sábado, dezembro 01, 2007

Dia 1 de Dezembro - Dia Internacional da Luta contra a SIDA

PELA VOSSA SAÚDE...
PROTEJAM-SE!





sexta-feira, novembro 30, 2007

Espiral


Quantas mais

moradas de verde e ausência

hei-de encontrar

no interior dos teus olhos?

Quantas marcas de tempo

dentro do teu tempo,

onde o tempo, não sendo nosso,

é uma espiral contínua?

sábado, novembro 10, 2007

"Gosto muito de ti."

Desculpa-me as vezes que duvido disso
que eu perdoo-te as vezes que me fazes duvidar...

quarta-feira, outubro 17, 2007

"[...]tudo pode renascer"

Às vezes uma simples frase faz-nos tornar tantos anos... tanto tempo... ainda tantas promessas por cumprir...




[…]


Já é noite
e o chão é mais terra para nascer
A água vai escorrendo entre as mãos a percorrer
todo o espaço entre a sombra entre o espaço que restou
para refazer a vida no que o medo não matou.

mas onde tudo morre tudo pode renascer

em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que me deu quando tudo parou em ti
Na tempestade que não há em ti
arrastei-me para o teu lugar
e é em ti que vou ficar.

[…]

Mas eu descobri a casa onde posso adormecer
eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
Aqui tudo é mais forte e há mais cor no céu maior
Aqui tudo é tão novo porque pode ser amor…

E onde tudo morre tudo volta a nascer

Já é dia e a luz está em tudo o que se vê
Cá dentro não se ouve o que lá fora faz chover
… na cidade que há em ti encontrei o meu lugar
e é em ti que vou ficar


Tiago Bettencourt

domingo, setembro 16, 2007

Ponto da situação


Acabou a silly season, deixei de ter vontade de continuar a história da música na minha vida.

Tinha planeado entremea-la com ums história pessoal de aviões e Breitlings e Red Bulls com asas... mas perdi a vontade.


... Verdade, verdade... é que detesto blogs com histórias pessoais.


Até à próxima vez. Deixo, de penhor, uma frase que me tem batido fundo nos últimos dias:


" Os que nunca inspiraram um poema/são as únicas pessoas sós." by Natália Correia

terça-feira, agosto 21, 2007

"Music was my first love... and it will be my last"


Silly season, silly things...

Não se sabe de que falar nestes meses de Verão, Agosto então é o suplício da falta de assunto. Sol na moleirinha e livros e músicas que nos tiram do lugar presente e nos colocam em qualquer outro lugar, talvez um inexistente ou um dentro de nós, um que nem sabíamos que tínhamos. Dei por mim a vagabundar na memória e achei por bem ser autobiográfica e dar, finalmente, neste blog que assino, algo de mim.



O meu bisavô era músico. Morreu muito antes de eu ter nascido, nunca o conheci senão pelo pouco que o meu Pai, em cuja infância ele falecera, me contou dele. Sei pouco mais para além que partilhava com o meu Pai o nome e que era o mestre, o regente, da “Música” da terra. A meu Pai, que dele não herdou grande predilecção pela música, apesar do “bom-ouvido” (ainda que surdo nos agudos) lembro-me de o ouvir contar que, ainda na infância, ele e os primos da mesma idade brincavam (e destruíam) com pautas antigas. Teria sido compositor? Apenas executante? Julgo que nunca o saberei. Sei que este personagem ancestral, coberto do pó de uma memória não minha me inspirou, na altura em que me foi “revelado”, nos primórdios da adolescência, um certo fascínio.
Fascinava-me encontrar algures na raiz da minha própria árvore genética o fio condutor que me ligava tão fortemente à música.
Quando, pela via da edição de livros, os que me rodeiam perceberam que escrevia (os outros conhecem sempre de nós uma parte amputada, apenas o pouco que lhes mostramos ou o que alguns, mais atentos, conseguem ler-nos nos olhos) se questionados sobre qual das sete artes escolheria como minha favorita, decerto arriscariam dizer Literatura (pois se é verdade que desde tenra idade martirizava papéis com a minha pobre caligrafia, posteriormente substituídos pela cantilena irritante das teclas da máquina campaínhando furiosamente a cada final de linha – abençoado computador que pôs cobro a esta poluição sonora! – e sempre me fazia acompanhar de livros para toda a parte, fossem eles “seis balas” ou Tolstoi…). Nada mais errado. A minha Arte de eleição é, sem duvida alguma, a música, sempre o foi, acredito que sempre o venha a ser. Quando nada me parece fazer sentido, sobrevém sempre a música. Quando me sobra a vontade de fugir ou morrer, a música parece ser a única coisa que resta, como uma sombra na canícula.
Daí que a descoberta do meu bisavô músico despertasse em mim este fascínio que era tanto maior pelo desconhecimento da personagem na vida real. Certo dia, em experiências com barro, moldei-lhe um busto, não o conhecendo e na ausência de uma imagem que o plasmasse resolvi desenhar-lhe uma risca ao lado, como o meu Pai, e plantei-lhe um bigode mais farto e robusto que o do meu Pai, sendo que lho arrebitei nas pontas dando-lhe um ar aristocrático, ajustado à época e ao ofício, achava eu. Mostrei-o depois ao meu Pai a saber se estava parecido com o original, ele disse-me que sim, não sei se para não me desfeitear se por ausência nele próprio de uma memória fidedigna do avô.


