que era tanto maior pelo desconhecimento da personagem na vida real. Certo dia, em experiências com barro, moldei-lhe um busto, não o conhecendo e na ausência de uma imagem que o plasmasse resolvi desenhar-lhe uma risca ao lado, como o meu Pai, e plantei-lhe um bigode mais farto e robusto que o do meu Pai, sendo que lho arrebitei nas pontas dando-lhe um ar aristocrático, ajustado à época e ao ofício, achava eu. Mostrei-o depois ao meu Pai a saber se estava parecido com o original, ele disse-me que sim, não sei se para não me desfeitear se por ausência nele próprio de uma memória fidedigna do avô.
Muitos meses depois, já me não lembrava este episódio, éramos agora bastante mais próximos, entre aquele encontro e este que agora conto muita água correu sob a ponte da vida de ambos e muitas mais vezes estivemos juntos sem que eu sentisse despedaçar-me por um abraço. Até um dia em que ele me convidou para uma espécie de comemoração infeliz, um exorcismo conjunto de uma dor comum a muitos e que o abalava de forma particular. Aceitei o convite acabando por me encontrar sozinha entre uma multidão que, em rigor, não conhecia mas conhecia-o a ele, fora, aliás, por ele que viera. Quando o avistei pelas costas toquei-lhe num braço, virou-se e, radiante por me ver, abraçou-me fortemente, como que num exorcismo da sua dor, como se esperasse que esse abraço o salvasse. Eu, fosse por ser sempre desajeitada e desconfortável no capítulo de abraços, fosse por me sentir perturbada por aquele longo abraço público onde todo esse público me era estranho, sem que o repelisse, gentilmente afastei-o, quebrei o anel, embora confortando-o, como uma Mãe conforta um miúdo que magoou o joelho “pronto, pronto, já passou”. Até hoje me pesa esse gesto cobarde.
A história entre nós dois ficou sempre inacabada, um livro cujo último capítulo nunca aconteceu. Primeiramente um abraço apenas imaginado, depois um abraço não concluído, ficou a faltar a última penada: o abraço completo, inteiro, definitivo. Passaram muitos anos desde então, continuamos amigos, fomo-nos falando a cada passo, às vezes ensaiamos mesmo uns “meios-abraços” mas nunca encerramos esta trilogia. A faltar ficou um abraço completo, amplo e simétrico.
Talvez fosse sempre isso que nos faltou, talvez o devêssemos ter dado, talvez ele nos salvasse!
De quê? Não sei, mas sei que sempre nos olhei como duas almas perdidas à procura da salvação.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Gaivotas, pronto, paciência!
do fundo do corpo um murmúrio,
não sei bem se do fundo do corpo,
não sei mesmo se do corpo
mas era do fundo e era em mim.
O murmúrio era um grito,
qualquer coisa que me abafava (que se abafava) no peito.
Às vezes custa-me tanto
os teus olhos, murmúrio-grito
de um infinito impossível
quarta-feira, julho 25, 2007
Não consigo adormecer...
Tudo me cansa, mesmo o que não me cansa. A minha alegria é tão dolorosa como a minha dor.
sábado, julho 21, 2007
"Vem ver as garças..."
vamos ouvir no silêncio o crocitar macio,
o som das asas a adejar,
vem ver as garças, talvez assim nos possamos esquecer…
talvez voar?
“Não sei bem, garças, acho eu.” (E eram. Numerosa colónia residente do rio que no fim-de-tarde vem pavonear-se naquele pedaço de espelho rente à Foz).
Vem…
Vem ver as garças comigo,
talvez nas suas asas o vento se aquiete,
talvez o rumo… a flor do silêncio…
Esta funda dificuldade em perceber o alcance das coisas que se sentem mesmo sem querer… e “o amor é” ainda qualquer coisa de funesto que arde na proa de um barco… “sem se ver”.
quarta-feira, julho 04, 2007
terça-feira, julho 03, 2007
Avessas
Agarro-te a cintura,enquanto te rasgo a pele –
primeiro por onde se soltam,
se separam,
os olhos do negro que a noite
havia pousado em ti.
Quero dizer-te que te amo
mas a voz deixa-me sempre ausente,
em falta para com o mundo
que se fecha, que me fecha,
nos teus braços.
Estar contigo é uma lembrança
que és ainda o gosto verde
da liberdade nos meus dentes
e tua é a saliva com que juntos
prendemos o desejo.
terça-feira, junho 26, 2007
A casa na noite
Esta noite o silêncio sobrevoou a casa.
Foi nos seus passos pequeninos
que encontrei a noite
para que nela me pudesse aconchegar
e adormecer numa esteira de lágrimas.
Este noite recordei-te a textura da pele
e o desamparo do olhar,
num sulco mais fundo
que te atravessa a fronte
depositei-te um beijo imaginário,
um que levasses contigo,
junto ao peito,
como memória minha depois
da minha ausência.