Em tempos conheci alguém que me provocou a mais estranha das sensações. Naquele que já não era o nosso primeiro encontro mas que, até hoje, a mim me soou como verdadeiramente primeiro, senti algo tão profundo, tão estranho e diferente que me perturbou (e provavelmente ainda perturba pois ainda hoje o lembro e já se passaram tantos anos…). Conhecíamo-nos há já algum tempo mas tínhamos pouca proximidade sendo que nos dias que precederam aquele encontro nos tornamos, à força de um acontecimento inesperado que nos causou a ambos angústias e ansiedade, mais próximos e, quando naquele dia nos encontramos ainda por força do mesmo assunto, era quase como se comemorássemos um sucesso conjunto, ultrapassada que estava a “tempestade” que nos uniu. Tínhamos ficado amigos mas ainda assim quase dois estranhos procurando conhecer-se. Tudo normal até aqui, mas quando nos despedimos senti uma súbita e intensa vontade de um abraço. Não me recordo das nossas indumentárias, nem da minha nem da dele à excepção do pesado casaco de couro negro que ele usava como agasalho e que me fez querer ainda mais aquele abraço que obviamente nunca aconteceu. Era um Janeiro frio de Inverno e apeteceu-me abraçá-lo pela cintura ou pelo dorso sob o casaco para mais longamente me deixar aquecer. Aquela vontade intensa e inusitada de um abraço alheio, de alguém que eu mal conhecia perturbou-me. Não sendo eu dada a paixões repentinas, sendo igualmente improvável uma explicação Edipiana quando, embora já tendo perdido o meu Pai, nem eu nem ele éramos dados a efusivos abraços, surpreendeu-me aquele sentimento forte mendicante de um abraço, como se este fosse a salvação. Na despedida, lembro-me bem, olhamo-nos nos olhos e eu achei sentir no olhar dele a mesma vontade de ser abraçado (vontade claramente inventada em mim como espelho do que sentia).
Muitos meses depois, já me não lembrava este episódio, éramos agora bastante mais próximos, entre aquele encontro e este que agora conto muita água correu sob a ponte da vida de ambos e muitas mais vezes estivemos juntos sem que eu sentisse despedaçar-me por um abraço. Até um dia em que ele me convidou para uma espécie de comemoração infeliz, um exorcismo conjunto de uma dor comum a muitos e que o abalava de forma particular. Aceitei o convite acabando por me encontrar sozinha entre uma multidão que, em rigor, não conhecia mas conhecia-o a ele, fora, aliás, por ele que viera. Quando o avistei pelas costas toquei-lhe num braço, virou-se e, radiante por me ver, abraçou-me fortemente, como que num exorcismo da sua dor, como se esperasse que esse abraço o salvasse. Eu, fosse por ser sempre desajeitada e desconfortável no capítulo de abraços, fosse por me sentir perturbada por aquele longo abraço público onde todo esse público me era estranho, sem que o repelisse, gentilmente afastei-o, quebrei o anel, embora confortando-o, como uma Mãe conforta um miúdo que magoou o joelho “pronto, pronto, já passou”. Até hoje me pesa esse gesto cobarde.
A história entre nós dois ficou sempre inacabada, um livro cujo último capítulo nunca aconteceu. Primeiramente um abraço apenas imaginado, depois um abraço não concluído, ficou a faltar a última penada: o abraço completo, inteiro, definitivo. Passaram muitos anos desde então, continuamos amigos, fomo-nos falando a cada passo, às vezes ensaiamos mesmo uns “meios-abraços” mas nunca encerramos esta trilogia. A faltar ficou um abraço completo, amplo e simétrico.
Talvez fosse sempre isso que nos faltou, talvez o devêssemos ter dado, talvez ele nos salvasse!
De quê? Não sei, mas sei que sempre nos olhei como duas almas perdidas à procura da salvação.


A ideia do músico imagem do guardião do silêncio, espécie de figura mítica digna de veneração havia de perder-se ao longo do tempo, conforme fui conhecendo músicos, mais os executantes do que os compositores – estes últimos exercendo um especial fascínio porque criadores do sonho – e percebendo-os tão capazes como eu de chorar pelas mesmas moléstias ou rir de piadas tontas. A desmistificação não me fez mal, pelo contrário, a “humanização” do músico faz da música mais humana e por isso mais íntima, mais próxima, mais “minha”.
Mesmo assim os músicos que vim a conhecer aconteceram-me, não os procurei, desde o mais indistinto e medíocre interprete até ao mais genial dos compositores, não os procurei, a uns por não os conhecer antes de mos apresentarem, a outros por medo de destruir a imagem que o ouvinte cria, sem precisar conhecer a criatura (apenas se sonha o criador e não a criatura que o mesmo é). Ainda assim, uma vez ou outra, surpreendo-me com reacções como a que um destes dias me acometeu.
Sentada num café “de sempre” fui surpreendida com a entrada de um músico que aprecio há muitos anos, co-responsável por um número considerável de músicas que foram e são a banda-sonora da minha vida. Foi impossível não sentir um sobressalto com a sua entrada não sei se pela admiração ao seu trabalho ou por não o ver há uns anos, não que ele seja como figura pública uma figura de proa, pelo contrário, silencioso e discreto passou despercebido no café e veio sentar-se numa mesa junto à minha. A ajudar ao meu desconforto ouvia-lhe a conversa, inadvertidamente e sentia-me, por eu o conhecer a ele e ele a mim não, como que a invadir o seu espaço, espécie de voyeur.
Trouxe-me à memória uma estória antiga, do tempo em que ele era um personagem que me era comum por morar perto do seu local de trabalho. Recordo-me do seu ar de surpresa, um dia ao ver-me passar com um objecto de adorno que era um merchandise de uma banda a que, na época, ele pertencia, liderada por um verdadeiro encantador de serpentes. Não percebi o ar de espanto, como que ele próprio apanhado pela surpresa daquilo que representava, talvez indeciso entre o perceber se a manifestação de afecto que o merchandise representava quando sendo utilizado no meu dia-a-dia passaria pela qualidade da música de que ele era parte integrante e de que se poderia decerto orgulhar-se ou pelo charme destilado pelo “band-leader” que era coisa a ser apreciada a um considerável raio do palco.
Não me pareceu (a mim pelo menos) a distinção muito importante... à luz do palco tudo se confunde!

(estórinha a continuar se me der o vento nesse sentido…)

quarta-feira, agosto 01, 2007

Gaivotas, pronto, paciência!

À Clara

Poema para um dia assim

Às vezes acontecia
do fundo do corpo um murmúrio,
não sei bem se do fundo do corpo,
não sei mesmo se do corpo
mas era do fundo e era em mim.
O murmúrio era um grito,
qualquer coisa que me abafava (que se abafava) no peito.

Às vezes custa-me tanto
os teus olhos, murmúrio-grito
de um infinito impossível

quarta-feira, julho 25, 2007

Não consigo adormecer...

Intervalo doloroso

Tudo me cansa, mesmo o que não me cansa. A minha alegria é tão dolorosa como a minha dor.

[…]

Entre mim e a vida há um vidro ténue. Por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar.
Raciocinar a minha tristeza? Para quê, se o raciocínio é um esforço? e quem é triste não pode esforçar-se. Nem mesmo abdico daqueles gestos banais da vida de que eu tanto quereria abdicar.
Abdicar é um esforço, e eu não possuo o de alma com que esforçar-me.
Eu não teria horror à vida como a uma Coisa. A noção da vida como um Todo não me esmagaria os ombros do pensamento.
Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio. Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e actos.
Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia. Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge. Então as coisas aparecem-me nítidas.
Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objectos me pesam por a alma dentro.


A minha vida é como se me batessem com ela.

Bernardo Soares
in
“Livro do Desassossego”

sábado, julho 21, 2007

"Vem ver as garças..."

Vem…


Vem ver as garças,
dançando sobre o rio,
vamos ouvir no silêncio o crocitar macio,
o som das asas a adejar,
vem ver as garças, talvez assim nos possamos esquecer…
talvez voar?


“Que pássaros são aqueles?” (Nunca entendi nada dos pássaros).
“Não sei bem, garças, acho eu.” (E eram. Numerosa colónia residente do rio que no fim-de-tarde vem pavonear-se naquele pedaço de espelho rente à Foz).

O que procuramos no fim-de-tarde em que o sol vem beijar ferozmente a linha do rio? Uma fímbria de paz, um deserto da dor? Que fantasmas ousam assaltar-nos no final de tarde beira-rio? Quem se atreve a assombrar a luz macia beira-margem?

Vem…
Vem ver as garças comigo,
talvez nas suas asas o vento se aquiete,
talvez o rumo… a flor do silêncio…

Esta funda dificuldade em perceber o alcance das coisas que se sentem mesmo sem querer… e “o amor é” ainda qualquer coisa de funesto que arde na proa de um barco… “sem se ver”.

quarta-feira, julho 04, 2007

Oh Lord... show me the light!



terça-feira, julho 03, 2007

Avessas

Agarro-te a cintura,
enquanto te rasgo a pele –
primeiro por onde se soltam,
se separam,
os olhos do negro que a noite
havia pousado em ti.
Quero dizer-te que te amo
mas a voz deixa-me sempre ausente,
em falta para com o mundo
que se fecha, que me fecha,
nos teus braços.
Estar contigo é uma lembrança
que és ainda o gosto verde
da liberdade nos meus dentes
e tua é a saliva com que juntos
prendemos o desejo.

terça-feira, junho 26, 2007

A casa na noite

by Loren Klein


Esta noite o silêncio sobrevoou a casa.
Foi nos seus passos pequeninos
que encontrei a noite
para que nela me pudesse aconchegar
e adormecer numa esteira de lágrimas.

Este noite recordei-te a textura da pele
e o desamparo do olhar,
num sulco mais fundo
que te atravessa a fronte
depositei-te um beijo imaginário,

um que levasses contigo,
junto ao peito,
como memória minha depois
da minha ausência.

segunda-feira, junho 25, 2007

Veneno


[...]
Recordo vagamente
a tua voz rente ao precipício
onde se inclina o inferno de nós.
Tudo manso e regular,
dislates líricos, pedras
nuas deste cais.

Nada tem importância e
se tinha não faz mal – dorme
levemente – amanhã já nem te lembrarás mais.

domingo, junho 24, 2007

Em Junho morrem os Poetas














Em Junho morrem os Poetas,
indiferentes ao Verão
e às cerejas que despertam.

De novo tornam
as manhãs cinzentas.

Deixam que as sombras
se sentem, por sua vez,
em todos os lugares da casa.

Em Junho morrem os Poetas
e o frio regressa aos regaços
como um Inverno inesperado…

quarta-feira, junho 20, 2007

Desejo


Do desejo
fiz um verso
que me ocupou todo o dia

sexta-feira, junho 15, 2007

Sempre a bombar!


Weeee... Eu gosto é da mangueira!

A Quelára na Fenáque!


Ups! Afinal não é na Fenáque!



É na Lello & Irmom!

Medo

SMS:


Há sol na cidade, a baixa fervilha de gente em tons garridos de um quase-Verão que se insinua mas tarda a aparecer. Espero por ti no café de sempre. Há lugar na esplanada (se quiseres arriscar o vento empurrando o ruído e o pó das obras mesmo ao lado). Estou só e tenho medo.



-----------------------------Sem Resposta---------------------------------



Tenho medo de enlouquecer entre a música e o silêncio, entre o gesto e o acto, prisioneira de afectos onde não sei sobreviver sem ir morrendo por dentro.
Tenho medo de parar e me morrer cosida a um tempo de perfídia e ausência.
.
Tenho medo…
de (me) perder.

quarta-feira, junho 13, 2007

Canção de Despedida


Devagar…

rasgas o silêncio,
mordes-me por dentro,
abraças-me a dor

Devagar…
fazes-me dormir,
fazes-me sentir,
amparas-me o chão

Devagar…
como uma ilusão,
perdes-me no escuro
e achas-me no muro
que alguém te pintou

Passou tanto tempo,
fez-se tanto vento,
achas que acabou?

Devagar…
é Junho ou Setembro
no abraço lento
de quem tanto amou?

terça-feira, junho 05, 2007

Tempo...

Mesmo assim
há um estreitar de tempo
entre os teus dedos
e os meus.